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Produção de biodiesel no Brasil pode aumentar 36% com novas autorizações

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A capacidade produtiva de biocombustíveis no território nacional deve registrar uma expansão significativa nos próximos anos, com potencial para atingir até 15,5 milhões de metros cúbicos anuais. Esse volume representa um acréscimo de 36% em relação à fabricação atual. O crescimento projetado será impulsionado por investimentos bilionários da iniciativa privada e pela forte atuação do agronegócio, especialmente no cultivo de grãos. O fortalecimento estrutural ocorre em meio a um forte movimento de transição energética, onde o campo brasileiro se consolida como protagonista no fornecimento de matéria-prima. De acordo com informações do Valor Empresas, os dados são monitorados e autorizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A soja continua sendo a espinha dorsal incontestável dessa matriz energética nacional. Apenas no ano passado, a oleaginosa foi responsável por 73,3% dos nove bilhões e 800 milhões de litros de combustível renovável produzidos no país. A engrenagem desse sistema produtivo envolve desde agricultores focados em alta produtividade, como Amauri Weber no interior do Paraná, até grandes cooperativas agroindustriais como a C. Vale, responsável por processar milhares de toneladas do grão para extrair o óleo degomado, insumo primário essencial para o setor industrial.

Qual é o papel da iniciativa privada na expansão do biodiesel?

As grandes corporações do setor privado estão injetando recursos massivos para transformar plantas industriais tradicionais em amplos complexos de agroenergia. O Grupo Potencial, por exemplo, confirmou um aporte financeiro de R$ 6 bilhões até o ano de 2030 para a sua instalação localizada no município da Lapa, na região metropolitana de Curitiba. A expectativa da companhia é que apenas o grão de soja seja capaz de gerar um bilhão e 700 milhões de litros do combustível ecológico, além de 500 milhões de litros de óleo degomado anualmente.

Para os pesquisadores e cientistas do setor agrícola, a hegemonia da oleaginosa no mercado de combustíveis é dificilmente contestável nos dias de hoje. A expertise acumulada em mais de cinco décadas de pesquisa agrícola confere uma vantagem incomparável ao cultivo nacional.

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Não há nada que possa suplantar o protagonismo da soja em relação à produção de biodiesel

, afirma César de Castro, especialista vinculado à Embrapa Soja. Ele esclarece que o foco primário e comercial da cultura segue sendo a alimentação animal por meio da geração de farelo, tornando a extração do óleo para finalidades energéticas uma espécie de bônus altamente lucrativo.

Existem outras matérias-primas sendo testadas para a transição energética?

Apesar da liderança absoluta da soja, que chegou a ocupar 48,4 milhões de hectares do solo brasileiro na última safra, os especialistas do setor defendem a importância estratégica da diversificação de fontes. Bruno Laviola, executivo da área de pesquisa da Embrapa Agroenergia, aponta que existem alternativas altamente promissoras atualmente em fase de aperfeiçoamento laboratorial e no campo:

  • Canola: apresenta um expressivo índice de óleo variando entre 38% e 42% (contra os 18% a 22% verificados na soja), configurando-se como uma opção ideal para a segunda safra agrícola.
  • Macaúba: palmeira de origem nativa brasileira que pode alcançar impressionantes 60% de óleo em seus frutos, possuindo um enorme potencial de aproveitamento, sobretudo em regiões e terrenos onde a mecanização tratorizada não é viável.
  • Gordura animal: os resíduos de bovinos e suínos já representam a segunda maior origem do combustível renovável no país (com 8,3% de fatia de mercado), tendo gerado 827,5 milhões de litros ao longo de 2025, oferecendo custos operacionais atrativos e uma baixíssima pegada de carbono.

Como o etanol de milho altera o mercado de combustíveis?

Enquanto o biodiesel ganhou escala industrial a partir de 2007, o etanol possui um consolidado histórico de cinco décadas de operação no Brasil e segue apresentando franca expansão estrutural. Nos últimos dez anos, o volume fabricado cresceu 20%, aproximando-se da marca de 36 milhões de metros cúbicos em 2025. O cenário projetado para o ano de 2026 prevê a entrada oficial em operação de 45 grandes projetos, envolvendo novas usinas ou ampliações. Embora a cana-de-açúcar mantenha a posição de fonte tradicional mais conhecida, o milho tem ganhado um espaço produtivo substancial, contribuindo com quase 30% de todo o biocombustível fabricado.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, destaca que a industrialização focada no cereal é um movimento comercial consolidado e financeiramente irreversível, agregando um alto valor de mercado ao grão cru. A empresa internacional Inpasa, com sua forte atuação concentrada no Centro-Oeste brasileiro, é reconhecida como uma das grandes líderes desse segmento específico. Além de utilizar o milho em larga escala, a indústria começou a processar o sorgo granífero, insumo que já representa 5% de sua matriz de produção energética nas unidades situadas na Bahia e em Mato Grosso do Sul.

O sorgo é mais uma demonstração do gigantesco potencial agrícola brasileiro

, relata Gustavo Mariano, vice-presidente de operações de negociação e comércio da Inpasa. De acordo com levantamentos e dados técnicos oriundos da pesquisa agropecuária nacional, apenas uma tonelada de sorgo consegue gerar até 410 litros de etanol. Esse índice de rendimento é considerado muito próximo aos 440 litros habitualmente obtidos no processamento do milho, com o bônus de oferecer inegáveis vantagens agronômicas em relação à adaptação a climas de chuvas irregulares e solos de característica arenosa.

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