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Saúde Humana e Rios: Projeto em MG revitaliza ecossistema do Rio das Velhas

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O Projeto Manuelzão, idealizado pelo médico sanitarista Apolo Heringer, tem atuado por quase 30 anos na revitalização da Bacia do Rio das Velhas, em Minas Gerais, com a premissa de que um rio limpo é essencial para a saúde humana. O foco principal é a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), considerada a maior fonte de degradação da bacia, onde a iniciativa tem ampliado o tratamento de esgoto e promovido o retorno de espécies de peixes como o dourado. De acordo com informações do Mongabay Brasil, o projeto agora busca restaurar o trecho mais crítico da bacia até 2034, visando a pesca, natação e navegação, além da redução da disseminação de doenças.

A história do projeto remonta a uma pescaria noturna há cerca de 30 anos, quando Heringer testemunhou a abundância de peixes em um rio limpo, o que o inspirou a conectar a saúde dos ecossistemas à saúde humana. Além de médico, Heringer é escritor e professor, tendo lecionado na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) por 33 anos, onde idealizou o Projeto Manuelzão, que foi oficialmente fundado em 1997 como um projeto de extensão universitária da UFMG.

O nome do projeto é uma homenagem ao personagem do livro “Manuelzão e Miguilim”, de João Guimarães Rosa, inspirado em um vaqueiro que guiou o escritor pelo sertão mineiro. O Projeto Manuelzão opera sob o conceito de saúde coletiva, reconhecendo a interdependência entre a saúde humana e a saúde dos ecossistemas. Para Heringer, a saúde é um produto do equilíbrio dos ecossistemas, e a assistência médica é apenas um serviço.

Como o Projeto Manuelzão atua na prática?

O Projeto Manuelzão atua na Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas por meio de núcleos de trabalho que envolvem a sociedade civil, autoridades públicas e o setor privado em atividades de educação ambiental e mobilização social. O NuVelhas, Núcleo Transdisciplinar e Transinstitucional pela Revitalização da Bacia do Rio das Velhas, realiza pesquisas, monitora a fauna e promove iniciativas de ciência cidadã.

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O projeto também influencia as políticas públicas de Minas Gerais, com o lançamento da Meta 2034, que visa restaurar a saúde do rio nos próximos oito anos, expandindo o sucesso parcial alcançado em 2010 com a Meta 2010. O Rio das Velhas nasce perto de Ouro Preto e percorre 806 quilômetros até desaguar no Rio São Francisco, banhando 51 municípios e impactando a vida de mais de quatro milhões de pessoas. A Região Metropolitana de Belo Horizonte, apesar de ocupar apenas 10% da área da bacia, concentra mais de 70% de sua população.

Quais são os principais desafios enfrentados pelo projeto?

A alta densidade populacional, o planejamento urbano inadequado e a falta de infraestrutura na RMBH têm causado danos significativos aos rios da região, especialmente ao Ribeirão Arrudas, afluente do Rio das Velhas. Atualmente, a navegação, a pesca e o lazer nas águas do Ribeirão Arrudas são inviáveis. Essa situação motivou o Projeto Manuelzão a focar a Meta 2034 na RMBH, reconhecendo a interconexão de uma bacia hidrográfica.

Marcus Polignano, médico sanitarista, professor da UFMG e coordenador do Projeto Manuelzão, explicou que a RMBH concentra cerca de 80% da degradação do rio, tornando-se um ponto crucial para revitalização. A poluição das águas na RMBH é a principal causa de degradação em toda a bacia hidrográfica, afetando a saúde de peixes, anfíbios, aves e da população local. Uma das atividades do projeto é o monitoramento constante da qualidade da água e dos ecossistemas para garantir a eficácia das ações de revitalização.

Quais são os próximos passos e expectativas para o futuro do projeto?

O foco contínuo do Projeto Manuelzão é a implementação da Meta 2034, com o objetivo de revitalizar completamente a Bacia do Rio das Velhas, permitindo que a população possa usufruir de suas águas de forma segura e sustentável. A iniciativa busca fortalecer a conscientização ambiental e a participação da comunidade nas ações de preservação, visando garantir a saúde do ecossistema e, consequentemente, a saúde humana. A expectativa é que, até 2034, o Rio das Velhas possa ser um exemplo de recuperação ambiental e desenvolvimento sustentável na região.

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