Em artigo de opinião publicado em 19 de abril de 2026, o indígena Luan de Castro Tremembé afirma que os povos indígenas do Nordeste oferecem ensinamentos sobre vida, cuidado, escuta e esperança a partir de sua relação com os territórios e com a Caatinga. O texto foi divulgado pela Eco Nordeste e defende que, além das notícias sobre violência e ameaças, é preciso reconhecer formas de existência, educação e coletividade que seguem vivas na região. De acordo com informações da Eco Nordeste, o Nordeste reúne mais de 528 mil indígenas, segundo dados do Censo 2022 do IBGE.
O autor sustenta que a presença indígena na região ainda é pouco reconhecida e costuma aparecer no noticiário associada principalmente à dor. Para ele, essa abordagem deixa em segundo plano a esperança construída dentro dos territórios, assim como os saberes que orientam modos de viver, cuidar e projetar o futuro.
O que o artigo destaca sobre os povos indígenas do Nordeste?
Segundo o texto, o Brasil tem cerca de 1,7 milhão de indígenas, e o Nordeste concentra mais de 528 mil pessoas, configurando-se como uma das regiões com maior presença indígena no país. O artigo afirma que são centenas de povos, histórias e formas de existir que permanecem vivas apesar de séculos de apagamento.
Nessa perspectiva, o autor argumenta que a experiência indígena no Nordeste não deve ser observada apenas pelo prisma do conflito. Ele propõe ampliar o olhar para elementos como permanência no território, transmissão de saberes, trabalho comunitário e construção cotidiana da esperança.
Como a Caatinga aparece nessa reflexão?
O artigo diz que a Caatinga foi reduzida, por muito tempo, à ideia de seca, escassez e pobreza. Para Luan de Castro Tremembé, essa leitura apaga tanto a potência do bioma quanto os povos que o habitam. Em contraponto, ele descreve a Caatinga como um território rico em biodiversidade, cultura, saberes e formas de escutar o mundo.
No texto, essa escuta ampliada inclui não apenas os seres humanos, mas também animais, insetos, águas, céu e plantas. A jornalista indígena catingueira Raquel Kariri é citada como referência para essa compreensão de que os chamados não humanos também têm voz. A partir dessa visão, o artigo apresenta uma relação que não separa humanidade e natureza nem coloca o ser humano acima de tudo.
Qual é o papel da educação indígena nesse processo?
O autor atribui à educação indígena um papel central na formação de sujeitos capazes de compreender o mundo por meio dessas relações com a terra, com a coletividade e com os ciclos da vida. O texto afirma que essa educação não se limita ao acesso à escola, mas envolve valores e práticas que orientam a convivência e o futuro.
Entre os pontos ressaltados no artigo, estão:
- valorização do vínculo com o território;
- fortalecimento da cultura alimentar;
- manutenção de práticas de medicina tradicional;
- incentivo ao trabalho comunitário;
- reconhecimento da permanência no território como projeto de futuro.
O texto também afirma que essa formação amplia possibilidades. Segundo o autor, ela permite ocupar novos espaços quando isso é desejado, sem desvalorizar a continuidade dos modos de vida indígenas.
Por que o artigo relaciona esperança, ritual e futuro?
Na parte final, o texto chama atenção para a invisibilidade da Caatinga em parte do debate ambiental brasileiro, frequentemente mais concentrado na Amazônia. Ainda assim, sustenta que o bioma segue pulsando por meio dos povos que o habitam e por formas de imaginar o mundo baseadas na coletividade, no cuidado e na partilha.
O artigo menciona ainda o Toré e, no caso do povo Tremembé, o torém, como expressões rituais que materializam essa visão. Ao descrever o círculo do ritual, o autor associa a prática à ideia de igualdade entre os participantes, com vozes e corpos reunidos em um mesmo movimento.
Ao concluir, Luan de Castro Tremembé defende que abril deve ser um período de aprendizado e escuta, e não apenas de celebração ou lamento. Para ele, a esperança dos povos indígenas não aparece como promessa abstrata, mas como prática cotidiana enraizada nos territórios indígenas do Nordeste.