As Polícias Civis do Pará e do Rio de Janeiro prenderam, nesta segunda-feira (13), uma mulher suspeita de estelionato eletrônico no bairro da Freguesia de Jacarepaguá, na capital fluminense. A ação faz parte da segunda fase da Operação Falso Lance, que investiga um esquema criminoso especializado em criar sites falsos de leilões de veículos para lesar consumidores em diversos estados. Segundo as autoridades, a detida era a titular da conta bancária que recebeu os valores desviados de uma das vítimas do golpe.
De acordo com informações da Agência Pará, os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão domiciliar foram expedidos pelo Juízo das Garantias da Região Metropolitana de Belém. A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada em Investigação de Estelionato e Outras Fraudes (DEOF), unidade vinculada à Divisão de Investigações e Operações Especiais (DIOE) da Polícia Civil do Pará, com apoio operacional de agentes do Rio de Janeiro.
Como funcionava o esquema de fraude eletrônica investigado?
As investigações apontam que a organização criminosa utilizava plataformas digitais fraudulentas que simulavam o ambiente de leilões de veículos oficiais. O objetivo era induzir os usuários ao erro, fazendo-os acreditar que estavam adquirindo automóveis por preços atrativos em um processo legítimo. O delegado Iuri Castro, responsável pelo caso, relatou que a prática configurava uma fraude eletrônica estruturada, visando a obtenção de vantagem ilícita de forma sistemática e altamente organizada.
O delegado detalhou a função da mulher detida nesta etapa da operação, ressaltando que ela desempenhava um papel central na lavagem do dinheiro obtido com os crimes.
A investigada foi apontada como a titular da conta bancária utilizada para o recebimento da quantia de R$ 60,7 mil, valor obtido da vítima mediante golpe de falso leilão eletrônico
, afirmou Castro. Além da prisão, o Judiciário determinou o sequestro de bens e valores nas contas dos investigados, limitando-se ao montante perdido pela vítima, com o intuito de recuperar o prejuízo financeiro causado.
Quais foram as etapas anteriores da Operação Falso Lance?
Esta não é a primeira movimentação da polícia contra o grupo criminoso. No dia oito de abril, a primeira fase da operação foi deflagrada com a prisão de um homem no município de Mauá, no estado de São Paulo. Ele é apontado pelas autoridades como um dos principais articuladores do esquema tecnológico que mantinha os sites falsos no ar. A ação conjunta entre as polícias de três estados diferentes demonstra a capilaridade da rede criminosa, que operava em âmbito nacional para captar vítimas por meio da internet.
Após ser capturada no Rio de Janeiro, a investigada foi encaminhada para uma unidade policial local para a realização dos procedimentos legais de praxe. Ela permanece à disposição da Justiça e aguarda os trâmites para uma possível transferência para o sistema prisional paraense. A Polícia Civil informou que as investigações continuam em curso, buscando identificar outros integrantes da associação criminosa e mapear novas vítimas que possam ter caído no golpe do falso leilão eletrônico.
Como os consumidores podem se prevenir de golpes de falsos leilões?
Para evitar cair em fraudes similares, especialistas e autoridades de segurança pública recomendam atenção redobrada aos endereços das páginas web e aos dados bancários fornecidos para pagamentos. Algumas medidas de segurança fundamentais incluem:
- Verificar se o leiloeiro está devidamente registrado na Junta Comercial do estado correspondente;
- Desconfiar de preços que estejam excessivamente abaixo do valor de mercado da Tabela Fipe;
- Nunca realizar transferências bancárias ou depósitos para contas de pessoas físicas (CPFs);
- Visitar o pátio físico do leilão, quando possível, antes de realizar qualquer oferta financeira;
- Checar a reputação do site em portais de reclamação e órgãos oficiais de defesa do consumidor.
A Polícia Civil reforça a importância de que as vítimas registrem boletins de ocorrência, o que auxilia no mapeamento das contas bancárias utilizadas pelos criminosos e na deflagração de novas fases de operações policiais como a Falso Lance.