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Peixes migratórios enfrentam barragens obsoletas no rio Bronx para se reproduzir

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As barragens obsoletas ao longo do rio Bronx, em Nova York, estão bloqueando a rota do arenque de rio, peixe migratório que sobe o curso d’água para desovar na primavera. Segundo a reportagem publicada em 15 de abril de 2026, os obstáculos dificultam a reprodução da espécie e ajudam a explicar a queda de sua população, enquanto autoridades locais e federais discutem planos para remover parte dessas estruturas. De acordo com informações da Inside Climate News, a cidade recebeu uma verba estadual para estudar a retirada de uma das barreiras, mas outros projetos foram interrompidos.

O rio já foi um curso d’água sinuoso, cercado por florestas e áreas de maré, por onde o arenque de rio nadava desde o East River e o Long Island Sound para depositar seus ovos. Hoje, porém, o ambiente foi alterado: o canal foi retificado, as planícies de inundação foram aterradas, as margens foram endurecidas e permanecem no local três barragens e um vertedouro baixo. Embora os peixes consigam ultrapassar o vertedouro na maré alta e, em alguns casos, vencer uma escada para peixes na barragem da rua 182, ainda encontram duas outras barreiras consideradas intransponíveis para muitos indivíduos.

Por que as barragens afetam a reprodução do arenque de rio?

O termo arenque de rio é usado para duas espécies: alewife e blueback herring. Antes abundantes em rios da costa atlântica, elas hoje enfrentam redução populacional e restrições rígidas de pesca. A reportagem informa que, no rio Bronx, a pesca recreativa e comercial dessas espécies está fechada desde 2013, segundo um porta-voz do Departamento de Conservação Ambiental do Estado de Nova York.

Rebecca Swadek, diretora de gestão de áreas úmidas do Departamento de Parques da cidade, afirmou que a principal causa histórica do declínio foi a presença de barragens. Essas estruturas impedem que os peixes alcancem os locais preferenciais de desova. Além disso, a água mais lenta e quente acumulada acima das barragens favorece florações de algas nocivas e reduz o oxigênio dissolvido, com efeitos negativos sobre os habitats aquáticos e a saúde geral do rio.

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“The number one reason that river herring has declined historically is because of dams,” said Rebecca Swadek, the director of wetlands management for the city Parks Department.

A matéria também aponta que as barragens não são o único fator envolvido. Bill Lucey, da organização Save the Sound, disse que a captura acidental, quando o arenque de rio é pescado junto com outras espécies, é pouco monitorada. Para ele, identificar as áreas marítimas onde os peixes se concentram e reduzir essa pressão é parte do esforço de recuperação.

“We need to know the areas where they’re concentrated at sea, and take the … bycatch pressure off of those areas to allow them to rebuild,” he said.

Quais barreiras existem hoje no rio Bronx?

Quando os ovos eclodem, os peixes jovens seguem para o mar, onde passam a maior parte da vida. Na primavera, muitos retornam ao curso d’água de origem para desovar, mas encontram uma sequência de obstáculos no rio Bronx: o vertedouro no Starlight Park, a barragem da rua 182, a barragem do zoológico do Bronx e a barragem Stone Mill, no Jardim Botânico de Nova York.

Em parceria com Connecticut, o Departamento de Parques de Nova York transfere exemplares de rios daquele estado, onde a espécie é mais abundante, para as águas acima da barragem da rua 182. Segundo um porta-voz do órgão, mais de 1.000 peixes foram introduzidos no rio Bronx desde 2006 para estimular o retorno deles ao local de reprodução. Em 2014, a construção de uma escada para peixes permitiu a desova acima da barragem da rua 182. O custo do sistema foi de cerca de R$ 1,5 milhão em dólares convertidos na reportagem original como US$ 1,5 milhão, com recursos de diferentes esferas de governo. No ano passado, 85 arenques de rio usaram essa passagem.

A remoção das barragens é vista como alternativa mais eficaz?

Especialistas ouvidos pela reportagem dizem que a remoção tende a funcionar melhor do que estruturas de transposição. Isabelle Stinnette, cientista sênior de ecologia de restauração da Hudson River Foundation, classificou as escadas para peixes como uma boa opção, mas disse que elas não funcionam tão bem quanto simplesmente retirar a barragem. Megan Lung, gerente de projetos de restauração ecológica da Save the Sound em Nova York, afirmou que concentrar espécies em um único ponto pode aumentar a vulnerabilidade desses animais.

“If you have a fish ladder, you’re concentrating all these species. … They’re not able to spread out,” said Megan Lung, the New York ecological restoration project manager at Save the Sound, which consults on dam removals across the region. “That’s essentially ringing a dinner bell for some creatures.”

Lung comparou os rios a sistemas circulatórios e disse que barragens sem função atual se comportam como coágulos que precisam ser removidos. Ainda assim, a retirada tem custo elevado e depende de planejamento técnico e institucional. A reportagem informa que o Departamento de Parques e Recreação da cidade recebeu uma verba estadual para estudar como remover o vertedouro próximo à parte inferior do rio Bronx. Já no caso das duas barragens superiores, o Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos desenvolvia um plano de remoção, mas o projeto foi colocado em espera pelo governo Trump.

Enquanto isso, a população do arenque de rio segue oscilando. Sara Donatich, gerente sênior de projetos e hidróloga do Departamento de Parques, disse que o ano passado foi promissor, mas os anos anteriores registraram quedas acentuadas. O quadro reforça o desafio de restaurar o rio Bronx como corredor ecológico para uma espécie migratória que depende da conexão entre o mar e os trechos de água doce para completar seu ciclo de vida.

  • O rio Bronx ainda tem três barragens e um vertedouro baixo.
  • Mais de 1.000 peixes foram introduzidos no rio desde 2006.
  • A escada para peixes da rua 182 foi concluída em 2014.
  • Em 2025, 85 arenques de rio usaram a passagem, segundo a reportagem.
  • Há estudo financiado pelo estado para avaliar a remoção do vertedouro.

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