As recentes mudanças nas tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump prometem beneficiar o Brasil, especialmente as exportações do Rio Grande do Norte (RN), embora o cenário ainda seja de incertezas. De acordo com informações da Tribuna do Norte, na sexta-feira, o presidente americano fixou uma nova tarifa global de 10%, elevando-a para 15% no dia seguinte, após a Suprema Corte dos EUA derrubar a taxação de 50% imposta anteriormente.
Como a nova alíquota afeta o Brasil?
Um relatório da Global Trade Alert aponta que o Brasil terá a maior redução nas tarifas médias, com uma queda de 13,6 pontos percentuais. A China e a Índia também serão beneficiadas, com reduções de 7,1 e 5,6 pontos, respectivamente. A previsão é de que a nova taxa entre em vigor nesta terça-feira, sendo válida para todos os mercados que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos.
Quais setores do RN serão impactados?
O economista Ricardo Valério destaca que a mudança trará competitividade ao Brasil e, consequentemente, às exportações do RN. “O Brasil já tinha conseguido alguns avanços, mas nós ainda tínhamos quase 44% das nossas exportações afetadas pela taxação de 50%. Com a alíquota de 15%, ao menos, não perdemos competitividade, uma vez que a nova tarifa será linear para todos os países”, explicou Valério. Produtos como pescado e sal marinho, que não foram beneficiados por negociações anteriores, agora têm uma nova perspectiva.
Qual é a percepção dos setores locais?
Arimar França Filho, presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do RN, reconhece o benefício, mas ressalta a incerteza que ainda paira sobre o setor. “Há um otimismo em alta, principalmente porque a situação da nossa cadeia está muito complicada, mas o setor todo ainda espera para saber o que vai acontecer”, afirmou. Airton Torres, presidente do Sindicato das Indústrias de Extração de Sal do RN, também expressa cautela, mencionando a dificuldade de tomar decisões de longo prazo devido à natureza dos contratos do setor.
Qual é a posição do governo e da indústria?
A imposição das tarifas de 15% foi adotada após a Suprema Corte dos EUA derrubar o tarifaço. O governo brasileiro comemorou a mudança, com o vice-presidente Geraldo Alckmin destacando que, “mesmo com a alíquota de 15%, como é igual para todo mundo, não perdemos competitividade”. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acompanha a situação com “atenção e cautela”, conforme declarou Ricardo Alban, presidente da CNI.
Fonte original: Tribuna do Norte