Scania e Caio desenvolvem novas configurações de ônibus movidos a biometano para a cidade de São Paulo, segundo entrevista publicada em 11 de abril de 2026. Os modelos em estudo incluem veículos padron de 15 metros, articulados em torno de 18,6 metros e opções 4×2 de até 14 metros, em um projeto feito em parceria com fornecedoras de tubulações e cilindros. A proposta, de acordo com o diretor de Desenvolvimento da Scania, Marcelo Gallão, busca ampliar alternativas ao diesel e atender à demanda por redução de emissões no transporte coletivo da capital paulista.
De acordo com informações do Diário do Transporte, Gallão apresentou os detalhes em entrevista a Adamo Bazani e Márcia Pinna. Segundo ele, os veículos podem operar tanto com gás natural veicular quanto com biometano, usando a mesma motorização, o que amplia a flexibilidade operacional. O biometano citado na entrevista é obtido a partir da decomposição de resíduos.
Quais modelos de ônibus a biometano estão em desenvolvimento?
Segundo Marcelo Gallão, o portfólio em desenvolvimento para São Paulo reúne diferentes tipos de carroceria e configuração. A linha inclui veículos rígidos, articulados, de piso alto e de piso baixo. No caso do piso alto, os tanques de gás podem ficar na parte inferior do ônibus. Já nos veículos de piso baixo, como os usados na capital paulista, os tanques ficam na parte superior.
Na entrevista, o executivo afirmou que o padron de 15 metros aparece como uma tendência entre os ônibus urbanos e que os articulados também estão previstos nesse desenvolvimento. Ele ainda citou os modelos 4×2, de até 14 metros, como parte dos testes em andamento e como alternativa para circulação em futuro próximo.
Por que o biometano entrou no debate sobre a frota da capital?
Gallão disse que a demanda por descarbonização levou primeiro à eletrificação, mas que agora há uma nova tendência voltada à gaseificação. Na avaliação apresentada por ele, o biometano e o gás natural surgem como alternativa por exigir menos infraestrutura elétrica. O executivo também afirmou que o biometano está disponível em aterros sanitários ao redor de São Paulo e que testes mostraram potencial de descarbonização e vantagens econômicas para a cidade.
A maioria dos operadores demandam descarbonização. Então, tendências de descarbonização para a eletrificação foram a primeira onda, como a gente chama.
O tema ganha relevância em meio ao cenário descrito pelo próprio Diário do Transporte sobre a dificuldade de renovação de frota. O texto menciona que a SPTrans ampliou a possibilidade de uso de ônibus mais antigos em algumas categorias, e que aditivos contratuais reconhecem o risco de faltar veículos no mercado caso a eletrificação não avance no ritmo esperado.
Como funciona a articulação entre fabricantes, operadores e gestão pública?
Na entrevista, Gallão afirmou que o desenvolvimento envolve um arranjo com três frentes principais: a Scania no chassi e na motorização, a Caio como encarroçadora e um terceiro parceiro responsável pela instalação da tubulação e dos tanques. Segundo ele, as discussões também incluem operadores do sistema paulistano, que avaliam fatores ligados à segurança, operação, manutenção e custo operacional.
- Scania: chassi e tecnologia de motorização
- Caio: carroceria dentro do padrão adotado em São Paulo
- Terceiro parceiro: instalação de tubulações e tanques
- Operadores: análise de segurança, manutenção e custos
O executivo relatou que os primeiros números dos ônibus se mostram atrativos, mas não detalhou valores ou cronograma de entrada em operação. Também disse que as necessidades variam conforme a região atendida, o que influencia a escolha do tipo de veículo mais adequado para cada linha.
Por que o ônibus de 15 metros é apontado como tendência?
De acordo com Gallão, o modelo de 15 metros pode ocupar parte do espaço hoje atendido por articulados, porque a diferença de capacidade de passageiros seria relativamente pequena em comparação com um articulado convencional. Na avaliação dele, esse formato pode trazer vantagens operacionais por não ter o custo da articulação e por manter capacidade próxima em determinados cenários de uso.
Com certeza, o 15 metros biometano é uma tendência, mas o 4×2, que é até 14 metros, ele também tem sido testado e é um produto que em um futuro muito próximo vai estar rodando por aí.
Com isso, a entrevista indica que o projeto aposta em mais de uma configuração para atender às necessidades do sistema de ônibus da capital paulista. O desenvolvimento ainda é tratado como estudo e teste, mas reforça o interesse do setor em alternativas ao diesel e em opções de menor emissão para o transporte urbano.