A adoção de IA agente por órgãos públicos pode avançar em ritmo superior ao do setor privado, segundo um estudo da IDC com 118 líderes e tomadores de decisão dos governos federal, estadual e local dos Estados Unidos, publicado em 24 de abril de 2026. De acordo com informações da ZDNET, 82% das organizações governamentais já adotaram agentes de inteligência artificial, e 60% dos líderes ouvidos afirmam que esse movimento está ocorrendo mais rapidamente no setor público do que na iniciativa privada.
A pesquisa, voltada à preparação do setor público para a chamada IA agente, aponta que essa tecnologia deixou de ser apenas experimental dentro do governo e passou a ser tratada como uma prioridade de liderança. O levantamento associa esse avanço a pressões orçamentárias, exigências de soberania e conformidade, lacunas de qualificação em áreas como cibersegurança e operações de aprendizado de máquina, além da demanda da população por serviços mais rápidos, personalizados e equitativos.
Por que a IA agente ganhou espaço no governo?
Segundo a IDC, a transformação em curso no setor público se concentra em três frentes: orquestração operacional, prestação de serviços ao cidadão e apoio à decisão em políticas públicas e planejamento. Na prática, isso significa o uso de sistemas capazes de coordenar fluxos de trabalho em várias etapas e entre diferentes departamentos, além de apoiar interações mais proativas e contextualizadas com a população.
O estudo também afirma que a ampliação desse modelo depende de uma base robusta de dados. Para isso, os órgãos públicos precisam identificar fluxos de trabalho com maior potencial de automação por agentes, estruturar uma arquitetura de dados adequada, garantir qualidade e acessibilidade das informações e desenvolver modelos de operação e governança específicos para esse tipo de inteligência artificial.
O que os dados da pesquisa mostram?
Entre os principais resultados, 71% das agências governamentais afirmam que pretendem ampliar o uso de IA agente em 2026 e 2027. Além disso, 94% dos líderes entrevistados disseram acreditar que esses sistemas vão transformar de forma fundamental a natureza do trabalho dentro das organizações públicas.
A percepção de impacto também aparece em comparação com outras tecnologias. De acordo com o levantamento, 56% dos líderes acreditam que a IA terá impacto maior do que a internet e a computação em nuvem; 51% dizem que o efeito será superior ao do computador pessoal; e 46% avaliam que a transformação será maior do que a provocada pelos smartphones.
- 82% das organizações governamentais já adotaram agentes de IA
- 60% dos líderes dizem que o setor público está à frente do privado
- 71% das agências planejam ampliar o uso em 2026 e 2027
- 94% acreditam em transformação profunda da natureza do trabalho
- 85% estimam economia de até 45% do tempo semanal da força de trabalho
Em quais áreas o governo mais usa agentes de IA?
Os usos considerados mais críticos para a missão pública incluem detecção de fraude, desperdício e abuso, citada por 44% dos entrevistados, e gestão de ameaças de cibersegurança, com 36%. Entre as aplicações classificadas como não críticas para a missão, aparecem gestão de benefícios sociais, com 24%, segurança pública, com 22%, e usos específicos de defesa, também com 22%.
Para os líderes ouvidos, o principal benefício do trabalho digital é melhorar a capacidade de resposta às demandas dos cidadãos por serviços mais rápidos, inteligentes e personalizados. O estudo informa ainda que 83% dos entrevistados veem os agentes de IA como peça central para transformar a estrutura das agências governamentais.
Como fica o trabalho humano nesse cenário?
A projeção da IDC é de que, até 2030, quase nove em cada dez líderes governamentais, ou 89%, enxerguem uma força de trabalho híbrida, com humanos e agentes de IA atuando em conjunto. Quase três em cada quatro esperam que todo funcionário humano que hoje gerencia subordinados também passe a gerenciar agentes de IA até esse período.
O estudo indica que a adoção crescente não é vista apenas como substituição de tarefas. Para 59% dos líderes, haverá aumento no tamanho de certos times e departamentos, com mais necessidade de oportunidades de liderança. Além disso, 77% afirmam que os agentes de IA devem permitir que mais trabalhadores humanos se dediquem a atividades de maior valor e mais satisfatórias.
Nos próximos cinco anos, as áreas com maior foco de contratação devem incluir especialistas em gestão e estratégia de IA, suporte técnico e de tecnologia da informação, além de profissionais de governança e ética em inteligência artificial. Já os cargos que, segundo os entrevistados, devem sofrer impacto mais disruptivo são os de TI, funções administrativas e de escritório, e postos de gestão e liderança.
Qual é a perspectiva para os próximos anos?
A IDC avalia que os próximos dois anos serão decisivos para a expansão da IA agente no governo. O estudo citado pela reportagem também projeta que o uso desses agentes no setor privado entre as 2.000 maiores empresas globais deve crescer dez vezes até 2027.
Em escala global, a consultoria projeta mais de 1 bilhão de agentes de IA ativos e implantados até 2029, acima dos 25 milhões registrados em 2025. A estimativa é de que esses agentes executem mais de 217 bilhões de ações por dia e movimentem um gasto anual global de US$ 68 bilhões. Nesse cenário, a IDC considera que os órgãos públicos terão papel relevante no total de agentes ativos implantados no mundo ao longo dos próximos cinco anos.