Um cabo da Polícia Militar do Espírito Santo (PM-ES) foi detido em flagrante na última quarta-feira (oito) sob a suspeita de ter assassinado a tiros um casal de mulheres no município de Cariacica, localizado na região da Grande Vitória. O crime ocorreu após uma discussão que envolveu a ex-esposa do agente de segurança e as duas vítimas, que eram vizinhas. O suspeito, identificado como Luiz Gustavo Xavier do Vale, teria disparado contra as mulheres enquanto elas estavam sentadas na calçada, rendendo-se logo em seguida ao colocar a arma no chão.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, as vítimas foram identificadas pelas autoridades como Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana. As idades exatas das duas mulheres, assim como a do próprio policial militar suspeito do duplo homicídio, ainda não foram divulgadas oficialmente pelos órgãos de segurança pública responsáveis pelas investigações.
Como ocorreu a dinâmica do crime envolvendo o agente de segurança?
A dinâmica do crime, segundo os relatos iniciais e as apurações da corporação, indica que o cabo não estava em patrulhamento de rotina. Ele atuava apenas como guarda de quartel e estava afastado das atividades operacionais nas ruas. Na data do fato, ele teria solicitado o apoio de uma guarnição da própria corporação para atender a uma suposta ocorrência de natureza familiar envolvendo sua ex-esposa.
Ao chegar ao local do desentendimento acompanhado pela viatura acionada, o policial teria descido do veículo oficial e, de forma repentina, efetuado os disparos contra Daniele e Francisca. Após os tiros, a guarnição que o acompanhava presenciou o momento em que ele depositou o armamento no chão e se entregou sem oferecer resistência. Ele foi imediatamente encaminhado a um presídio militar.
O comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Ríodo Rubim, manifestou-se sobre a ocorrência, classificando a atitude do subordinado como inesperada e ressaltando que o ato não reflete as diretrizes da instituição. O oficial detalhou a situação com base nas evidências preliminares:
“Não temos imagens que mostram discussão, agressão ou algo do tipo. [Das] Partes que a gente viu até o momento, seriam a realização de disparos e ele colocando a arma ao chão. A imagem é encoberta, mas é o que parece ser”
Quais serão os próximos passos na esfera judicial e administrativa?
No âmbito da Justiça comum, o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale foi autuado em flagrante pela suspeita de cometer duplo homicídio qualificado. A defesa do policial militar declarou à imprensa que, neste primeiro momento, optará por não se manifestar sobre as acusações que pesam contra seu cliente.
Internamente, a Polícia Militar informou que as punições não se limitarão à esfera criminal. A corporação capixaba detalhou as medidas disciplinares que serão tomadas, instaurando um inquérito para apurar rigorosamente as circunstâncias do episódio. Os pontos centrais da investigação administrativa incluem:
- Apurar a denúncia de abandono de posto de trabalho pelo agente.
- Investigar a utilização inadequada da viatura e o acionamento indevido de outros policiais.
- Analisar demais transgressões disciplinares cometidas durante o exercício da função pública.
Sobre o deslocamento da guarnição até o local do crime, o comandante-geral Ríodo Rubim esclareceu que os demais policiais não tinham ciência das reais intenções do suspeito. Segundo as declarações do oficial superior da corporação:
“Ele não pegou a viatura, pediu apoio. Possivelmente os colegas, na boa vontade, foram dar esse apoio, sem saber, claro, que seria esse o desfecho”
Por que o policial já estava afastado do policiamento nas ruas?
As investigações revelaram que o afastamento prévio do cabo das atividades operacionais de rua não ocorreu por acaso. O agente já enfrentava processos judiciais anteriores e responde como réu pelo homicídio de uma mulher transexual, conhecida socialmente como Lara Croft. Esse crime também foi registrado na cidade de Cariacica, no ano de 2022.
Na época da morte de Lara Croft, os policiais envolvidos na ocorrência alegaram em seus depoimentos que a vítima teria avançado contra a equipe portando uma lâmina de barbear, o que teria motivado a reação letal. No entanto, os familiares da vítima contestam veementemente a versão apresentada pelos agentes do Estado e acusam a guarnição de assassinato sem justificativa de legítima defesa.
O desenrolar desse caso anterior ganhou novos contornos em junho do ano passado, quando a Justiça aceitou formalmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual contra Luiz Gustavo do Vale. O processo segue em tramitação por homicídio qualificado. O Tribunal de Justiça informou que o prazo legal para a manifestação da defesa do réu referente a este processo específico encerrou no último dia 17 de março. O advogado do policial também optou por não emitir comentários sobre essa acusação pregressa.