
O governo federal anunciou nesta terça-feira, 31 de março de 2026, em São Paulo, a ampliação da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), programa que oferece suporte técnico e financeiro a iniciativas voltadas à preparação de estudantes de menor renda para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo o Ministério da Educação, o número de projetos apoiados passará de 384, no ano passado, para 1,2 mil neste ano. De acordo com informações da Agência Brasil, o anúncio foi feito durante o evento Universidade com a Cara do Povo Brasileiro, no Sambódromo do Anhembi, na capital paulista.
De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, o investimento no programa subirá de R$ 74,4 milhões, em 2025, para R$ 290 milhões, em 2026. A informação foi apresentada no mesmo evento que reuniu autoridades federais e celebrou marcos de políticas de acesso ao ensino superior, como os 21 anos do Programa Universidade para Todos (Prouni), os 14 anos da implementação da Lei de Cotas Raciais na rede federal e os dez anos da formatura da primeira turma de cotistas.
O que muda na Rede Nacional de Cursinhos Populares?
A principal mudança anunciada é a expansão do alcance da rede de cursinhos apoiados pelo governo federal. A proposta, segundo o ministério, é ampliar o apoio a projetos que atendem estudantes de baixa renda em preparação para o Enem, principal porta de entrada para programas federais de acesso ao ensino superior, como Sisu, Prouni e Fies.
- Projetos apoiados: de 384 para 1,2 mil
- Investimento previsto: de R$ 74,4 milhões para R$ 290 milhões
- Foco do programa: estudantes de menor renda que se preparam para o Enem
O anúncio ocorreu em um contexto mais amplo de valorização de políticas públicas de inclusão educacional. No ato, também estiveram presentes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. Segundo os organizadores, o evento reuniu cerca de 15 mil pessoas, entre estudantes cotistas, alunos de cursinhos populares, jovens e representantes de movimentos sociais.
Quais outros programas foram anunciados no evento?
Durante a cerimônia, o governo federal também anunciou a criação da Escola Nacional de Hip-Hop (H2E), iniciativa do Ministério da Educação que pretende integrar a cultura hip-hop ao ambiente escolar. O investimento previsto para o programa é de R$ 50 milhões nos anos de 2026 e 2027.
A portaria que institui a iniciativa foi assinada pelo presidente Lula e pelo ministro Camilo Santana. Ao defender o programa, o ministro afirmou:
“Por meio da cultura, nós vamos fortalecer o engajamento juvenil, contribuindo, inclusive, para a Lei 10.639, que foi criada pelo presidente Lula”
O evento também destacou dados apresentados pelo Ministério da Educação sobre o Prouni e a política de cotas. Segundo a pasta, em 2026 o Prouni registrou recorde de 594,5 mil bolsas em universidades particulares oferecidas no primeiro semestre, com mais de 65% dos bolsistas autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. Nos últimos quatro anos, de 2023 a 2026, o programa criou 2,3 milhões de bolsas.
O que Lula disse sobre educação e institutos federais?
Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país precisa ampliar os investimentos em educação para acelerar o desenvolvimento. Segundo ele, até o fim do ano o governo pretende elevar de 140 para 800 o número de Institutos Federais de Educação.
“Educação tem que entrar na rubrica de investimento, porque é o investimento mais extraordinário que você faz no país. É quando você prepara o povo daquele país para se formar, para ter conhecimento. E, como não existe, na história da humanidade, nenhum país que evoluiu sem antes investir na educação, nós estamos com quase 400 anos de atraso”
Lula também ressaltou a importância de políticas como o Prouni e a Lei de Cotas e afirmou que o diploma tem peso especial na autonomia das mulheres.
“Para os homens, a profissão é importante, mas, para a mulher, a profissão é sagrada. Não é só dinheiro, é independência. É conquistar o direito de andar de cabeça erguida”
“Quando a mulher tem uma profissão, ela não precisa morar com o homem a troco do prato de comida. Se ele encher o saco, ela fala: a porta está aberta. Vai para onde você quiser, que eu vou cuidar da minha vida”
Sobre a Lei de Cotas, o Ministério da Educação informou que a política, implementada em 2012, resultou em cerca de dois milhões de cotistas matriculados em universidades públicas e privadas nos últimos 14 anos. Desse total, foram 790 mil cotistas pelo Sisu, 1,1 milhão pelo Prouni e 29,6 mil pelo Fies. Já a Nova Lei de Cotas, de 2023, incluiu estudantes quilombolas entre os beneficiados. De 2024 a 2026, 95 mil cotistas ingressaram no ensino superior, segundo a pasta.