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Mata Atlântica teve 1,67 milhão de hectares restaurados em dez anos

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A Mata Atlântica registrou a restauração de 1,67 milhão de hectares de florestas nativas entre 2011 e 2021, segundo estudo publicado no periódico científico Perspectives in Ecology and Conservation (em português, Perspectivas em Ecologia e Conservação), com base em dados do MapBiomas, iniciativa colaborativa que monitora o uso e a cobertura da terra no Brasil por imagens de satélite. O levantamento trata da recuperação florestal no bioma ao longo da última década e indica que esse avanço ocorreu de forma mais intensa em Minas Gerais, Paraná, Bahia e São Paulo. De acordo com informações do EcoDebate, a análise também aponta desafios para manter as áreas regeneradas preservadas ao longo do tempo.

O estudo informa que o processo de recuperação foi mais intenso em Minas Gerais, com 26,4% da área restaurada, seguido por Paraná, com 18,6%, Bahia, com 12,9%, e São Paulo, com 12,7%. Embora o mapeamento não diferencie quais áreas passaram por regeneração natural e quais receberam ações de restauração ativa, os pesquisadores avaliam que a maior parte do crescimento da cobertura florestal ocorreu por processos naturais.

Onde a recuperação da Mata Atlântica foi mais intensa?

Os dados destacam a concentração do avanço em quatro estados, que reuniram a maior parte da área recuperada no período analisado:

  • Minas Gerais: 26,4%
  • Paraná: 18,6%
  • Bahia: 12,9%
  • São Paulo: 12,7%

Segundo Vinicius Tonetti, primeiro autor do estudo e pesquisador de pós-doutorado no Centro de Ciência para o Desenvolvimento “Estratégia Mata Atlântica”, os resultados indicam a viabilidade da recuperação em larga escala no bioma. O centro recebe apoio da Fapesp, fundação pública de fomento à pesquisa do estado de São Paulo, está sediado no Campus Lagoa do Sino da UFSCar e tem o professor Paulo Guilherme Molin, do Centro de Ciências da Natureza, como pesquisador responsável.

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“Os dados mostram que restaurar a Mata Atlântica é um caminho viável e necessário para proteger a biodiversidade e enfrentar as mudanças climáticas, mesmo em paisagens com intensa atividade produtiva”

A pesquisa também mostra que 75,2% do aumento da cobertura florestal ocorreu em áreas classificadas como “mosaicos de uso”, regiões com mistura de pequenas lavouras, pastagens e vegetação em regeneração. De acordo com os pesquisadores, esses locais frequentemente incluem pastagens abandonadas ou pouco produtivas, que podem se recuperar naturalmente quando há condições ambientais favoráveis.

Quais desafios ainda comprometem a permanência dessas áreas?

Apesar do avanço identificado entre 2011 e 2021, o estudo aponta que parte da vegetação regenerada não se manteve. Segundo a análise, 568 mil hectares de áreas que haviam se recuperado deixaram de existir até 2023, último ano considerado no levantamento. Para os autores, esse dado reforça a necessidade de medidas que assegurem a conservação das florestas jovens.

“O trabalho de restauração não termina quando a floresta começa a crescer. É fundamental proteger as florestas jovens para que elas se consolidem e continuem oferecendo benefícios ambientais”

Entre as medidas citadas como estratégicas para garantir a permanência dessas áreas estão:

  • pagamentos por serviços ambientais;
  • fiscalização ambiental;
  • políticas específicas para a proteção de florestas secundárias.

O estudo ressalta que essas áreas têm relevância para a conservação da biodiversidade, o armazenamento de carbono e a regulação do ciclo da água. Nesse contexto, a manutenção da vegetação regenerada passa a ser tão importante quanto a expansão da cobertura florestal.

Qual é o papel da regeneração natural nesse processo?

Os pesquisadores destacam a regeneração natural como uma estratégia eficiente e de menor custo para recuperar grandes áreas da Mata Atlântica. Segundo Tonetti, esse processo depende fortemente da atuação da fauna, especialmente de aves e mamíferos frugívoros que dispersam sementes pela paisagem e favorecem a recomposição da floresta.

“Muitas espécies de árvores tropicais têm sementes dispersas por aves e mamíferos frugívoros. Esses animais transportam e espalham as sementes pela paisagem, favorecendo a regeneração das florestas”

Ao todo, a pesquisa reuniu 16 cientistas de 14 instituições, entre universidades, organizações não governamentais e coletivos de restauração. Todos os autores integram o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, iniciativa voltada à recuperação do bioma em larga escala. O estudo completo está disponível na plataforma ScienceDirect.

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