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Memes como ‘farmar aura’ e ‘six seven’ chegam às salas de aula no RS

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Expressões como “farmar aura”, “six seven” e “feijão com farinha”, populares entre jovens, passaram a aparecer também em salas de aula de Caxias do Sul, na Serra do Rio Grande do Sul, como forma de aproximação entre professores e estudantes. Segundo a reportagem, essa linguagem digital vem sendo usada no cotidiano escolar para chamar a atenção dos alunos e tornar as aulas mais dinâmicas. De acordo com informações do g1, o fenômeno reflete uma forma de comunicação baseada em humor, identificação e compartilhamento rápido de referências.

De acordo com a reportagem, os memes funcionam como uma linguagem que surge a partir de situações cotidianas, se espalha com velocidade entre os jovens e pode desaparecer em poucos dias. Ainda assim, enquanto circulam, ajudam a criar vínculos sociais e um senso de pertencimento entre quem entende a referência.

O que significam expressões como “farmar aura” e “six seven”?

Entre os exemplos citados, “farmar” vem do universo dos jogos e significa acumular, enquanto “aura” é associada ao carisma. Na prática, “farmar aura” passou a ser usado para indicar que alguém fez algo considerado marcante ou ganhou destaque em uma situação. O estudante Francisco Gasparin, de 14 anos, resume o uso da expressão ao explicar:

“Tirei nota boa na prova, mas meu amigo não. Eu farmei mais aura que ele”

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Já “six seven”, que corresponde a 67 em inglês, surgiu de um vídeo viral de um garoto em um jogo de basquete. Conforme a reportagem, a expressão passou a ser repetida mais pela sonoridade do que por um significado específico. O estudante Artur Macedo Rosso, de 14 anos, descreve o hábito:

“Quando aparece o número 67 em qualquer lugar, a gente fala ‘six seven'”

Por que esses memes atraem os jovens?

O psicólogo e professor universitário Felipe Ventura Botomé afirma, na reportagem, que o apelo dessas expressões está no humor e no sentimento de pertencimento. Segundo ele, mesmo quando parecem não fazer sentido para quem está fora desse universo, elas podem ter valor justamente por produzirem estranhamento e graça entre os jovens.

“Mesmo sem sentido, para os jovens pode ter algum sentido, mesmo que seja do próprio humor. Quando nós pensamos na estranheza, no bizarro, isso gera o humor e o humor pode ser compartilhado”

Esse tipo de comunicação, portanto, não depende apenas de uma definição objetiva. O valor está também no reconhecimento coletivo da referência e na rapidez com que ela circula em grupos, redes e conversas presenciais.

Como professores estão usando essa linguagem em sala de aula?

Em Caxias do Sul, alguns professores passaram a incorporar essas expressões nas aulas como estratégia para se aproximar dos alunos e facilitar a transmissão do conteúdo. O professor de química Emiliano Chemello afirma que o processo pode ser desafiador, mas vê nessa tentativa uma oportunidade de criar vínculo com a turma.

“É um pouco desafiador, eu vou confessar, mas eu gosto de encarar esse desafio como uma oportunidade de me conectar com os alunos, de estabelecer um vínculo afetivo e através desse vínculo conseguir passar o conteúdo”

A avaliação dos estudantes sobre essa prática, segundo a reportagem, é positiva. Para Valentina Betto Perottoni, de 17 anos, o uso desse tipo de referência pode aproximar professor e aluno, especialmente em disciplinas consideradas mais difíceis.

“Às vezes é uma piada com o próprio conteúdo. E eu acho que isso aproxima bastante, principalmente em matérias que às vezes são um pouco mais difíceis. Torna a aula um pouco mais dinâmica”

Qual é o efeito dessa aproximação no ambiente escolar?

Na análise de Felipe Ventura Botomé, quando o professor busca compreender e usar referências do universo dos estudantes, ele tenta se aproximar da forma como esses jovens prestam atenção e interagem entre si. O psicólogo afirma:

“É o professor buscando ‘farmar aura’, né? Se tem uma característica muito importante dos memes é que, mesmo com poucas informações, de uma forma muito rápida, eles chamam a atenção. E chamar a atenção no contexto de sala de aula pode ser muito importante”

A reportagem aponta que o principal efeito dessa linguagem é a conexão entre as pessoas. Nesse contexto, entender um meme deixa de ser apenas saber o significado de uma expressão e passa a representar participação em um grupo.

“Entender daquele meme é ser parte de algo. Fazendo parte, a gente consegue se sentir socialmente aceito. Isso também traz um certo benefício para as pessoas”

Entre os pontos destacados pela reportagem sobre o uso de memes entre jovens e no ambiente escolar, estão:

  • o humor como elemento central da comunicação;
  • o sentimento de pertencimento gerado pelas referências compartilhadas;
  • a rapidez com que essas expressões surgem e se espalham;
  • o uso pedagógico como tentativa de aproximação entre professores e alunos.

Embora muitas dessas expressões possam parecer passageiras, o caso relatado em Caxias do Sul mostra como a cultura digital já influencia interações fora das redes sociais e chega ao cotidiano da escola. Mais do que traduzir gírias, a discussão envolve compreender como os jovens se comunicam, constroem vínculos e reconhecem sinais de pertencimento em seu próprio grupo.

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