A Operação Estrela Cadente, deflagrada nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, por meio do GAECO, cumpriu mandados de busca e apreensão em municípios de São Paulo para apurar a atuação de uma empresa com abrangência nacional suspeita de promover rifas eletrônicas ilegais. Segundo a investigação, a empresa usaria indevidamente o nome e a imagem de clubes de futebol para dar aparência de legalidade às campanhas, além de ser investigada por suspeita de fraudes patrimoniais e lavagem de dinheiro.
De acordo com informações do MP-RS, a operação contou com apoio do GAECO do Ministério Público de São Paulo. Os mandados foram cumpridos na capital paulista, em Santo André e em São Caetano do Sul, em endereços residenciais e operacionais ligados às atividades investigadas.
Como funcionava o esquema investigado pelo MPRS?
A apuração é conduzida pelos promotores de Justiça Flávio Duarte e Maristela Schneider, do 1º Núcleo Regional do GAECO – Capital. Conforme o Ministério Público, as rifas eram promovidas por meio da venda de “cotas” ou “e-books”, com promessa de prêmios em dinheiro e bens. As campanhas, segundo o órgão, eram divulgadas de forma irregular e associadas de maneira premeditada a clubes de futebol de diferentes regiões do país, entre eles Grêmio e Avaí.
O Ministério Público afirmou ainda que houve divulgação de informações fraudulentas aos clubes e ao público sobre a regularidade das ações. No texto divulgado pelo órgão, os promotores resumiram a dinâmica da investigação em uma declaração direta.
“A empresa promovia sorteios travestidos de rifas. E, para poder usar o nome e marca dos clubes, ter um alcance maior e conferir aparência de legalidade às ações, firmava patrocínios com clubes de futebol e torcidas organizadas”.
O que foi apreendido nas buscas realizadas em São Paulo?
Segundo o MPRS, as provas reunidas indicam o uso de empresas dos setores de tecnologia, marketing e intermediação de pagamentos para receber e movimentar os valores arrecadados. De acordo com a investigação, essa estrutura teria sido empregada de forma fragmentada, em uma dinâmica considerada incompatível com promoções regulares.
Nas buscas, o objetivo foi recolher materiais que possam esclarecer a organização das rifas, o fluxo financeiro e a eventual participação de terceiros em suspeita de lavagem de dinheiro. Entre os itens citados pelo Ministério Público estão:
- celulares;
- computadores;
- mídias eletrônicas;
- documentos;
- contratos;
- registros financeiros;
- outros materiais relacionados à investigação.
Quais são os próximos passos da investigação?
O material apreendido será analisado pelo GAECO e, segundo o Ministério Público, servirá de base para aprofundar a apuração. O foco desta etapa é rastrear os valores arrecadados, verificar a participação de outros envolvidos e subsidiar medidas judiciais para responsabilização dos investigados e interrupção das práticas apuradas.
Em nota, o coordenador estadual do GAECO, promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas, afirmou que a ação faz parte do planejamento estratégico do órgão voltado ao enfrentamento da lavagem de dinheiro e das estruturas financeiras usadas, segundo ele, para dar suporte a atividades ilícitas.
“A ação integra o planejamento estratégico da coordenação do GAECO e tem como foco o enfrentamento qualificado à lavagem de dinheiro, com atenção às estruturas financeiras utilizadas com proveito do crime. Iniciativas como a Operação Estrela Cadente demonstram nosso compromisso em seguir avançando contra atividades criminosas, enfraquecendo os mecanismos que viabilizam suas atividades ilícitas”.
Até o momento, o comunicado do Ministério Público não informa o nome da empresa investigada nem detalha quantas pessoas foram alvo direto das medidas de busca e apreensão. A apuração segue em andamento.