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Bonobos em zoológicos revelam taxas de agressividade iguais às de chimpanzés

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Two Yellow-Tailed Woolly Monkeys playing on a forest floor in Leticia, Colombia.
Two Yellow-Tailed Woolly Monkeys playing on a forest floor in Leticia, Colombia. Foto: Danilo Arenas — Pexels License (livre para uso)

Um novo estudo científico revela que os bonobos podem não ser tão pacíficos quanto a ciência acreditava, apresentando níveis de agressividade física semelhantes aos dos chimpanzés quando mantidos em cativeiro. A pesquisa, conduzida por especialistas da Universidade de Utrecht, na Holanda, analisou o comportamento de primatas em 16 zoológicos europeus. Os resultados apontam que, em ambientes controlados, ambas as espécies demonstram taxas equivalentes de conflitos e hostilidade corporais.

De acordo com informações do Mongabay Global, as descobertas publicadas na revista científica Science Advances desafiam a reputação histórica de pacificidade associada aos bonobos. Historicamente, a comunidade científica contrastava a sociedade dominada por machos e territorial dos chimpanzés com as estruturas matriarcais e menos belicosas dos bonobos, onde as fêmeas frequentemente formam coalizões para suprimir a agressão masculina.

Quais são as diferenças ecológicas entre bonobos e chimpanzés?

As duas espécies, que são os parentes vivos mais próximos da humanidade, evoluíram sob pressões ambientais distintas no continente africano. Os bonobos, cientificamente chamados de Pan paniscus, habitam exclusivamente a região ao sul do Rio Congo, na República Democrática do Congo. Neste habitat específico, os recursos alimentares são abundantes e distribuídos de maneira uniforme, o que tradicionalmente justificaria um comportamento menos competitivo na natureza.

Em contrapartida, os chimpanzés, ou Pan troglodytes, ocupam vastas extensões da África Ocidental, Central e Oriental. Nestes territórios selvagens, a disponibilidade de alimentos pode ser variável e escassa em determinadas épocas, fomentando uma organização social focada na defesa do território e marcada por frequentes demonstrações de agressividade contra grupos rivais na busca por sobrevivência.

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Como o novo estudo avaliou a agressividade em cativeiro?

Para entender se essas dinâmicas se mantêm fora do ambiente selvagem, a equipe liderada pelo pesquisador Emile Bryon monitorou e comparou comportamentos específicos, incluindo perseguições, golpes, lutas corporais e mordidas. A análise englobou nove grupos de chimpanzés e 13 grupos de bonobos alocados em instituições europeias.

A conclusão central do trabalho apontou para a ausência de diferenças nas taxas gerais de agressão, bem como nos contatos agressivos mais severos, entre os indivíduos alojados nas instalações avaliadas. Contudo, os cientistas identificaram divergências marcantes em relação aos perfis biológicos de quem iniciava os conflitos dentro das comunidades.

Enquanto os chimpanzés machos se mostraram significativamente mais agressivos que as fêmeas de sua respectiva espécie, os bonobos machos e fêmeas exibiram níveis similares de comportamento hostil. O pesquisador detalhou a descoberta aos veículos de comunicação:

“No geral, nossa pesquisa pinta um quadro que corresponde à socioecologia de ambas as espécies; os machos chimpanzés são agressivos contra todos, enquanto todos os bonobos são agressivos, mas têm como alvo principal os machos.”

Por que a agressão entre fêmeas surpreendeu os pesquisadores?

Um ponto de destaque na pesquisa diz respeito à baixa incidência de conflitos entre fêmeas, independentemente da espécie analisada. Esta constatação contrariou as expectativas iniciais da equipe, especialmente no que tange à estrutura social matrizógica dos bonobos em ambientes naturais.

“Também achamos interessante que a agressão de fêmea para fêmea é geralmente baixa em ambas as espécies. Como as fêmeas bonobos dominam, e indivíduos dominantes competem entre si por recursos, poderíamos esperar agressão entre fêmeas bonobos. Mas nosso estudo diz o contrário.”

A pesquisa levanta questionamentos fundamentais sobre o comportamento primata, sugerindo que certas variáveis em cativeiro afetam a dinâmica dos grupos. Os fatores analisados de forma comparativa na pesquisa incluíram:

  • Taxas gerais de agressões corporais e intimidações diárias;
  • Diferenças de comportamento hostil entre os sexos biológicos;
  • Níveis de agressão de contato mais severo, como mordidas e lutas diretas;
  • Variações nos níveis de hostilidade entre diferentes grupos alojados nos 16 zoológicos.

Quais são as limitações apontadas sobre a pesquisa científica?

Apesar das novas evidências, especialistas independentes recomendam cautela na interpretação definitiva dos dados sobre o comportamento animal. O professor emérito da Universidade de Kyoto, Takeshi Furuichi, autor de estudos comparativos anteriores sobre agressividade em primatas selvagens, avaliou o impacto do novo levantamento, reconhecendo que a análise entrega parâmetros valiosos sob condições controladas em instalações europeias.

Furuichi, no entanto, ponderou as limitações do escopo da pesquisa atual, ressaltando o comportamento na natureza. Segundo o acadêmico japonês:

“O presente estudo limita-se ao comportamento dentro de grupos únicos em zoológicos. Uma base fundamental para a visão de que os chimpanzés são mais agressivos que os bonobos reside na agressão masculina entre grupos, que é frequentemente observada em chimpanzés e às vezes pode ser letal.”

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