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NASA alerta para risco de novos trajes espaciais não ficarem prontos para a Lua

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A NASA pode não ter os novos trajes espaciais prontos a tempo das missões planejadas do programa Artemis à Lua, segundo avaliação do Escritório do Inspetor-Geral da agência espacial dos Estados Unidos divulgada na segunda-feira, 21 de abril de 2026. O relatório aponta atrasos, problemas contratuais e dificuldades de integração entre fornecedores, o que pode comprometer o uso dos equipamentos nas missões previstas para 2028. De acordo com informações do The Register, o parecer também levanta dúvidas sobre a capacidade da Axiom Space de entregar até mesmo trajes de demonstração antes de 2031.

O documento do inspetor-geral analisa o programa Exploration Extravehicular Activity Services, o xEVAS, lançado pela NASA em 2022 para contratar fornecedores privados encarregados de desenvolver dois tipos de traje: um para operações em microgravidade na Estação Espacial Internacional, a ISS, e outro para uso na superfície lunar. A agência destinou US$ 3,1 bilhões aos contratos e selecionou a Axiom Space e a Collins Aerospace. A Collins deixou o projeto em 2024 após concluir que não conseguiria cumprir os prazos exigidos.

Por que o relatório vê risco de atraso nos trajes espaciais?

Segundo o relatório, os cronogramas definidos pela NASA eram otimistas demais e se mostraram inviáveis. O texto afirma que a experiência acumulada em projetos anteriores de trajes espaciais indica que a Axiom Space talvez não consiga apresentar nem mesmo versões de demonstração antes de 2031. Isso cria um descompasso com o calendário das missões lunares, já que a NASA prevê um pouso em 2028, enquanto a ISS deve encerrar suas atividades em 2030.

O inspetor-geral atribui parte do problema ao modelo contratual adotado. O relatório afirma que a estratégia de contrato com preço fixo e foco em serviço foi escolhida para transferir aos fornecedores o risco de estouro de custos e, ao mesmo tempo, estimular uma economia espacial comercial. No entanto, a auditoria conclui que esse formato entrou em conflito com a natureza de desenvolvimento tecnológico dos novos trajes, marcada por riscos técnicos, financeiros e de cronograma mais elevados.

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“In our judgment, while firm-fixed-price and service-based contracts can be viable options for certain NASA procurements, applying that approach to a developmental effort like xEVAS introduced its own set of risks to achieving NASA’s goals.”

Quais falhas de planejamento foram apontadas pela auditoria?

O relatório destaca que, quando a NASA lançou os contratos do xEVAS, ainda não existia um mercado comercial estabelecido para trajes espaciais. A auditoria também critica exigências consideradas excessivamente pesadas, como obrigar os concorrentes a disputar ao mesmo tempo o desenvolvimento de trajes para microgravidade e para a Lua. Na avaliação do órgão, isso reduziu o número de empresas capazes de participar da iniciativa.

Além disso, o documento menciona problemas de gestão relacionados ao trabalho da Collins Aerospace nos trajes atualmente usados na ISS e ressalta que a Axiom Space não tinha experiência prévia na construção de trajes espaciais. Esses fatores, segundo o relatório, ampliaram os riscos do programa desde o início.

  • cronogramas considerados inviáveis;
  • saída da Collins Aerospace do projeto em 2024;
  • falta de experiência prévia da Axiom Space com trajes espaciais;
  • ausência de um padrão técnico único para fabricantes.

Como a falta de padronização pode afetar as missões Artemis?

Outro ponto criticado pelo inspetor-geral é a decisão da NASA de não estabelecer um padrão único que todos os fabricantes de trajes deveriam seguir. Isso é considerado sensível porque os trajes precisam funcionar em conjunto com praticamente todos os veículos e sistemas do programa Artemis, incluindo módulos de pouso, veículos lunares, rovers pressurizados e módulos de habitação.

Sem essa padronização, o relatório alerta para possíveis diferenças em sistemas como escotilhas, dimensões de aberturas e interfaces dos trajes, o que pode limitar a interoperabilidade entre equipamentos do governo e de empresas privadas. A auditoria cita como exemplo o fato de a Blue Origin ter usado um documento de referência da NASA para projetar a área de vestir e retirar os trajes em seu módulo lunar, enquanto a Axiom Space optou por usar um conector diferente do previsto nesse material.

“For the Axiom spacesuit to be compatible with the Blue Moon lander, Blue Origin must either make significant changes to the crew module airlock layout or develop its own don/doff hardware to support Axiom’s design, potentially increasing the cost to NASA.”

De acordo com o relatório, um padrão uniforme poderia ter reduzido esse tipo de problema. A preocupação surge num momento em que a Blue Origin está entre as empresas que disputam contratos para futuros módulos de pouso lunar, ao lado da SpaceX.

Quais são as alternativas da NASA se o projeto atrasar?

O texto aponta que a NASA ainda pode nomear novos fornecedores dentro do xEVAS. Três empresas já trabalham em trajes considerados adequados: SpaceX, Genesis Engineering Solutions e ILC Dover. Ainda assim, o relatório adverte que, se a Axiom Space não tiver sucesso, a agência poderá ser obrigada a recorrer aos trajes atuais, que são descritos como menos capazes do que os modelos planejados para as futuras missões.

Nesse cenário, a NASA teria de ajustar de forma significativa seus planos lunares. Segundo o texto, o cronograma atual prevê a Artemis III em 2027 para testar acoplamento no espaço e a Artemis IV em 2028 para levar astronautas à superfície da Lua. Paralelamente, seguem em desenvolvimento os veículos de pouso lunar, com SpaceX e Blue Origin na disputa. O próprio artigo ressalta que não há garantia de que essas empresas estarão prontas até 2028.

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