O Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS CE) inaugura, no dia 15 de abril de 2026, a exposição fotográfica intitulada “Uma Rua Chamada Cinema”. A cerimônia de abertura ocorrerá às 15h, no anexo da instituição localizada na capital cearense. De acordo com informações do Governo do Ceará, a mostra permanecerá em cartaz até o dia 19 de julho. O museu faz parte da Rede Pública de Espaços e Equipamentos Culturais, vinculada à Secretaria da Cultura do estado, com gestão administrativa do Instituto Mirante.
Idealizada pelo jornalista e fotógrafo Sérgio Poroger, a coletânea conta com a curadoria de João Kulcsar. O acervo apresenta 36 fotografias que retratam salas de exibição tradicionais e homenageiam os trabalhadores dos bastidores da sétima arte em diversos países. Entre os profissionais documentados estão bilheteiros, trocadores de letreiros, vendedores de pipoca e projecionistas, figuras consideradas fundamentais para o funcionamento do setor cultural antes da era digital.
Qual é o papel do Cineteatro São Luiz na mostra?
Uma das imagens centrais da nova atração cultural cearense destaca o letreiro do Cineteatro São Luiz, reconhecido como um marco arquitetônico do centro de Fortaleza e um dos poucos cinemas de rua de grande porte ainda em pleno funcionamento no Brasil. O espaço foi fundado em março de 1958 pelo empresário Luiz Severiano Ribeiro e recebeu tombamento como patrimônio histórico e cultural do estado no ano de 1991. A fotografia registra o momento exato da troca de cartazes na fachada do prédio histórico.
Sobre a experiência de registrar o tradicional cinema cearense, o autor das imagens, Sérgio Poroger, destacou a importância da interação humana com o espaço urbano:
“Ter fotografado em 2019 a troca dos letreiros na fachada do Cine São Luiz foi como ter assistido a um pequeno ritual do tempo. Ali, no coração de Fortaleza, o cinema não é apenas o que acontece na tela. Ele começa do lado de fora, na fachada, onde o presente encontra o passado em cada mudança de cartaz.”
Como a exposição reflete as mudanças no consumo audiovisual?
Além de documentar a rotina das pessoas que viabilizam o funcionamento das salas, a mostra propõe uma análise sobre as profundas mudanças sociais e tecnológicas do mercado audiovisual. O fechamento e abandono das salas de rua representam um fenômeno em todo o cenário nacional brasileiro, impulsionado inicialmente pela migração dos complexos de exibição para dentro de shopping centers a partir da década de 1990. O projeto convida o público a refletir sobre a transição do hábito coletivo de frequentar estabelecimentos de calçada para a atual realidade, amplamente dominada pelos serviços de transmissão digital (streaming) e pelo consumo restrito aos ambientes domésticos.
O curador do projeto fotográfico, João Kulcsar, ressaltou a ligação afetiva do fotógrafo com o tema e a relevância de preservar a memória desses espaços:
“Os cinemas de rua constituíram uma parte indelével da infância do fotógrafo. Inspirado por essa vivência, nutriu o desejo de nos conduzir por uma jornada visual, capturando fotografias de salas de cinema por vários países, desde os Estados Unidos, Holanda, Polônia, Argentina até o Brasil.”
Onde o projeto fotográfico internacional foi iniciado?
A pesquisa visual que deu origem à exposição começou no ano de 2017, durante uma extensa viagem realizada nos Estados Unidos. O objetivo inicial era descobrir localidades que refletissem o impacto da indústria audiovisual no cotidiano das pessoas comuns. Para alcançar esse resultado, o artista optou por evitar os grandes polos comerciais, como Hollywood e os estúdios de Los Angeles, concentrando seu foco na costa leste do território estadunidense.
Durante a execução do seu roteiro internacional, o profissional documentou diversas localidades. A evolução do projeto contou com duas fases principais de captação de imagens:
- A primeira etapa consistiu em uma viagem rodoviária de Nova York a Miami, passando por sete cidades norte-americanas, como Filadélfia e Charleston.
- A segunda fase expandiu os horizontes da pesquisa documental para incluir cidades da Holanda, Polônia, Argentina e diferentes regiões do Brasil.
O fotógrafo paulistano responsável pelas imagens é formado em jornalismo e possui mais de quatro décadas de experiência em assessoria de imprensa. Seu interesse pela cultura urbana o levou a expor este mesmo trabalho no estado de São Paulo no ano de 2024, antes de trazê-lo para a capital cearense. A entrada para visitação no anexo do equipamento cultural público na Avenida Barão de Studart ocorre nos horários oficiais de funcionamento administrativo do museu.
