
A missão Artemis 2 alcançou o seu quarto dia de viagem neste sábado (4 de abril de 2026), focada em realizar uma queima de correção de trajetória para refinar o caminho da nave Orion em direção à Lua. Os quatro astronautas a bordo seguem um cronograma rigoroso estabelecido pela NASA para garantir a segurança e o sucesso da jornada espacial. O avanço do programa atrai o interesse direto do Brasil, que em 2021 se tornou o primeiro país sul-americano a assinar os Acordos Artemis, alinhando a Agência Espacial Brasileira (AEB) aos princípios de exploração lunar propostos pelos Estados Unidos.
De acordo com informações do Olhar Digital, a programação oficial exige que cada membro da tripulação dedique uma hora para revisar os alvos geográficos lunares. O objetivo é preparar o grupo para as fotografias que serão capturadas no sexto dia de voo, permitindo um estudo detalhado da superfície do satélite natural.
O que os astronautas farão no quarto dia de voo?
Além do estudo prévio dos alvos geográficos, o quarto dia reserva um momento específico para o registro de imagens. Os tripulantes terão 20 minutos dedicados exclusivamente para fotografar os corpos celestes através das janelas da cápsula espacial.
No dia anterior, o comandante Jeremy Hansen, representante da Agência Espacial Canadense, chegou a se preparar para executar a primeira de três queimas de motor programadas. No entanto, os controladores de voo do Centro Espacial Johnson, localizado na cidade de Houston, optaram pelo cancelamento imediato do procedimento de ignição menor.
Quais foram os marcos dos três primeiros dias da missão?
A jornada até o momento foi marcada por desafios técnicos e etapas cruciais para a navegação no espaço profundo, testando a capacidade de resposta da equipe:
- No primeiro dia, a agência norte-americana precisou contornar uma falha de última hora no sistema de destruição do foguete SLS antes de realizar o lançamento, que ocorreu na Flórida. Após atingir a órbita, a nave abriu quatro painéis solares em formato de letra xis para gerar os 11 quilowatts de energia necessários. Uma manobra também ajustou a órbita para altitudes entre 185 e 2.222 quilômetros.
- No segundo dia, a tripulação despertou ao som de música escolhida pelo controle de missão e testou o dispositivo de exercício físico de voo. A astronauta Christina Koch precisou realizar um conserto emergencial no sistema sanitário da nave. Durante a noite, ocorreu a Injeção Translunar, com o acionamento dos motores por quase seis minutos para colocar o veículo na rota definitiva para a Lua.
- No terceiro dia, os tripulantes testaram equipamentos médicos, incluindo termômetro, monitor de pressão arterial e estetoscópio. Eles também conversaram com a imprensa e familiares. A espaçonave adentrou a magnetocauda, a extensa região do campo magnético da Terra que é moldada e alongada pelo vento solar.
O que está previsto para o quinto dia no espaço?
A expectativa é que a cápsula alcance a esfera de influência lunar durante o quinto dia de viagem. A partir deste momento específico, a força gravitacional exercida pela Lua se tornará mais forte do que a atração gravitacional da Terra sobre a estrutura da espaçonave.
Ao entrarem na vizinhança lunar, os astronautas iniciarão os testes práticos com seus trajes espaciais alaranjados, conhecidos formalmente como Sistema de Sobrevivência da Tripulação Orion. Estes equipamentos são fundamentais para proteger a equipe durante as fases mais críticas da missão, que englobam o lançamento e a posterior reentrada na atmosfera terrestre.
Em cenários de extrema emergência, caso ocorra a despressurização repentina do módulo habitável, o traje é capaz de fornecer uma atmosfera respirável para o astronauta por um período máximo de seis dias. Esta redundância técnica garante uma camada extra de segurança vital para a tripulação enquanto navegam na órbita ao redor da Lua.