O jornalista Fernando Busian, que integra a equipe de comunicação do Psol, denunciou ter sido alvo de ameaças e perseguição desde a última quarta-feira, 25 de março, em São Paulo. O caso foi registrado na segunda-feira, 30 de março, na Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil paulista. Segundo o comunicador, as mensagens começaram após o envio de um comunicado à imprensa sobre a troca de comando da Federação PSOL-Rede e, depois, passaram a citar serviços funerários, segurança, a região onde ele mora e o nome de sua mãe. De acordo com informações da Agência Brasil, Busian atribui a motivação do caso à violência política.
Em entrevista, ele afirmou que os ataques tiveram início no mesmo dia em que o texto foi enviado a uma lista com 1,7 mil destinatários em diferentes partes do país. Na sequência, passaram a chegar mensagens com referências a cemitérios e serviços funerários. Também foi criado um perfil falso em seu nome na plataforma GetNinjas, usada para contratação de prestadores de serviço, o que gerou novos contatos e orçamentos indesejados.
Como o jornalista relata o início das ameaças?
Busian disse que percebeu a escalada da situação quando, depois das primeiras mensagens, começou a receber conteúdos ligados a serviços de segurança. Na avaliação dele, a combinação entre referências a cemitérios e segurança indicou que não se tratava de contatos aleatórios.
“Bloqueei o primeiro [orçamento falso], o segundo. O terceiro já veio com um portfólio de serviços de segurança. Aí, disse, opa. Com cemitério e serviço de segurança, eu fiz o link”
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
A situação, segundo o relato, se agravou na quinta-feira, 26 de março, quando mensagens anônimas enviadas por WhatsApp passaram a mencionar a região onde ele mora e o nome de sua mãe. Uma das mensagens, de acordo com o jornalista, dizia: “Ela sabe que o filho dela é um lixo?”
Por que Fernando Busian vê motivação política no caso?
O jornalista declarou acreditar que as ameaças têm conotação política em razão de sua atuação profissional junto ao Psol. Ao mesmo tempo, ressaltou que não é filiado ao partido e que sua contratação ocorreu justamente por sua experiência anterior com diferentes atores políticos e pelo trânsito profissional na imprensa.
“Só para começo de conversa: não sou filiado, nada. Inclusive, o pessoal me contratou por isso, porque já trabalhei para outros políticos, outras tendências políticas e tenho trânsito na imprensa. Então, tenho um bom nome, credibilidade. Não sou uma pessoa militante”
Ao comentar o teor dos ataques, Busian os classificou como um “discurso bem de extrema-direita”, segundo a reportagem. O caso segue sob registro policial, com apuração na área especializada em crimes cibernéticos.
O que disseram entidades de defesa dos jornalistas?
Em nota conjunta, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, o SJSP, e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) classificaram o episódio como grave. As entidades destacaram que o caso envolve ameaças de morte, extensão das intimidações a familiares, vigilância e vazamento de dados pessoais.
“Trata-se de um episódio gravíssimo, que não pode ser naturalizado. O SJSP e a Fenaj prestam toda a solidariedade e apoio ao jornalista e cobrarão das autoridades a devida investigação, em especial no âmbito dos crimes virtuais e do uso indevido de dados pessoais, para que os responsáveis sejam identificados e punidos.”
No relatório mais recente sobre violência contra jornalistas, a Fenaj contabilizou 144 ataques contra esses profissionais em 2024. O número, segundo a entidade, representa queda em relação aos anos anteriores. Durante a pandemia de covid-19 e o governo Jair Bolsonaro, os registros chegaram a 430 casos em 2021. Em 2023, foram 181 ocorrências.
- 144 ataques contra jornalistas em 2024, segundo a Fenaj
- 430 casos em 2021
- 181 ocorrências em 2023
Qual foi a resposta da plataforma GetNinjas?
Em nota, a GetNinjas informou que identificou o uso indevido de dados, prestou assistência à vítima e orientou o registro de boletim de ocorrência. A empresa declarou ainda que está disponível para colaborar com o que for necessário.
“A plataforma reforça que conta com rigorosos mecanismos de validação e monitoramento. Diante de qualquer atividade atípica, age prontamente para interromper suspeitas e fortalecer controles. O GetNinjas reitera que o uso indevido de dados por terceiros é contrário às políticas da plataforma e reafirma o compromisso com a segurança e a privacidade.”
O caso reúne elementos de intimidação pessoal, exposição de dados e ameaça direcionada a um profissional da imprensa. A denúncia foi formalizada, e entidades da categoria pedem investigação para identificar os responsáveis.
