Entre os dias 16 e 19 de abril de 2026, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Lago de Tucuruí, localizada no sudeste paraense, foi palco de uma mobilização ambiental que resultou na soltura de aproximadamente sete mil filhotes de quelônios. A ação ocorreu em diversas comunidades ribeirinhas nos municípios de Nova Ipixuna e Itupiranga, integrando a denominada “Jornada Ecopedagógica de Soltura de Filhotes de Quelônios da Amazônia”. O objetivo central da iniciativa é promover a conservação da fauna local e a educação ambiental, envolvendo diretamente a população ribeirinha, estudantes e especialistas em biodiversidade.
De acordo com informações da Agência Pará, as atividades foram coordenadas pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) em conjunto com a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). O projeto foca no manejo e na preservação de duas espécies emblemáticas da região: a tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) e o tracajá (Podocnemis unifilis), que sofrem constantes ameaças devido à exploração predatória e à degradação de seus habitats naturais no Rio Tocantins.
Quais comunidades participaram da soltura dos quelônios?
A programação foi estruturada de forma itinerante para abranger diferentes pontos estratégicos da unidade de conservação. A primeira etapa do processo de devolução dos animais à natureza ocorreu na comunidade Pimenteira. Na sequência, as equipes técnicas e os moradores locais realizaram solturas nas localidades de Santo Antonino, Tauiry e Praia Alta Piranheira. Em cada uma dessas paradas, o envolvimento comunitário foi o pilar para garantir que os filhotes chegassem com segurança aos corpos d’água.
As escolas dessas localidades serviram como centros de apoio logístico e pedagógico. Estudantes participaram ativamente das solturas, recebendo orientações sobre o ciclo de vida dos quelônios e a importância de manter o equilíbrio ecológico dos rios. Essa metodologia prática visa formar novos multiplicadores de consciência ambiental nas gerações mais jovens que habitam o entorno da barragem de Tucuruí.
Como funciona a parceria entre o Ideflor-Bio e a Unifesspa?
O Projeto Quelônios do Sudeste do Pará é uma iniciativa consolidada, desenvolvida desde 2016. Ao longo de quase uma década de atuação, o esforço conjunto entre o poder público e a academia já permitiu a devolução de mais de 200 mil filhotes ao ecossistema amazônico. A Unifesspa, por meio do Núcleo de Educação Ambiental (Neam), fornece o suporte científico e técnico, enquanto o Ideflor-Bio, gestor da APA, garante a infraestrutura necessária para as operações em campo.
Desde o ano de 2023, o suporte logístico foi intensificado pela Gerência da Região Administrativa do Mosaico Lago de Tucuruí. Esse apoio inclui o fornecimento de embarcações, combustível e a presença constante de estagiários e técnicos da autarquia estadual. Segundo a gerente regional Keylah Borges, a integração é o que garante resultados práticos para a biodiversidade local.
O apoio ao projeto demonstra que, com integração e responsabilidade compartilhada, é possível promover resultados concretos na preservação da biodiversidade e no envolvimento das comunidades.
Qual é o impacto da soltura para a biodiversidade da região?
A devolução de sete mil exemplares à natureza é um passo significativo para mitigar os efeitos da pressão antropizada na região do Rio Tocantins. A caça ilegal e a destruição de praias de desova são os principais fatores que colocam essas espécies em risco. Através do manejo controlado, os filhotes são protegidos durante suas fases mais vulneráveis, aumentando drasticamente as taxas de sobrevivência em comparação com o processo natural sem intervenção humana.
Para a coordenadora-adjunta do Projeto Neam-Unifesspa, Cristiane Vieira da Cunha, o ato de soltura transcende a ciência aplicada. Ela destaca que o trabalho de campo cria uma barreira social contra a degradação:
Não apenas a continuidade de um trabalho científico, mas também o fortalecimento de uma rede de proteção. Cada quelônio devolvido ao rio simboliza um avanço na conservação dessas espécies e na conscientização ambiental das novas gerações.
Em resumo, as ações realizadas em Itupiranga e Nova Ipixuna reafirmam a necessidade de políticas públicas participativas. Ao envolver as secretarias municipais de Meio Ambiente e os moradores ribeirinhos, o projeto assegura que a preservação da tartaruga-da-Amazônia e do tracajá seja uma responsabilidade dividida por toda a sociedade, garantindo a sustentabilidade dos recursos naturais para o futuro do Pará.