Setores do agronegócio brasileiro estão otimistas após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que encerrou o tarifaço sobre produtos brasileiros. De acordo com informações do G1 Economia, a medida, que vigorava desde o ano passado, impunha sobretaxas de até 50% sobre produtos como café solúvel, mel, frutas e pescados.
Como os setores estão se preparando?
O setor de mel, representado pela Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), vê a decisão como uma oportunidade de retomar contratos com os Estados Unidos. “O mel que o Brasil vende para os EUA é o orgânico. Não tem concorrente no mundo que consegue fornecer na escala que a gente fornece. Então, com a tarifa igualada para todos [países], ficamos em vantagem”, afirmou Renato Azevedo, presidente da Abemel.
O setor de pescados também está otimista. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) prevê a recuperação de mais de cinco mil postos de trabalho e uma retomada das exportações, que podem alcançar cerca de US$ 600 milhões. “A expectativa da entidade é que a normalização parcial das condições comerciais permita a retomada do crescimento já ao longo de 2026”, destacou a Abipesca.
Qual o impacto para o café solúvel?
Para a indústria de café solúvel, a decisão representa um “alívio” após meses de perdas. “Os Estados Unidos são o maior comprador do café solúvel brasileiro há mais de 60 anos. […] Nesse período de agosto a janeiro do tarifaço, o volume das exportações caiu 50% e as perdas aumentavam a cada mês”, explicou Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Abics.
Quais são as expectativas para o setor de frutas?
O setor de frutas, especialmente a uva, também espera por melhorias. Apesar de ainda não haver notícias concretas sobre a retomada de contratos, a redução da tarifa de 50% para 15% traz esperança. “Tanto os produtores do Vale do São Francisco quanto os distribuidores e parceiros americanos estão aguardando a situação se definir melhor antes de retomar as conversas e contratos”, afirmou Eduardo Brandão, diretor-executivo.
Fonte original: G1 Economia