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Poluição do ar afeta 46% das crianças nos EUA, aponta relatório anual

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Quase metade das crianças dos Estados Unidos vive em áreas com níveis perigosos de poluição do ar, segundo relatório anual divulgado na quarta-feira pela American Lung Association. O levantamento aponta que 33,5 milhões de crianças, o equivalente a 46% do total no país, moram em locais com nota reprovada em ao menos um indicador de qualidade do ar. De acordo com informações da Inside Climate News, o estudo relaciona o agravamento do problema ao calor extremo e aos incêndios florestais intensificados pelas mudanças climáticas, além de destacar desigualdades raciais na exposição à poluição.

O relatório também conclui que pessoas negras e latinas estão mais expostas às piores condições de ar. Segundo a American Lung Association, pessoas não brancas têm mais que o dobro de chance de viver em comunidades com notas reprovadas nos três indicadores analisados. Entre latinos, essa probabilidade é mais de três vezes maior que entre pessoas brancas, patamar que permaneceu inalterado em relação ao relatório anterior.

O que o relatório mostra sobre a qualidade do ar nos Estados Unidos?

O estudo anual State of the Air analisa dados de monitoramento da U.S. Environmental Protection Agency referentes a três anos, com informações até 2024. A associação afirma que, embora a qualidade do ar nos Estados Unidos tenha melhorado por décadas após a aprovação da Clean Air Act de 1970, parte desse avanço vem sendo revertida nos últimos anos.

Na edição atual, que cobre o período de 2022 a 2024, 152 milhões de pessoas, ou 44% da população dos Estados Unidos, vivem em áreas com nota reprovada em pelo menos um dos indicadores de poluição do ar avaliados. O total é cerca de quatro milhões menor que no relatório anterior, mas ainda permanece 20 milhões acima do nível registrado no relatório de 2024.

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Entre os principais dados apresentados pelo levantamento, estão:

  • 33,5 milhões de crianças vivem em áreas com níveis perigosos de poluição do ar;

  • 152 milhões de pessoas vivem em locais com reprovação em ao menos um indicador;

  • 62 milhões vivem em condados com nota reprovada para poluição por partículas de curto prazo;

  • mais de 129 milhões vivem em condados com reprovação para ozônio ao nível do solo.

Por que o ozônio ao nível do solo preocupa especialistas?

A American Lung Association avalia três medidas de poluição: ozônio ao nível do solo, conhecido como smog, e poluição por partículas em padrões diário e anual. Segundo o texto, todas são prejudiciais à saúde. O ozônio ao nível do solo se forma quando óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis reagem à luz solar.

Esse tipo de poluição dificulta a respiração e é descrito por médicos, no texto original, como uma espécie de queimadura solar nos pulmões. Veículos, usinas de energia, produção de petróleo e outras fontes industriais contribuem para a formação desse poluente. O relatório afirma ainda que calor extremo, seca e fumaça de incêndios florestais ajudam a intensificar o problema, especialmente nas regiões Sudoeste e Centro-Oeste do país.

Na edição mais recente do levantamento, a poluição por ozônio piorou pelo segundo ano seguido. Mais de 129 milhões de pessoas vivem em condados com nota reprovada nesse indicador, um aumento de quatro milhões em comparação com o relatório anterior.

Quais são os impactos à saúde e o debate político em torno do tema?

A poluição do ar é tratada no relatório como um risco sério à saúde pública. O texto cita pesquisas que associam a exposição prolongada à poluição a asma, doenças cardíacas, demência, câncer e baixo peso ao nascer. Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis porque têm pulmões menores e respiram mais rapidamente do que adultos, absorvendo proporcionalmente mais poluentes.

“Progress is fragile.”

A frase foi dita por Will Barrett, vice-presidente assistente de política nacional de ar limpo da American Lung Association, ao resumir a avaliação da entidade sobre os dados mais recentes.

“We have a lot of work left to do to make sure that every child in the United States grows up breathing healthy air.”

Segundo a reportagem, o estudo ainda não capta os efeitos de medidas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump, porque usa dados encerrados em 2024. Mesmo assim, o texto afirma que a administração federal vem revendo proteções ambientais, revertendo padrões de qualidade do ar e concedendo isenções de poluição a instalações industriais e usinas.

Em resposta por e-mail, um porta-voz da EPA declarou que a agência continua regulando a poluição do ar e que proteger a saúde humana e o meio ambiente segue como objetivo central. A agência também criticou a American Lung Association e rejeitou a avaliação de que o governo esteja deixando a poluição sem controle.

O relatório reforça que, apesar de alguma melhora em relação ao ano anterior em certos indicadores, milhões de pessoas continuam expostas a condições atmosféricas nocivas. O dado mais alarmante recai sobre as crianças, grupo que, segundo a associação, segue respirando um ar que pode comprometer o desenvolvimento e a saúde no longo prazo.

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