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PFAS em produtos de consumo devem ter restrição urgente, dizem deputados no Reino Unido

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O uso de PFAS em produtos de consumo deve ser restringido com urgência no Reino Unido, segundo recomendações publicadas nesta quinta-feira por parlamentares da Comissão de Auditoria Ambiental da Câmara dos Comuns, após uma investigação sobre os riscos dessas substâncias e uma visita à cidade de Bentham, em North Yorkshire, apontada como o local com os mais altos níveis de contaminação por PFAS no país. De acordo com informações do Guardian Environment, os deputados defendem que as proibições comecem já no próximo ano.

Conhecidos como “químicos eternos”, os PFAS, ou substâncias perfluoroalquil e polifluoroalquil, não se degradam naturalmente. Essa característica ajuda a explicar seu uso em aplicações industriais e em bens de consumo, mas também faz com que se acumulem no ambiente e no organismo de seres vivos. Segundo o relato da comissão, moradores de Bentham disseram conviver com incerteza sobre os possíveis impactos à saúde após décadas de produção de espuma de combate a incêndio em uma fábrica local.

O que os deputados recomendaram sobre os PFAS?

A principal recomendação do comitê é a adoção de restrições urgentes ao uso de PFAS em produtos de consumo, incluindo:

  • uniformes escolares;
  • utensílios de cozinha;
  • embalagens de alimentos.

Os parlamentares afirmaram que o adiamento de medidas tende a ampliar os custos sanitários, econômicos e ambientais associados a essas substâncias. O relatório também defende restrições por grupo, abrangendo classes inteiras de PFAS, para evitar a substituição de compostos proibidos por outros semelhantes e potencialmente mais nocivos.

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O presidente da comissão, Toby Perkins, afirmou que o plano apresentado anteriormente pelo governo foi um passo importante, mas insuficiente. Segundo ele, a proposta oficial parece mais um plano para futuramente elaborar outro plano do que um conjunto concreto de compromissos para reduzir e remediar a contaminação por PFAS.

Por que Bentham se tornou um ponto central da investigação?

Bentham, em North Yorkshire, foi visitada pelos integrantes da comissão em 15 de janeiro, durante a penúltima sessão de coleta de evidências da investigação parlamentar. A cidade é descrita no texto como um caso extremo de contaminação em escala industrial, associado a décadas de produção local de espuma contra incêndio.

Durante a apuração, os deputados ouviram moradores com câncer que se perguntavam se os altos níveis de PFAS no sangue poderiam estar relacionados às suas condições de saúde. Outros relataram dúvidas sobre possível exposição ao consumir alimentos coletados na região ou ao pescar no rio próximo. O aspecto mais grave, segundo os relatos citados, seria a falta de respostas claras sobre o impacto dessas substâncias na comunidade.

Como foi a reação ao plano do governo e ao novo relatório?

O relatório da comissão foi divulgado após o governo britânico apresentar, no início do ano, seu plano para enfrentar o problema dos PFAS. Ambientalistas classificaram o documento como decepcionante, avaliação que foi parcialmente compartilhada pelo comitê, que considerou a estratégia carente de ações decisivas.

“The longer action is delayed in addressing the risks of Pfas, the greater the health, economic and environmental burdens will become.”

Em outra declaração reproduzida no texto original, Toby Perkins defendeu uma abordagem preventiva, com eliminação gradual de usos considerados claramente não essenciais e maior rigor na aprovação de novas substâncias dessa classe antes de sua introdução no mercado.

A avaliação de entidades ambientais, porém, não foi unânime. A organização Chem Trust recebeu bem o relatório e defendeu ação rápida e alinhada à proposta da União Europeia para restrição ampla dos PFAS. Já a ChemSec avaliou que as medidas sugeridas ainda são limitadas, por se concentrarem em produtos de consumo e não atacarem com a mesma ênfase usos industriais e pesticidas, apontados no texto como grandes fontes de poluição.

Quais são os riscos associados aos PFAS, segundo a investigação?

De acordo com o material apresentado à comissão, ainda não há compreensão completa sobre todos os efeitos da bioacumulação dessas substâncias. Mesmo assim, há um conjunto crescente de evidências que as relaciona a cânceres, supressão do sistema imunológico, infertilidade e problemas de desenvolvimento.

Os deputados também ouviram, durante a investigação, que os PFAS já estariam presentes “no sangue da maioria das populações ao redor do mundo”. Embora Bentham seja apresentada como um caso extremo, o relatório ressalta que a presença dessas substâncias se tornou disseminada em escala muito mais ampla.

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