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Poluição por amônia atinge pico em áreas de fazendas intensivas no Reino Unido

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Um novo mapeamento revelou que áreas com alta concentração de fazendas intensivas de suínos e aves no Reino Unido, especificamente nas regiões de Lincolnshire, Herefordshire e Norfolk, tornaram-se os principais focos de poluição por amônia do país. O levantamento, divulgado na quinta-feira, aponta que a emissão desenfreada do gás nocivo está diretamente ligada ao modelo industrial de criação de animais, gerando riscos graves para a saúde pública e para os ecossistemas locais.

De acordo com informações do Guardian Environment, a pesquisa foi conduzida de forma conjunta pelas organizações Compassion in World Farming (CiWF) e Sustain. O estudo surge em um momento de tensão política, no qual o governo britânico tenta flexibilizar as regras de planejamento urbano para facilitar a construção de novas instalações de pecuária intensiva, ignorando a oposição de comunidades locais e as crescentes preocupações com a qualidade da água e do ar.

Por que a amônia da pecuária é perigosa para a saúde?

As emissões de amônia representam um perigo silencioso e letal para a saúde humana e para o meio ambiente. No território britânico, o setor agrícola é responsável por 89% das emissões nacionais desse gás à base de nitrogênio, que é amplamente proveniente do esterco animal e do uso excessivo de fertilizantes.

Quando liberada na atmosfera, a amônia reage com outros elementos e forma material particulado fino, conhecido como PM2.5. Esta é considerada uma das formas mais agressivas de poluição atmosférica. Dados do Comitê sobre os Efeitos Médicos dos Poluentes do Ar estimam que a exposição ao PM2.5 de origem humana causou entre 28.861 e 29 mil mortes prematuras no país apenas no ano de 2010.

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“Como clínico geral, vejo em primeira mão o preço que a poluição do ar cobra da saúde das pessoas — e a amônia proveniente da agricultura intensiva é uma parte importante, embora muitas vezes negligenciada, desse problema”

, afirmou o médico Amir Khan. O patrono da CiWF explicou que a exposição a essas partículas impulsiona doenças cardíacas, derrames, asma e condições pulmonares crônicas, atingindo principalmente os pacientes mais vulneráveis.

Quais são os impactos ambientais documentados no Reino Unido?

Além dos danos pulmonares e cardiovasculares, o excesso de nitrogênio gerado pela deposição de amônia causa a acidificação dos solos e a contaminação profunda dos rios. O aumento de grandes unidades avícolas industriais nos vales dos rios Wye e Severn tornou-se uma causa central de degradação aquática em território britânico.

Os impactos ambientais severos ocorrem por diversos fatores ligados à gestão dos dejetos da produção avícola em larga escala:

  • Os excrementos de galinhas contêm níveis de fosfatos muito superiores aos de outros animais.
  • O excesso de nutrientes causa a proliferação descontrolada de algas na água.
  • O processo de eutrofização retira o oxigênio essencial para a sobrevivência de peixes e plantas ribeirinhas.

Recentemente, no condado de Shropshire, ativistas conseguiram bloquear judicialmente a permissão para a construção de uma megafazenda avícola. Eles provaram no conselho local que o governo falhou ao não contabilizar os impactos integrados de uma unidade industrial desenhada para abrigar 230 mil frangos simultaneamente.

Como a população vizinha reage às fazendas industriais?

Para a elaboração do mapa de pontos críticos, os pesquisadores calcularam as emissões com base no número permitido de animais estocados e nos fatores médios de produção de amônia para diferentes categorias, como frangos de corte, galinhas poedeiras criadas em galpões fechados e suínos. A realidade sufocante de quem vive próximo a essas instalações reforça os dados do modelo computacional.

Michele Franks, moradora dos arredores de uma gigantesca instalação avícola em Lincolnshire, relatou aos pesquisadores que as emissões a forçam a ficar trancada dentro de casa com frequência.

“Quando os galpões de galinhas são limpos, o cheiro e o ar poluído me atingem imediatamente — meu peito aperta, meus olhos ardem e tenho que fechar todas as janelas da minha casa só para aguentar”

, disse Franks. A moradora, que sofre de asma, relatou que o ar irrespirável dura até cinco dias durante os ciclos de limpeza.

Diante do cenário de degradação, o chefe da CiWF no Reino Unido, Anthony Field, exige o fim da expansão irresponsável dessas instalações industriais pelo país.

“Ao amontoar um grande número de animais em espaços confinados e depender fortemente de fertilizantes, esses sistemas intensivos liberam muito mais amônia do que o meio ambiente ou nossos corpos conseguem suportar. O resultado é uma cascata de danos”

, concluiu Field, alertando para o limite ecológico já ultrapassado pela indústria.

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