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Samsung e Orange demonstram cautela sobre investimentos na tecnologia 6G

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O cenário para a futura tecnologia de conectividade móvel, conhecida como **6G**, recebeu novos sinais de desânimo por parte de gigantes do setor. De acordo com informações da Light Reading, executivos de alto escalão da **Samsung Networks** e da operadora **Orange** expressaram ceticismo quanto ao impacto econômico e à necessidade técnica de uma nova mudança de geração tecnológica no curto prazo. O posicionamento ocorre enquanto o mercado global ainda tenta justificar os vultosos gastos realizados na infraestrutura do 5G.

O presidente da Samsung Networks, Woojune Kim, destacou que não antecipa um aumento significativo ou um salto de investimentos voltados especificamente para o 6G. Para a fabricante sul-coreana, a transição para a próxima rede pode não seguir o mesmo padrão de euforia financeira visto em ciclos anteriores. Essa visão é compartilhada por operadoras que enfrentam pressões de custos e buscam maior eficiência nos equipamentos já instalados em suas bases de operação.

Quais são as principais críticas ao modelo de gerações?

Na operadora Orange, o diretor de tecnologia, Bruno Zerbib, tem sido um crítico vocal do que chama de paradigma das gerações. Segundo o executivo, a indústria de telecomunicações se tornou refém de um ciclo de atualizações de hardware que nem sempre se traduz em novos serviços para o consumidor final ou em aumento de receita para as empresas. A crítica central reside na ideia de que mudar do 5G para o 6G apenas por uma convenção de nomenclatura pode ser um erro estratégico para o setor.

O chefe da Samsung Networks não espera nenhum salto de investimento em 6G, enquanto o CTO da Orange continua a criticar o paradigma do G.

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Zerbib argumenta que o foco deveria estar na evolução contínua da rede e na virtualização de funções, em vez de marcos rígidos de dez anos que forçam a substituição de componentes físicos. Para ele, a infraestrutura deve se tornar mais flexível e baseada em software, permitindo melhorias constantes sem a necessidade de uma revolução rotulada como uma nova geração a cada década.

Como a rentabilidade do 5G afeta o futuro do 6G?

A hesitação demonstrada pela **Samsung** e pela **Orange** reflete uma realidade amarga para muitas empresas: o 5G ainda não entregou o retorno financeiro prometido originalmente em diversos mercados. Embora a tecnologia ofereça velocidades maiores e menor latência, a criação de novos modelos de negócios que utilizem essas capacidades de forma massiva tem sido lenta. Diante desse quadro, os investidores estão cautelosos em liberar recursos para uma tecnologia cujos casos de uso ainda são considerados nebulosos.

Para o setor, os principais desafios incluem:

  • Falta de aplicações exclusivas que justifiquem a migração em massa;
  • Custos elevados de energia para manter as novas estações rádio-base;
  • Necessidade de maior densidade de antenas para as frequências mais altas do 6G;
  • Pressão por redução de preços nos planos de dados oferecidos aos consumidores.

Neste contexto, o discurso das empresas tem se voltado para a sustentabilidade financeira e operacional. A ideia de que o 6G será uma atualização predominantemente de software ganha força, o que poderia reduzir a necessidade de troca de antenas físicas em larga escala. Contudo, essa mudança de abordagem representa um desafio direto para as fabricantes de hardware, que dependem dessas renovações de ciclo para manter suas margens de lucro.

O que esperar dos próximos passos da tecnologia móvel?

Mesmo com o tom mais sóbrio adotado por Samsung e Orange, as pesquisas em torno do 6G continuam em laboratórios e fóruns de padronização internacional. A expectativa é que as primeiras especificações oficiais comecem a ser definidas até o final desta década. Entretanto, a indústria parece concordar que o lançamento comercial não deve ser forçado antes que os benefícios reais para a economia digital estejam claros e comprovados.

A postura atual sugere um amadurecimento do mercado, onde a inovação técnica precisa estar estritamente alinhada à viabilidade comercial. Em vez de uma corrida tecnológica desenfreada, o que se observa agora é um esforço para otimizar os recursos atuais antes de dar o próximo grande passo rumo à conectividade total prometida para a década de 2030.

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