Poços de petróleo de baixa produção no Texas ampliam disputa com proprietários - Brasileira.News
Início Energia & Clima Poços de petróleo de baixa produção no Texas ampliam disputa com proprietários

Poços de petróleo de baixa produção no Texas ampliam disputa com proprietários

0
4

Poços de petróleo de baixa produção no Texas têm gerado conflitos entre proprietários rurais, empresas operadoras e o órgão regulador estadual, em meio a denúncias de poluição, demora no fechamento de estruturas e dificuldades financeiras para desativação. O caso relatado envolve Jackie Chesnutt, dona de uma propriedade no condado de Tom Green, no oeste texano, que afirma conviver com vazamentos e equipamentos que, segundo ela, deveriam ter sido desativados anos atrás. De acordo com informações da Inside Climate News, especialistas avaliam que as regras do estado permitem adiar por tempo excessivo o tamponamento desses poços.

A reportagem, publicada em 19 de abril de 2026, descreve uma disputa entre Chesnutt e a empresa CORE Petro, responsável por cinco poços em sua fazenda. A proprietária, engenheira aposentada, sustenta que os poços estão em desacordo com as regras estaduais de produção e deveriam ser fechados. Já a empresa afirma que todas as operações estão em conformidade e diz enfrentar dificuldades até mesmo para equilibrar as contas, quanto mais para arcar com o custo de tamponamento.

Por que poços de baixa produção se tornaram um problema no Texas?

Segundo a reportagem, há milhares de poços de petróleo e gás no Texas com produção muito baixa, operados por empresas com estrutura financeira limitada. Cerca de dois terços dos poços de petróleo ativos do estado, ou 99 mil unidades, produzem menos de dez barris por dia, de acordo com o regulador estadual. Para permanecer ativo no Texas, um poço de petróleo precisa produzir pelo menos cinco barris por três meses consecutivos ou ao menos um barril por 12 meses consecutivos.

O texto informa que companhias frequentemente mantêm um volume mínimo de produção em vez de fechar o poço, já que o custo de desativação pode chegar a dezenas de milhares de dólares. Proprietários de terra, como Chesnutt, argumentam que essa prática pode resultar em poluição e na permanência de equipamentos incômodos em suas áreas. Analistas do setor e defensores do meio ambiente disseram ter ouvido alegações de que empresas reportam apenas o mínimo de produção para evitar o fechamento obrigatório.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

O porta-voz da Railroad Commission, Bryce Dubee, afirmou à publicação:

“The wells on the lease are all producing,”

Defensores de mudanças nas regras do setor de petróleo e gás afirmam que seriam necessárias normas mais rígidas para garantir que empresas fechem os poços em tempo hábil e assumam esses custos, evitando que a conta recaia sobre o estado.

O que está em disputa entre Jackie Chesnutt, a empresa e o regulador?

Chesnutt, de 69 anos, vive em uma propriedade de 375 acres nos arredores de San Angelo, adquirida em 1998 com o marido, hoje falecido. Ela afirma ter registrado episódios de poluição causados pelos poços e apresentado reclamações à Railroad Commission, órgão que regula petróleo e gás no estado, sem resultado prático. Diante disso, segundo a reportagem, ela chegou a interromper o fornecimento de energia para os poços da CORE Petro, alegando descumprimento das regras de produção.

A empresa rebateu dizendo que é Chesnutt quem estaria infringindo a lei ao cortar a eletricidade, pois sem energia não haveria como produzir petróleo. Cassie Ohlhausen, que administra a CORE Petro com o marido, Kent, disse à reportagem:

“We’re between a rock and hard place. We’re not financially able to plug a bunch of oil wells. That’s not why we’re in this business. We’re in this business to produce oil wells.”

A tensão também se estendeu ao relacionamento com funcionários do órgão regulador. A Railroad Commission acusa Chesnutt de ter agredido fisicamente servidores e de tê-los colocado em risco com direção agressiva. A agência determinou que toda comunicação com ela fosse feita por escrito para evitar novos incidentes. Os proprietários da CORE Petro também afirmam que ela os ameaçou com uma arma. Chesnutt contesta essas acusações.

A reportagem informa ainda que a Railroad Commission se recusou a responder a diversas perguntas sobre o contrato de exploração na fazenda de Chesnutt. Em vez disso, funcionários forneceram uma carta enviada à proprietária descrevendo os desentendimentos com a equipe. O órgão não aplicou multas à CORE Petro.

Qual é o tamanho do passivo de poços inativos no estado?

O caso é apresentado como um retrato de um problema maior envolvendo ativos envelhecidos da indústria petrolífera texana. Um relatório de 2022 da organização sem fins lucrativos Commission Shift, citado pela reportagem, defendeu que empresas não deveriam poder produzir indefinidamente quantidades irrisórias de óleo ou gás apenas para evitar os custos de descomissionamento.

De acordo com o texto, o Texas tem mais de 159 mil poços inativos. Quando o operador de um poço inativo encerra as atividades, o poço sem vedação adequada pode se tornar órfão. O estado enfrenta uma fila recorde de mais de 11 mil poços órfãos.

  • Mais de 159 mil poços estão inativos no Texas.
  • Mais de 11 mil poços órfãos compõem a fila recorde mencionada na reportagem.
  • Cerca de 99 mil poços ativos produzem menos de dez barris por dia.

Na propriedade de Chesnutt, a baixa remuneração também é parte do impasse. Ela detém 50% dos direitos minerais do terreno e recebe parte dos lucros dos poços, mas disse que isso tem rendido apenas algumas centenas de dólares em royalties a cada dois meses nos últimos anos. Para ela, o valor não compensa os transtornos associados às operações.

A reportagem retrata a fazenda de Chesnutt como um exemplo de como mecanismos financeiros existentes não têm sido suficientes para retirar de operação milhares de poços de baixa produção espalhados pelo interior do Texas. Nesses casos, o custo pode acabar recaindo sobre o poder público ou permanecer como um problema persistente para os proprietários das terras afetadas.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

WhatsApp us

Sair da versão mobile