Donald Trump voltou ao centro de um debate ético nos Estados Unidos após a expansão internacional dos negócios de sua família e o avanço de iniciativas ligadas a criptomoedas durante seu segundo mandato. A discussão envolve quem se beneficia, quando isso ocorreu e como esses empreendimentos podem se cruzar com decisões de governo em países como Catar, Vietnã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Segundo o relato original, especialistas em ética e historiadores afirmam que a situação é sem precedentes e pode criar riscos para a democracia.
De acordo com informações do g1, a empresa imobiliária da família Trump cresceu no exterior em ritmo inédito desde sua criação, enquanto os filhos do presidente, Eric Trump e Donald Trump Jr., passaram a comandar negócios que também incluem ativos digitais e participação em empresas interessadas em vender ao governo dos Estados Unidos ou a países aliados.
Como os negócios da família Trump se expandiram no exterior?
Durante o primeiro mandato de Trump, a Trump Organization não fechou acordos internacionais, segundo a reportagem. Já pouco mais de um ano após o início do segundo mandato, o número de negócios fora dos Estados Unidos chegou a oito. Embora a empresa sustente que segue a regra interna de não negociar diretamente com governos estrangeiros, o texto destaca que, em países onde o poder público tem forte influência econômica, a separação entre interesses privados e decisões estatais pode se tornar difícil de medir.
Entre os exemplos citados estão um clube de golfe e residências de luxo com o nome Trump no Catar, um resort no Vietnã e um empreendimento chamado Trump Plaza na Arábia Saudita. A reportagem afirma que, nesses casos, houve participação de empresas ligadas ao Estado ou próximas ao poder local. Ao mesmo tempo, esses países teriam obtido benefícios em sua relação com os Estados Unidos, enquanto a Trump Organization recebeu taxas de dezenas de milhões de dólares.
“Não acho que haja atualmente qualquer linha entre decisões políticas, cálculos políticos e o interesse da família Trump”, disse Julian Zelizer, historiador presidencial da Universidade de Princeton.
Quais são as dúvidas levantadas sobre criptomoedas e conflitos de interesse?
Outro foco da controvérsia envolve a World Liberty Financial, empresa de criptomoedas ligada à família Trump. Segundo a reportagem, pouco antes da posse, quase metade da companhia foi vendida por US$ 500 milhões a uma empresa ligada ao governo dos Emirados Árabes Unidos e comandada por integrante da família real. Além disso, outro fundo estatal do país teria investido US$ 2 bilhões na Binance usando uma moeda digital criada pela própria World Liberty.
Com isso, ainda de acordo com o texto, a empresa vinculada à família Trump passou a obter ganhos com aplicações em ativos considerados seguros, como títulos públicos, somando dezenas de milhões de dólares em juros. Posteriormente, o governo Trump revogou uma regra da gestão de Joe Biden e permitiu que os Emirados Árabes Unidos comprassem chips avançados dos Estados Unidos. A World Liberty negou conflito de interesse e afirmou que o negócio com os Emirados não teve relação com essa decisão.
- Venda de participação da World Liberty a empresa ligada aos Emirados Árabes Unidos por US$ 500 milhões
- Investimento de US$ 2 bilhões na Binance com moeda digital criada pela World Liberty
- Receitas adicionais com juros sobre aplicações em títulos públicos
- Revogação de regra anterior para compra de chips avançados pelos Emirados
Que outros personagens e operações aparecem nesse debate?
A reportagem também menciona o fundador da Binance, Changpeng Zhao, que recebeu perdão de Trump após ter se declarado culpado por não impedir o uso da plataforma por criminosos. O advogado de Zhao negou qualquer relação entre os negócios da Binance com a família Trump e o perdão presidencial. A Casa Branca, por sua vez, afirmou que ele foi punido de forma injusta pelas autoridades federais.
“Qualquer alegação de troca de favores por parte da Binance ou Changpeng Zhao, ou tratamento financeiro preferencial, é uma clara distorção do registro público”, disse Teresa Goody Guillen em um e-mail à AP.
Outro nome citado é o empresário do setor de criptomoedas Justin Sun. Segundo a reportagem, ele comprou US$ 75 milhões em tokens de governança da World Liberty entre a eleição e a posse de Trump. O texto acrescenta que, em fevereiro de 2025, um processo federal contra Sun por enganar investidores foi suspenso e encerrado no mês passado com multa de US$ 10 milhões.
Quanto esses produtos renderam e por que isso amplia a discussão?
A World Liberty criou uma fonte adicional de receita com a venda de tokens de governança, que garantem direito a voto, mas não participação societária. Só no ano passado, segundo a reportagem, essas vendas arrecadaram US$ 2 bilhões. A família Trump teria recebido centenas de milhões de dólares por sua fatia na empresa e por acordos relacionados às vendas.
Além disso, moedas do tipo meme com a imagem de Trump, lançadas pouco antes do início do segundo mandato, renderam US$ 320 milhões nos quatro meses seguintes, de acordo com a empresa Chainalysis, citada pelo texto. A reportagem destaca que esse valor supera em mais do que o dobro o total arrecadado em quatro anos pelo hotel Trump International, em Washington, durante o primeiro mandato. Para críticos ouvidos no relato original, a combinação entre cargo público, negócios privados e ativos digitais amplia a dificuldade de rastrear influência e vantagem econômica.