O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a interferência de líderes estrangeiros em eleições de outros países, defendeu a soberania nacional e cobrou respeito ao multilateralismo durante o Fórum em Defesa da Democracia, realizado neste sábado (18), na Espanha. No discurso, Lula afirmou que cada povo deve decidir seus próprios rumos políticos, sem tutela externa, e também voltou a defender regras para plataformas digitais, sob o argumento de que elas afetam a vida democrática. De acordo com informações do DCM, a fala ocorreu diante de líderes progressistas reunidos no evento.
Ao abordar a soberania eleitoral e territorial, o presidente afirmou que nenhum chefe de Estado deveria impor regras a outras nações nem atuar politicamente em disputas eleitorais fora de seu país. A declaração foi apresentada por Lula como parte de uma defesa mais ampla da Carta da ONU e do direito de cada sociedade de organizar sua própria democracia.
O que Lula disse sobre soberania e eleições?
Um dos trechos centrais do discurso foi a crítica à interferência externa em processos políticos nacionais. Lula afirmou que a democracia em cada país deve ser construída internamente, de acordo com a realidade de seu povo, e não por imposição estrangeira.
“Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países.”
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“Não pode um presidente da República de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro? Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial”.
Na mesma linha, o presidente disse que a democracia é responsabilidade de cada nação e que os próprios povos devem encontrar seus caminhos políticos. A argumentação foi usada para sustentar que o respeito à soberania precisa voltar ao centro do debate internacional.
Como o presidente relacionou o tema ao multilateralismo?
Lula também direcionou críticas ao cenário internacional e ao funcionamento dos organismos multilaterais. Segundo ele, há um enfraquecimento dessas instâncias e um avanço de decisões unilaterais por parte de grandes potências, o que agravaria a instabilidade global.
No discurso, o presidente citou a ONU e, em especial, o Conselho de Segurança. Ele afirmou que os membros permanentes do órgão concentram poder excessivo e atuam sem a devida consulta ao organismo internacional em temas centrais da política mundial.
“A democracia em cada país nosso, ela é da nossa responsabilidade, da responsabilidade cultural do nosso povo. Nós vamos nos virar e o povo de cada país vai encontrar o seu jeito de fazer democracia”.
Ao citar Iraque, Líbia, Ucrânia, Irã, Gaza e Venezuela, Lula argumentou que seguem prevalecendo ações unilaterais, em vez de soluções debatidas nos fóruns internacionais dos quais esses países participam. Para ele, o problema atual não se limita à democracia interna de cada país, mas inclui também a falta de democracia nas relações entre as nações.
Qual foi a crítica de Lula às plataformas digitais?
Outro eixo da fala foi o impacto das redes e das plataformas digitais sobre a democracia. Lula afirmou que, sem ação do Estado, não há controle efetivo sobre essas empresas e que o tema não pode ser tratado apenas de forma isolada por cada país.
“Pouco social e muito ódio, muita promiscuidade, muito sexo e muita jogatina e muito pouco de social”.
Segundo o presidente, a regulação das plataformas deve ser tratada como uma questão mundial, porque seus efeitos ultrapassam fronteiras e influenciam diretamente o debate público e a circulação de informações.
“Controlar as plataformas digitais e por regras democráticas é uma questão mundial, não é uma questão de um país ou de outro”.
Lula também resumiu sua avaliação sobre o ambiente digital ao afirmar que a disseminação de desinformação compromete o funcionamento da democracia. Nesse contexto, ele associou soberania, voto popular e regulação das plataformas como partes de um mesmo debate internacional.
- Defesa da soberania eleitoral e territorial dos países
- Crítica à interferência externa em eleições nacionais
- Cobrança de fortalecimento do multilateralismo
- Questionamento ao funcionamento atual da ONU e do Conselho de Segurança
- Defesa de regulação global das plataformas digitais