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Segurança energética da Europa ganha urgência com nova crise e foco em renováveis

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A nova crise energética desencadeada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã recolocou a segurança energética no centro do debate europeu e reforçou, segundo o texto original, a aposta da União Europeia em fontes renováveis. O artigo aponta que, em março, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou no Parlamento Europeu que dez dias de guerra no Irã já haviam custado 3 bilhões de euros adicionais aos contribuintes europeus em importações de combustíveis fósseis. De acordo com informações da Earth.Org, o episódio é tratado como a segunda crise energética da Europa em cinco anos, após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

O texto sustenta que a dependência estrutural da Europa de importações de energia continua sendo um ponto vulnerável em cenários de tensão geopolítica. Segundo a publicação, em 2025 a União Europeia gastou quase 400 bilhões de euros com importações de combustíveis fósseis, enquanto investiu cerca de 330 bilhões de euros em energia limpa. Após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, o país teria bloqueado de forma efetiva o tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo, elevando os preços do barril para acima de US$ 100 e pressionando também derivados como diesel, querosene de aviação e gás liquefeito de petróleo.

Por que a nova crise reforça a defesa das renováveis na Europa?

De acordo com o artigo, a transição energética passou a ser apresentada no continente não apenas como meta climática, mas como estratégia de segurança. A lógica é reduzir a exposição a importações, estabilizar preços e ampliar a independência estratégica dos países europeus.

Um estudo citado da SolarPower Europe afirma que, nas semanas seguintes ao início da guerra, a frota solar europeia entregou 19,9 terawatts-hora de eletricidade. Isso teria gerado uma economia superior a 110 milhões de euros por dia em custos evitados com importação de gás. Ainda segundo o mesmo relatório mencionado no texto, as economias atribuídas à energia solar teriam alcançado 3,77 bilhões de euros no último mês e poderiam chegar a 67,5 bilhões de euros até o fim do ano, caso os preços do gás continuem subindo.

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Como a União Europeia respondeu à crise após a invasão da Ucrânia?

Após a invasão russa da Ucrânia em 2022, a Comissão Europeia lançou o plano REPowerEU, com o objetivo de reduzir a dependência de combustíveis fósseis russos, elevar as metas de energia renovável e encurtar prazos de licenciamento. O texto relaciona essa estratégia às ambições do European Green Deal, roteiro da União Europeia para alcançar neutralidade climática até 2050.

Segundo os dados citados no artigo, os resultados começaram a aparecer nos anos seguintes. Em 2024, as importações de gás russo teriam caído para 52 bilhões de metros cúbicos, ante 150 bilhões em 2021. No mesmo período, a geração eólica e solar teria superado a geração a gás no bloco, enquanto a capacidade solar atingiu recorde pelo segundo ano consecutivo em 2024. Ainda assim, o processo estaria incompleto: até o fim de 2025, ao menos oito países da União Europeia ainda importavam gás russo em diferentes volumes.

Quais investimentos são apontados como prioritários para ampliar a resiliência?

O artigo afirma que a Estratégia de Investimento em Energia Limpa da Europa, adotada no mês passado, estima que o investimento anual no setor energético precisará quase triplicar até 2030. A média histórica entre 2011 e 2021 teria sido de cerca de 240 bilhões de euros por ano, enquanto a necessidade projetada agora é de aproximadamente 660 bilhões de euros anuais.

Três áreas tecnológicas são descritas como centrais nessa expansão:

  • eletrificação;
  • armazenamento;
  • energia geotérmica.

Na eletrificação, o texto destaca aquecimento e refrigeração, que responderiam por cerca de metade do consumo total de energia da União Europeia, ainda com aproximadamente 70% desse uso abastecido por combustíveis fósseis, principalmente gás. A Comissão Europeia, segundo a publicação, prepara um Plano de Ação para Eletrificação e iniciativas relacionadas que tratam bombas de calor e eletrificação direta como soluções prioritárias para edifícios. Mais de 24 milhões de bombas de calor já estariam instaladas na Europa, com meta de cerca de 60 milhões até 2030.

No armazenamento e nas redes elétricas, a avaliação é de que o avanço das renováveis exige infraestrutura complementar. O texto informa que as instalações de baterias em escala de rede cresceram cerca de 45% em 2025 e que a capacidade total ficou aproximadamente dez vezes maior desde 2021. Ao mesmo tempo, cerca de 40% das linhas de transmissão e distribuição europeias têm mais de 40 anos e foram projetadas para grandes usinas fósseis, não para um sistema com milhões de telhados solares e baterias distribuídas.

Qual papel a energia geotérmica pode desempenhar nesse cenário?

A energia geotérmica é apresentada como uma tecnologia ainda pouco discutida, mas com potencial relevante para a resiliência do sistema europeu. Uma análise da Ember, citada no artigo, concluiu que sistemas geotérmicos avançados poderiam substituir tecnicamente até 42% da geração elétrica movida a carvão e gás na União Europeia, com custos comparáveis aos dessas fontes.

Diferentemente da solar e da eólica, a geotermia pode operar 24 horas por dia, independentemente do clima, e também fornecer calor industrial. O texto menciona ainda estimativas do European Geothermal Energy Council segundo as quais a Europa teria potencial de cerca de 50 gigawatts em energia geotérmica, suficiente para abastecer aproximadamente 30 milhões de residências. Em janeiro, mais de 20 organizações do setor, consumidores de energia, instituições de pesquisa e agências públicas assinaram uma carta conjunta à Comissão Europeia pedindo uma estratégia continental para a fonte.

Na conclusão, o artigo observa que, embora o conflito no Oriente Médio tenha acelerado o movimento em favor das renováveis, isso não representa garantia automática de solução. Ainda assim, o quadro descrito pela publicação sugere que, diante de choques sucessivos no mercado de combustíveis fósseis, a União Europeia passou a associar de forma mais direta a expansão da energia limpa à sua segurança econômica e estratégica.

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