A Marinha do Brasil concluiu, na última sexta-feira, 27 de março de 2026, uma operação de salvamento para resgatar o navio-tanque NW AIDARA, de bandeira do Togo, que ficou à deriva no Oceano Atlântico. A embarcação enfrentou uma falha grave em seu sistema de propulsão e permaneceu sem governo por quase dois meses antes de ser conduzida em segurança ao Porto de Fortaleza, no Ceará. A ação foi coordenada pelo Comando do Terceiro Distrito Naval, sediado em Natal, com apoio direto da Capitania dos Portos do Ceará.
De acordo com informações da Radioagência Nacional, a embarcação estava inicialmente em uma região de transição entre a área de responsabilidade de busca e salvamento de Dakar, na África Ocidental, e a costa brasileira. O alerta inicial foi emitido em 25 de fevereiro de 2026, quando o centro de coordenação Salvamar Nordeste recebeu a notificação de que o petroleiro apresentava pane completa no sistema hidráulico, impedindo qualquer manobra autônoma em alto-mar. O Salvamar é a estrutura da Marinha responsável pela coordenação de busca e salvamento marítimo na área sob responsabilidade brasileira.
Como ocorreu o resgate do navio africano pela Marinha?
O resgate envolveu monitoramento constante desde que o navio entrou na zona de busca e salvamento sob jurisdição brasileira, situada a aproximadamente 1.250 quilômetros da costa do país. Durante as semanas em que a embarcação esteve sem motores, a Marinha do Brasil estabeleceu diversos canais de comunicação com o comando do NW AIDARA para oferecer assistência técnica remota e acompanhar o estado de saúde das pessoas a bordo, com o objetivo de garantir a segurança da navegação e evitar danos ambientais.
Após tentativas frustradas de reparos emergenciais realizadas pela própria tripulação em pleno oceano, a autoridade naval brasileira determinou que o rebocamento seria a alternativa viável para evitar riscos à navegação e à costa nordestina. A logística de reboque exigiu precisão técnica, considerando o porte da embarcação e as condições das correntes marítimas que a empurravam em direção às águas sob responsabilidade do Brasil.
Quais eram as condições da tripulação do NW AIDARA?
A embarcação contava com uma tripulação de 11 pessoas, que enfrentaram condições severas durante os quase 60 dias de deriva. Além da incerteza sobre o resgate, os marinheiros lidaram com a escassez progressiva de alimentos e água potável. Segundo os relatos da operação, o apoio logístico da Marinha foi fundamental para manter a integridade física dos tripulantes até a chegada ao território brasileiro.
Os pontos principais desta operação de salvamento incluíram:
- Detecção da falha hidráulica em 25 de fevereiro de 2026;
- Monitoramento de 11 tripulantes estrangeiros em situação de risco;
- Coordenação entre Salvamar Nordeste e o Terceiro Distrito Naval;
- Entrada no Porto de Fortaleza em 27 de março para reparos finais.
Qual a importância da atuação do Salvamar Nordeste neste caso?
A atuação do Salvamar Nordeste destaca a importância estratégica do Brasil no cumprimento de compromissos internacionais de busca e salvamento no Atlântico Sul. O país é responsável por uma vasta área marítima nessa atividade e precisa responder a incidentes com embarcações estrangeiras que cruzam a região, independentemente da nacionalidade do navio. Neste caso, a coordenação da Capitania dos Portos do Ceará foi decisiva para a recepção segura da embarcação no terminal portuário.
Ao chegar a Fortaleza, capital cearense e um dos principais portos do Nordeste, o navio passou por inspeções das autoridades portuárias e sanitárias para verificar tanto as condições estruturais do petroleiro quanto o estado de saúde dos 11 profissionais a bordo. A Marinha do Brasil informou que a operação foi concluída sem feridos e sem danos ao meio ambiente marinho.
