Parakanã (PA) reocupa território Apyterewa após desintrusão de invasores - Brasileira.News

    Parakanã (PA) reocupa território Apyterewa após desintrusão de invasores

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    Povo Parakanã, do Pará, reocupa território após retirada de invasores

    O povo Parakanã, do sudeste do Pará, está retomando o controle da Terra Indígena (TI) Apyterewa após a conclusão da desintrusão em 2024. Apesar da retirada dos invasores, os indígenas ainda enfrentam os impactos de anos de ocupação ilegal por produtores rurais e grileiros. De acordo com informações da Agência Brasil, a reocupação marca um novo capítulo na luta pela autonomia e preservação do território. A TI Apyterewa abriga cerca de 1,4 mil indígenas Parakanã e possui uma área de 773 mil hectares.

    A desintrusão da TI Apyterewa foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023, com as operações de retirada dos não indígenas começando em outubro do mesmo ano. Segundo a Casa Civil da Presidência da República, a ação fez parte de um esforço maior, abrangendo nove territórios na Amazônia Legal, onde vivem aproximadamente 60 mil indígenas. Nilton Tubino, responsável por coordenar as ações, relatou que o processo em Apyterewa foi o mais desafiador devido à interferência de políticos e fazendeiros.

    Quais foram os impactos da ocupação ilegal na Terra Indígena Apyterewa?

    De acordo com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a ocupação ilegal resultou em desmatamento massivo e na presença de mais de 2 mil não indígenas dentro do território. A terra indígena se tornou a mais desmatada da Amazônia, atingindo o pico de 102 quilômetros quadrados de desmatamento em 2022. Além disso, a presença de um grande número de cabeças de gado, estimadas em 50 mil, impactou negativamente a fauna local, dificultando a caça para os indígenas.

    Como está o processo de retirada do gado remanescente?

    Embora a maioria do rebanho tenha sido removida durante a desintrusão, cerca de 1,3 mil bovinos ainda permanecem em 43 pontos do território, conforme o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Durante uma operação para a retirada dos animais remanescentes, um vaqueiro contratado pelo Ibama, Marcos Antônio Pereira da Cruz, foi assassinado. A Polícia Federal prendeu um suspeito, mas as investigações continuam em sigilo. O secretário nacional de Direitos Territoriais Indígenas do MPI, Marcos Kaingang, enfatizou a necessidade de responsabilizar os culpados pelo ataque.

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    Quais são os desafios enfrentados pelos Parakanã após a desintrusão?

    Os Parakanã continuam a enfrentar ameaças e ataques, mesmo após a desintrusão. O cacique-geral da TI Apyterewa, Mamá Parakanã, relatou oito ataques às aldeias e um indígena baleado. Em um incidente, o carro da associação Tato’a foi alvejado a tiros. O cacique reafirma a determinação do povo Parakanã em defender seu território, demarcado e homologado, contra invasores. Apesar das ameaças, a redução do desmatamento, que caiu mais de 90% após a desintrusão, e o retorno de animais como jabutis e mutuns indicam uma recuperação gradual do território.

    Qual a importância da desintrusão para os povos indígenas?

    O coordenador Oaea Parakanã relata que, após a desintrusão, a caça melhorou significativamente, com o retorno de diversas espécies animais. Para os Parakanã, a desintrusão representa a garantia da manutenção do território, a preservação da cultura e a possibilidade de um futuro sustentável. Marcos Kaingang, do MPI, destaca que as desintrusões têm garantido que os povos indígenas consigam fazer a manutenção devida do seu território, principalmente na pauta de preservação, conservação e reprodução sociocultural.

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