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Parque da Serrinha criado pelo GDF não protege área alvo do Banco BRB

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O recém-anunciado Parque Distrital da Serrinha, oficializado pelo Governo do Distrito Federal (GDF), não engloba a região territorial designada para o projeto financeiro elaborado para sanear as contas do Banco de Brasília (BRB). A discrepância veio à tona após análises de associações de moradores, que apontaram que o perímetro de conservação ambiental decretado não protege a área originalmente ameaçada de alienação.

De acordo com informações da Agência Brasil, a governadora Celina Leão havia prometido a retirada da Serrinha do pacote imobiliário desenhado para cobrir um rombo financeiro bilionário no BRB, decorrente de fraudes supostamente ligadas ao Banco Master. No entanto, os mapas oficiais demonstram que o trecho posto à venda permanece vulnerável e fora dos limites territoriais do novo parque.

Qual é a real localização do novo parque ambiental?

Ao analisar os documentos publicados pelo governo, a Associação Preserva Serrinha constatou que a nova unidade de conservação é significativamente menor do que a área em disputa. Enquanto o parque criado abrange apenas 66 hectares, o território da Gleba A da Serrinha do Paranoá, que faz parte do projeto de socorro ao banco, possui 716 hectares.

A diretora da associação, Lúcia Mendes, relatou que a diferença de dimensões e a tramitação acelerada do decreto geraram suspeitas imediatas. Segundo a análise técnica do grupo, a área delimitada pelo GDF corresponde, na verdade, ao escopo de outro projeto que já estava em discussão com a sociedade civil desde o ano de 2022, conhecido originalmente como Parque Pedra dos Amigos.

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Os indícios de sobreposição ganharam força a partir das próprias declarações oficiais. Durante o anúncio, o governo citou pontos de referência específicos que não condizem com a localização da Gleba A.

“Nós resgatamos a proposta e depois as várias mudanças que teve na poligonal desse parque ao longo dos anos e verificamos que era o mesmo. É a mesma localização, tanto que no áudio a governadora fala da Cachoeira do Urubu, e a Gleba A fica longe do Urubu. A gente pegou a poligonal no decreto, colocou na região onde seria o Parque Pedra dos Amigos e nós vimos que realmente era ali”

, afirmou a diretora.

Qual é o impacto ecológico da Serrinha do Paranoá?

A proteção integral da região é considerada uma pauta prioritária para ativistas do meio ambiente e moradores locais devido à sua alta relevância hídrica e biológica para o Distrito Federal. Entre os principais fatores de importância da localidade, destacam-se os seguintes elementos:

  • A presença de córregos essenciais para a manutenção da bacia hidrográfica da capital federal.
  • A existência de diversas nascentes ativas que atuam no abastecimento direto do Lago Paranoá.
  • A manutenção de uma extensa área contínua de vegetação de cerrado nativo preservado.

Apesar da relevância ecológica cientificamente comprovada, o futuro da Gleba A permanece incerto. O impasse atual recai sobre as reais intenções do governo em relação ao projeto bilionário atrelado à instituição financeira. A comunidade local levanta questionamentos se a chefia do Executivo alterou sua posição original ou se a criação do parque menor seria apenas uma manobra administrativa isolada.

Como o governo justifica as demarcações territoriais?

Questionado sobre as divergências cartográficas apontadas pela sociedade civil, o Executivo local adotou uma postura reticente. Até o encerramento das apurações iniciais, não houve uma confirmação categórica por parte do Palácio do Buriti informando se a Gleba A será definitivamente removida do projeto de capitalização do BRB.

Por sua vez, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), autarquia responsável pelas políticas de conservação ecológica, emitiu um posicionamento técnico sucinto sobre o caso. O órgão limitou-se a informar que as duas áreas em questão — tanto o território fatiado na Gleba A quanto a região que compõe a nova unidade de conservação — estão inseridas dentro de uma mesma macrorregião geográfica denominada genericamente de Serrinha do Paranoá.

Diante desse cenário de incertezas, entidades de defesa ambiental garantem que seguirão mobilizadas. O objetivo é assegurar que o patrimônio hídrico e a flora nativa não sejam sacrificados em operações contábeis para o sistema bancário, cobrando transparência imediata nas delimitações de área.

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