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Escassez estrutural de técnicos pressiona oficinas de veículos pesados em mercados como EUA, Canadá e Austrália

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O setor de reparo de veículos comerciais pesados enfrenta uma escassez estrutural de técnicos que ameaça a sustentabilidade de longo prazo, mesmo registrando crescimento recorde de receita. O sexto relatório anual da Fullbay sobre o Estado do Reparo de Veículos Pesados em 2026 revela que 54% das oficinas operam com déficit de funcionários, enquanto as taxas horárias de mão de obra subiram para US$ 149.

Segundo a FreightWaves, o estudo foi baseado em respostas de quase 900 profissionais do setor de reparo de veículos comerciais nos Estados Unidos, Canadá e Austrália. Embora os dados sejam desses três mercados, o tema é acompanhado também no Brasil por impactar diretamente manutenção de frotas, disponibilidade de caminhões e custos da logística rodoviária, predominante no transporte de cargas no país.

O relatório, apresentado durante a Reunião Anual de 2026 do Technology & Maintenance Council, em Nashville, no Tennessee, aponta para desafios estruturais, e não apenas para uma queda cíclica do mercado.

Como o setor conseguiu crescer mesmo com déficit de pessoal?

As oficinas da rede Fullbay processaram US$ 5,04 bilhões em ordens de serviço em 2025, com mais US$ 1,5 bilhão em receita de peças. A receita líquida nova entre 2023 e 2025 atingiu US$ 2,05 bilhões, o que representa aumento de 68% e superou a fraqueza geral do mercado de frete.

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Sessenta e um por cento das oficinas relataram que os negócios foram melhores em 2025 na comparação com 2024. Trent Broberg, CEO da Fullbay, disse que dados preliminares sugerem que 2026 continuará em tendência de alta.

Peter Cooper, CEO da Ascend Consulting, atribuiu grande parte do crescimento ao envelhecimento dos caminhões e à complexidade dos equipamentos modernos. No Brasil, onde o transporte rodoviário tem peso central na circulação de mercadorias, fatores como envelhecimento de frota e maior sofisticação dos veículos também costumam influenciar custos de manutenção e tempo de parada.

Por que as taxas de mão de obra subiram tanto?

As taxas medianas de mão de obra das oficinas subiram 10% na comparação anual, de US$ 135 por hora em 2024 para US$ 149 por hora no fim de 2025. O reparo móvel custa cerca de 10% a mais, perto de US$ 160 por hora.

Os salários dos técnicos saltaram 14,1%, para uma mediana de US$ 36,50 por hora, quase três vezes o ritmo da inflação. Cooper explicou que as taxas de mão de obra precisam subir devido ao número reduzido de profissionais qualificados disponíveis.

“Francamente, em todos os setores, as taxas de mão de obra têm que subir porque há um grupo muito pequeno de pessoas qualificadas, e é basicamente como um leilão neste ponto.”

disse Cooper.

Qual a dimensão real da crise de mão de obra?

Cinquenta e quatro por cento das oficinas relataram falta de pessoal em 2025, com 40% dos proprietários dizendo que contratar técnicos foi mais difícil do que no ano anterior. A demografia ajuda a explicar por que essa situação não deve mudar rapidamente.

A idade mediana dos entrevistados é de 41 anos. Apenas 17% dos respondentes têm 30 anos ou menos, enquanto 42% dos técnicos têm mais de 20 anos de experiência. Essa configuração demográfica indica envelhecimento da força de trabalho sem renovação adequada.

Jack Poster, gerente de serviços VMRS da American Trucking Associations, destacou a vulnerabilidade das oficinas menores.

“Quando você tem cinco ou seis técnicos na oficina, pense nisso: perder um deles é um grande golpe.”

afirmou Poster.

Como as tarifas impactaram o setor de peças?

Os impactos tarifários mostraram um quadro misto: 47% dos entrevistados relataram nenhum efeito significativo, enquanto 46% notaram aumento nos preços das peças de reposição. A resposta moderada provavelmente reflete o tempo necessário para repasse de custos e o uso de estoques disponíveis.

As margens de peças revelaram um padrão contraintuitivo: oficinas grandes registraram as maiores margens, com 21% de margem e 30% de markup, ante 17% de margem e 22% de markup nas oficinas pequenas. A diferença reflete estruturas operacionais e custos de serviço distintos.

O estudo abrangeu a rede de 5 mil localizações de oficinas da Fullbay, com pesquisas enviadas para 3.400 oficinas. Setenta por cento dos entrevistados operam oficinas de reparo independentes, e o restante se divide entre frotas privadas e operações mistas.

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