O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty, criticou duramente nesta quarta-feira (22) a decisão do governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, de expulsar o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava no estado da Flórida. Em resposta imediata à medida, que ocorreu sem aviso prévio, o governo brasileiro decidiu acionar o princípio diplomático da reciprocidade, suspendendo as credenciais e interrompendo as atividades de um policial de imigração norte-americano que exercia função equivalente em território nacional.
O caso gerou um ruído nas relações bilaterais entre os dois países. De acordo com informações publicadas pelo Metrópoles, o delegado brasileiro operava como oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). A sua retirada do país foi definida pelo órgão brasileiro como uma ação que desrespeita as regras de cooperação estabelecidas entre as nações.
Qual foi a justificativa do Itamaraty para a reação diplomática?
A diplomacia brasileira argumenta que a atitude das autoridades norte-americanas feriu os protocolos básicos de relacionamento internacional. Segundo a pasta, a suspensão do acesso do delegado da PF não foi precedida de qualquer comunicação oficial ou pedido de esclarecimentos, o que contraria diretamente os termos firmados entre os dois governos para esse tipo de atuação conjunta.
Conforme reportado pela Jovem Pan, o Itamaraty destacou que a ação dos Estados Unidos violou especificamente o parágrafo 7.3 do memorando de entendimento bilateral, documento que regula essa modalidade de cooperação policial entre os países. Em nota oficial, o ministério expressou seu descontentamento com a falta de alinhamento:
“Tampouco observa a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação.”
Por que o delegado da Polícia Federal estava nos Estados Unidos?
Marcelo Ivo de Carvalho estava lotado na Flórida atuando como ponte entre as forças de segurança brasileiras e norte-americanas, especificamente lidando com questões de imigração e alfândega em parceria com o ICE. O trabalho de oficiais de ligação é uma prática comum para facilitar a troca de informações em investigações transnacionais e no combate ao crime organizado.
No entanto, a atuação do delegado ganhou contornos políticos recentes. A reportagem da Jovem Pan pontua que Carvalho esteve envolvido na detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. Embora o texto das fontes não detalhe a correlação exata entre a detenção de Ramagem e a expulsão promovida pelo governo de Donald Trump, o contexto evidencia a complexidade das operações nas quais o agente estava inserido antes de ter seu acesso suspenso pelos norte-americanos.
O que muda na relação com o serviço de imigração americano?
Diante da quebra de protocolo, o Brasil adotou uma retaliação proporcional. A aplicação do princípio da reciprocidade resultou em medidas diretas contra a representação policial dos Estados Unidos no Brasil. O processo de resposta incluiu os seguintes pontos:
- Interrupção imediata das atividades do agente norte-americano no Brasil.
- Retirada das credenciais do policial de imigração dos Estados Unidos dos sistemas da corporação brasileira.
- Comunicação formal à representante da embaixada norte-americana sobre a adoção da medida equivalente.
A crise expõe uma fratura pontual, porém significativa, nos acordos de segurança pública e inteligência mantidos entre Brasília e Washington, exigindo agora uma recalibragem nas relações do serviço exterior e das polícias federais de ambas as partes.