O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) iniciou o processo de análise técnica das imagens captadas pelas câmeras corporais de policiais militares envolvidos na ocorrência que resultou na morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio. O incidente, que gerou repercussão imediata sobre os protocolos de abordagem, ocorreu na região de Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital paulista, durante uma ação de patrulhamento de rotina que culminou em disparos de arma de fogo.
De acordo com informações do UOL Notícias, as gravações das Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) são consideradas peças fundamentais para o esclarecimento do caso. Um dos trechos mais relevantes da gravação, segundo relatos preliminares, registra o momento em que um colega de farda questiona o policial autor dos disparos sobre a motivação de ter atirado contra a vítima, evidenciando uma possível discordância técnica ou tática no momento do confronto.
Qual o papel do Ministério Público neste caso?
A intervenção do Ministério Público ocorre no âmbito do controle externo da atividade policial. Os promotores de Justiça buscam identificar se houve uso excessivo da força ou se o protocolo de escalonamento de armas foi devidamente respeitado pelos agentes envolvidos. A análise das imagens permitirá confrontar o depoimento dos policiais com a realidade factual registrada pelos dispositivos acoplados aos uniformes, garantindo maior transparência ao inquérito.
A investigação criminal em curso avalia não apenas o ato isolado do disparo, mas todo o contexto da abordagem na Cidade Tiradentes. O material audiovisual será submetido a perícias para verificar a continuidade das gravações e se houve qualquer tipo de manipulação ou interrupção indevida do sinal durante a ocorrência fatal que vitimou Thawanna Salmázio.
Como as câmeras corporais auxiliam na investigação?
O uso de tecnologia de monitoramento corporal pela Polícia Militar tem como objetivo principal a produção de provas imparciais. No caso de Thawanna, a gravação captou as reações imediatas da equipe após o disparo, o que serve como evidência comportamental e processual. O Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep) costuma acompanhar esses casos para assegurar que a investigação seja conduzida de forma isenta.
Os principais pontos analisados pelo Ministério Público nas imagens incluem:
- O cumprimento das ordens de parada e a postura da vítima antes dos disparos;
- A comunicação via rádio entre os agentes e o Centro de Operações;
- O diálogo entre os policiais imediatamente após o ocorrido;
- A prestação de socorro à vítima e a preservação do local do crime.
Quais são as próximas etapas do processo?
Atualmente, o caso é tratado com base no princípio da presunção de inocência, enquanto o policial responsável pelos disparos é considerado suspeito de homicídio ou de infração administrativa grave. Além da análise das câmeras, o Ministério Público aguarda os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística para complementar o conjunto probatório sobre a morte de Thawanna da Silva Salmázio.
A expectativa é que as testemunhas presenciais sejam ouvidas nas próximas semanas para ratificar o que foi capturado pelas lentes das COPs. O rigor na apuração é uma demanda tanto da sociedade civil quanto de órgãos de direitos humanos, que monitoram a letalidade policial em áreas periféricas de São Paulo. A conclusão do inquérito determinará se haverá denúncia formal contra os envolvidos perante a Justiça comum ou se o caso seguirá para o tribunal militar.