
Três homens foram condenados pelo Tribunal do Júri da comarca de Casca, município da região norte do Rio Grande do Sul, pelo assassinato de Neusa Maria Rapkievicz, de 56 anos, e sua filha, Paula Rapkievicz, de 32 anos. O julgamento, que teve início na manhã de terça-feira e se encerrou na noite de quarta-feira, 1º de abril de 2026, resultou em penas severas para os executores do crime ocorrido em 2020. No Brasil, o Tribunal do Júri é o órgão do Poder Judiciário responsável por julgar crimes dolosos contra a vida, e o desfecho rigoroso em casos de emboscada e disputas patrimoniais reforça a resposta institucional do país contra a impunidade em crimes graves. O Conselho de Sentença acolheu integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público, reconhecendo a prática de duplo homicídio qualificado.
De acordo com informações do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), as penas aplicadas aos réus variam conforme o grau de participação e os antecedentes de cada um. O primeiro acusado foi sentenciado a 49 anos de reclusão; o segundo recebeu uma pena de 40 anos e dez meses; enquanto o terceiro foi condenado a 28 anos de prisão. Todos os sentenciados já se encontravam recolhidos ao sistema prisional durante o andamento do processo judicial.
Quais foram as penas e como está o andamento processual dos envolvidos?
A condenação dos três executores marca um passo importante na resolução do caso, mas o processo ainda terá novos desdobramentos. Outros dois acusados, apontados pelo MPRS como os mandantes do crime, seriam julgados na mesma sessão, mas tiveram o processo cindido. O novo julgamento para estes indivíduos está agendado para o dia 20 de maio de 2026. A decisão pela cisão ocorreu após intercorrências durante a sessão do júri.
Um fato marcante durante o julgamento foi o abandono do plenário por parte da defesa de um dos réus, ocorrido sem justificativa legal aceitável. Diante da situação, foi necessária a constituição de um novo defensor para assegurar o rito processual. Para evitar prejuízos à instrução e garantir a ordem, o Ministério Público requereu a prisão preventiva de um dos supostos mandantes, que até então respondia ao processo em liberdade. O pedido foi aceito pelo magistrado e o réu foi preso imediatamente no plenário.
Qual foi a motivação apontada para o duplo homicídio de mãe e filha?
Durante os dois dias de intensos debates jurídicos, os promotores de Justiça Aline Beatriz Bibiano e Fabrício Gustavo Allegretti detalharam as razões que levaram ao crime brutal. Segundo a acusação, o duplo homicídio foi motivado por conflitos familiares profundos, envolvendo disputas por patrimônio e desentendimentos relacionados à guarda de uma criança. A tese acusatória sustentou que o crime foi executado mediante emboscada, o que impediu qualquer possibilidade de defesa pelas vítimas.
O MPRS demonstrou que houve o uso de recursos que dificultaram a defesa de Neusa e Paula, além da configuração de motivo torpe e promessa de recompensa financeira para os executores. Os promotores utilizaram um conjunto robusto de provas testemunhais e periciais para convencer os jurados sobre a dinâmica criminosa e a responsabilidade individualizada de cada um dos réus no plano de execução.
Quais evidências foram fundamentais para a condenação dos réus?
A atuação do Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ) foi essencial para estruturar a apresentação das provas periciais colhidas desde a época do crime, em 2020. Os promotores enfatizaram que a execução não foi um ato isolado, mas uma ação coordenada mediante pagamento. O detalhamento técnico das perícias ajudou a confirmar a presença e a ação dos acusados no local do crime, reforçando o pedido de condenação máxima diante da gravidade dos fatos.
Os pontos principais apresentados pela acusação incluíram:
- A existência de um planejamento prévio caracterizado como emboscada;
- O pagamento ou promessa de recompensa aos três executores agora condenados;
- A comprovação da materialidade através de laudos periciais e depoimentos colhidos durante a fase de instrução;
- O nexo de causalidade entre as disputas patrimoniais familiares e o planejamento do crime.
A sentença reflete a gravidade do crime que chocou a comunidade de Casca e região, reafirmando a tese de que a violência motivada por interesses patrimoniais e familiares será rigorosamente punida pelo Poder Judiciário gaúcho.


