A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) intensificou, em abril de 2026, as frentes de trabalho para a expansão do sistema de esgotamento sanitário em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. A iniciativa, que ocorre no período em que o município celebra 78 anos de sua emancipação política, busca acelerar o cumprimento das metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento. A legislação federal, sancionada em 2020, exige que todos os municípios do país alcancem 90% de cobertura com coleta e tratamento de esgoto e 99% de acesso à água potável até o ano de 2033, um desafio nacional diante do déficit histórico de infraestrutura básica no Brasil.
De acordo com informações da Agência Paraná, esta segunda etapa do projeto conta com um aporte financeiro de R$ 11,7 milhões. O cronograma atual prevê a implantação de 13,7 mil metros de tubulações para a rede coletora e a finalização de 842 novas ligações prediais, conectando as residências ao sistema de tratamento de forma definitiva.
Qual o investimento total previsto para o saneamento no município?
Somando as etapas de expansão, os valores destinados ao município ultrapassam a marca de R$ 44 milhões. Na primeira fase, concluída anteriormente, foram investidos R$ 32,4 milhões na execução de aproximadamente 19 mil metros de rede coletora, além de três mil metros de coletores e 1.158 ligações prediais. Este montante reflete o esforço conjunto para transformar a infraestrutura urbana da região e elevar a qualidade de vida da população local.
Além das redes de tubulação, o projeto atual contempla a construção de duas unidades fundamentais para o funcionamento do sistema: as Estações Elevatórias de Esgoto (EEE) Rocinha e RO 04. Estas unidades de bombeamento são essenciais para o transporte dos dejetos em áreas onde a gravidade não é suficiente para o escoamento natural, garantindo que o efluente chegue corretamente às plantas de tratamento antes de ser devolvido ao meio ambiente.
Como as obras impactam a saúde e o meio ambiente local?
A estruturação do saneamento básico é vista como um pilar para o desenvolvimento social e ambiental. Segundo o engenheiro e gestor de obras da Sanepar, Fabio Buissa, os benefícios vão além da infraestrutura visível sob as ruas. De acordo com o especialista:
A implantação do sistema permite a redução de doenças de veiculação hídrica e contribui para a preservação dos rios da região, melhorando as condições ambientais do município.
O gerenciamento e a operação de todo o sistema ficarão sob responsabilidade da Ambiental Paraná, por meio de uma parceria público-privada (PPP). Esta concessionária terá a incumbência de manter a eficiência operacional e realizar as ampliações futuras necessárias para acompanhar o crescimento populacional de Rio Branco do Sul, assegurando a continuidade dos serviços de coleta e tratamento.
Quais os principais desafios técnicos enfrentados pela Sanepar?
A execução das obras em Rio Branco do Sul enfrenta obstáculos geográficos significativos que exigem planejamento logístico rigoroso e equipamentos especializados. Entre os principais fatores que influenciam o ritmo das intervenções no solo, destacam-se os seguintes pontos:
- Topografia acidentada do município, caracterizada por aclives e declives acentuados;
- Presença de solo rochoso, o que torna os processos de escavação mais complexos e demorados;
- Existência de vias públicas estreitas, que limitam a movimentação de máquinas pesadas;
- Necessidade de logística diferenciada para a movimentação de materiais sem interromper totalmente o fluxo urbano.
A meta de universalização é um compromisso que exige a manutenção desse ritmo acelerado até a data estipulada. Com a conclusão da primeira grande etapa, ocorrida em novembro de 2025, a cidade entrou em um novo patamar de desenvolvimento urbano, alinhando-se aos padrões de sustentabilidade e saúde pública exigidos nacionalmente pelo setor de saneamento.