O vice-governador do Paraná, Darci Piana, recebeu o embaixador do Paraguai no Brasil, Juan Ángel Delgadillo, nesta segunda-feira (14), no Palácio Iguaçu, em Curitiba. O encontro teve como objetivo central estreitar as relações comerciais, discutir novos investimentos em infraestrutura e promover a integração regional entre o estado e o país vizinho. A reunião consolidou a posição do Paraná como o segundo principal parceiro comercial paraguaio em solo brasileiro, visando a expansão de mercados e o desenvolvimento mútuo das economias fronteiriças.
De acordo com informações da Agência Paraná, a comitiva diplomática também contou com a presença da cônsul-geral do Paraguai em Curitiba, María Amarilla, e do cônsul Celso Santiago Riquelme. Durante a audiência, as autoridades revisaram os fluxos de exportação e importação, além de avaliarem o impacto de eventos setoriais, como a ExpoApras, que contou com a participação inédita de empresas paraguaias no setor varejista e de supermercados.
Qual é a importância econômica do Paraguai para o estado?
O vice-governador enfatizou a reciprocidade comercial entre as duas regiões, destacando que a vizinhança geográfica facilita uma troca constante de insumos e produtos acabados.
“O Paraná é o segundo cliente do Paraguai no Brasil. E eles compram muito do nosso estado também. Somos vizinhos. E esse relacionamento que a gente tem é muito importante”
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, afirmou Piana. O gestor relembrou que a presença de cinco empresas paraguaias na última feira de varejo é apenas o primeiro passo de uma integração que deve crescer nos próximos anos.
O embaixador Juan Ángel Delgadillo reforçou que a relação possui um caráter estratégico e único no cenário internacional. Segundo o diplomata, o desenvolvimento da infraestrutura paranaense serve como modelo e motor para o crescimento do próprio Paraguai. Ele ressaltou que o avanço logístico no estado brasileiro gera reflexos diretos na economia paraguaia, facilitando o escoamento de produtos e a atração de novos negócios para o bloco do Mercosul.
Quais são os principais indicadores econômicos do Paraná?
Durante a reunião, foram apresentados números que comprovam o momento econômico favorável do estado. O Paraná registrou um superávit de US$ 530 milhões apenas no primeiro trimestre, resultado de US$ 5,2 bilhões em exportações contra US$ 4,7 bilhões em importações. Atualmente, o comércio exterior do estado alcança mais de 180 países, demonstrando uma diversificação robusta da pauta exportadora, que inclui desde commodities agrícolas até produtos industrializados.
Entre os anos de 2018 e 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) paranaense praticamente dobrou, saltando de R$ 440 bilhões para aproximadamente R$ 800 bilhões. Esse crescimento elevou o estado à condição de quarta maior economia do país. Além disso, os dados apontam que a taxa de desemprego atingiu o índice de 3,2% ao final de 2025, o menor valor já registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no território estadual.
No setor do agronegócio, o volume das exportações de proteína animal ganhou destaque. A carne de frango, sozinha, foi responsável pela geração de US$ 1,04 bilhão entre os meses de janeiro e março. Outros setores, como a suinocultura e a produção de tilápia, também foram citados como pilares da balança comercial positiva e como áreas de interesse para cooperação técnica com o país vizinho.
Quais obras de infraestrutura e logística foram discutidas?
A capacidade logística foi um dos pontos altos do diálogo diplomático. A gestão da Portos do Paraná, reconhecida nacionalmente, foi apresentada junto aos projetos de ampliação do Porto de Paranaguá, que incluem o Moegão e o novo píer em T. A concessão do Canal da Galheta também foi mencionada como fundamental para permitir o acesso de navios de maior porte, aumentando a competitividade do estado no comércio global.
A Ponte da Integração Brasil-Paraguai foi exaltada como o novo corredor logístico essencial para o Mercosul, enquanto os planos para a Nova Ferroeste, que ligará Maracaju, no Mato Grosso do Sul, ao litoral paranaense, prometem revolucionar o transporte ferroviário regional. No âmbito urbano, o programa Asfalto Novo, Vida Nova foi detalhado como uma iniciativa de pavimentação, iluminação em LED e drenagem que abrange todos os municípios, melhorando a infraestrutura básica e a qualidade de vida da população.
Como o governo planeja sustentar a atração de investimentos?
Para garantir a continuidade dos investimentos, o vice-governador citou o programa Paraná Competitivo, que atraiu mais de R$ 300 bilhões em capital privado nos últimos sete anos. Outros instrumentos financeiros, como o Fiagro e o Fundo Estratégico do Paraná — fundo soberano criado para substituir isenções fiscais a partir de 2028 no contexto da Reforma Tributária — foram apresentados como garantias de estabilidade para os produtores rurais e investidores industriais.
Este encontro com a delegação paraguaia faz parte de uma agenda contínua de internacionalização da economia paranaense. Nos últimos meses, o governo estadual recebeu embaixadores de nações como México, Argentina, Alemanha, Austrália e Países Baixos. Essa estratégia visa não apenas a abertura de novos mercados para os produtos do estado, mas também a troca de experiências em gestão pública e a atração de tecnologias inovadoras para o setor produtivo local.