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ETFs crescem 70% no Brasil e ampliam espaço na carteira do investidor

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Os ETFs ganharam espaço no mercado brasileiro entre janeiro de 2025 e março de 2026, com avanço de 70% no número de fundos de índice listados no país, segundo levantamento citado pela InfoMoney. O movimento envolve gestoras, distribuidores e investidores, especialmente no segmento de renda fixa, em um cenário de juros elevados e busca por produtos mais simples, líquidos e com menor custo. De acordo com informações da InfoMoney, com base em dados da consultoria Elos Ayta, o Brasil chegou a 189 ETFs listados na B3 até março de 2026.

Ao considerar também os BDRs de ETFs, o total chega a 398 produtos listados. Em janeiro de 2025, eram 111 fundos de índice no mercado brasileiro. Ainda segundo o levantamento, os BDRs de ETFs cresceram 49%, enquanto o volume negociado avançou 38%. No primeiro trimestre de 2026, a classe registrou a segunda maior captação líquida entre os fundos, no melhor resultado para o período nos últimos cinco anos.

Por que os ETFs avançaram com força no mercado brasileiro?

O texto aponta que a renda fixa teve papel central nessa expansão. Dos R$ 17,8 bilhões em entradas líquidas da indústria no primeiro trimestre de 2026, R$ 15,5 bilhões foram direcionados a ETFs de renda fixa. Esse desempenho reflete a procura por estratégias consideradas eficientes em um ambiente de juros ainda altos.

Gestoras como XP Asset, Itaú Asset e Galapagos Capital aceleraram o lançamento de produtos para ampliar a oferta ao investidor. A XP Asset, por exemplo, passou de oito para 22 fundos em seis meses, em um movimento descrito no texto como uma tentativa do mercado de preencher diferentes categorias de investimento com fundos de índice.

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“Houve uma corrida para ter produtos em todas as caixinhas. O mercado de forma geral fez isso para virar para o investidor e oferecer um menu completo”, detalha Danilo Gabriel, sócio e gestor de fundos indexados e internacionais da XP Asset.

Na avaliação dos entrevistados pela reportagem original, a experiência com ETFs de renda fixa pode facilitar a entrada dos investidores em outras estratégias. O argumento é que, ao entender melhor o funcionamento desse tipo de produto, o investidor tende a ampliar o uso da ferramenta dentro da carteira.

Quais fatores explicam esse crescimento dos ETFs?

A reportagem reúne três motores principais para esse avanço recente:

  • tributação;
  • mudanças na distribuição dos produtos;
  • perspectivas regulatórias.

No campo tributário, Bruno Stein, head de ETFs da Galapagos Capital, afirma que os ETFs de renda fixa eliminam mecanismos presentes em outras alternativas, como o come-cotas e o pagamento de imposto ao longo do caminho em determinados casos. Segundo ele, a ausência de prazo de vencimento também é uma vantagem para quem mantém o investimento por mais tempo.

“Se você ficar 20 anos investido, não vai pagar um centavo de IR ao longo do caminho, só no resgate. Esse dinheiro que iria para o governo continua rendendo para você.”

Outro fator citado é a mudança no modelo de remuneração da distribuição. Pedro Rudge, diretor da Anbima, afirma que historicamente os ETFs não pagavam comissões, o que reduzia o incentivo comercial para sua oferta. Com a expansão do modelo fee based e a transparência exigida pela CVM 179, esse cenário começou a mudar.

“Na medida em que o conceito de fee based é cada vez mais adotado em troca dos rebates por produto, a tendência é que os assessores incentivem a adoção maior desse tipo de produto, que é mais competitivo e não tem come-cotas”.

O que ainda pode impulsionar esse mercado?

Além do crescimento já observado, a expectativa em torno de mudanças regulatórias aparece como possível vetor adicional. O texto cita a perspectiva de liberação dos ETFs de gestão ativa pela Comissão de Valores Mobiliários. A avaliação é que uma flexibilização das regras pode ampliar a gama de produtos disponíveis nas plataformas.

Danilo Gabriel afirma que a CVM incluiu o ETF ativo em sua pauta estratégica para 2026 e já concedeu dispensa para um BDR de ETF do JP Morgan. Para ele, a medida não resolverá sozinha o crescimento do setor, mas pode contribuir para o avanço da indústria.

“Não será a bala de prata do crescimento da indústria, mas será um bom contribuinte”, avalia o gestor da XP Asset.

A reportagem também destaca que, apesar da concentração recente em produtos ligados a juros e inflação, o mercado vê espaço para expansão em outras classes de ativos. A leitura dos especialistas ouvidos é que o aumento da oferta, somado à maior familiaridade do investidor com o instrumento, pode consolidar os ETFs como uma alternativa mais frequente de alocação no Brasil.

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