
Um ensaio clínico publicado no periódico científico BMJ em janeiro de 2026 revelou que o uso de joelheiras pode reduzir significativamente a dor e as limitações físicas em pacientes diagnosticados com osteoartrite no joelho. O estudo, realizado com pacientes do sistema público de saúde do Reino Unido (NHS), demonstrou que a adoção do acessório ortopédico melhora a qualidade de vida ao facilitar atividades cotidianas como caminhar e subir escadas. O achado é especialmente relevante para o cenário brasileiro, onde a artrose é uma das principais causas de dor crônica e gera alta demanda por tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com informações do UOL Notícias, a pesquisa acompanhou 466 adultos com 45 anos ou mais no Reino Unido. A condição crônica degenerativa, também conhecida como artrose, afeta cerca de um a cada cinco adultos nessa faixa etária, provocando o desgaste progressivo da articulação e afetando majoritariamente mulheres após a menopausa e indivíduos com sobrepeso.
Como o uso da joelheira auxilia no tratamento da osteoartrite?
A pesquisa dividiu os participantes em dois grupos. Todos receberam orientações gerais sobre a doença, aconselhamento voltado para o autocuidado e um planejamento de exercícios físicos. Metade dos voluntários também passou a utilizar uma joelheira personalizada, escolhida conforme as características do desgaste articular, além de receber acompanhamento contínuo de fisioterapeutas e mensagens de texto para estimular a adesão ao tratamento ortopédico.
Após seis meses de monitoramento, o grupo que adotou o suporte ortopédico apresentou melhor função física, menos queixas de dor e uma qualidade de vida superior em comparação aos pacientes que realizaram apenas os exercícios e seguiram as orientações básicas. Ao término de 12 meses, os pesquisadores observaram que os efeitos positivos permaneceram, embora tenham se apresentado em menor intensidade.
A reumatologista Isabella Monteiro, do Hospital Israelita Albert Einstein em Goiânia, avalia o cenário de forma positiva e ressalta a utilidade da ferramenta em atividades habituais.
“O estudo mostrou que, quando bem indicada e bem utilizada, ela realmente ajuda. Os maiores benefícios aparecem justamente naquilo que mais incomoda o paciente no dia a dia, como caminhar e subir escadas”
Quais são os principais fatores para o sucesso com o acessório?
Os especialistas alertam que a eficácia do equipamento depende diretamente do estágio da doença e das particularidades do paciente. Pessoas que relatam sensação de instabilidade articular, dor ao caminhar e que possuem um quadro de osteoartrite de nível leve a moderado costumam extrair os melhores resultados. Por outro lado, em casos considerados muito avançados, o método tende a apresentar uma resposta clínica inferior e mais limitada.
Sobre a diminuição dos resultados durante os meses de análise, Monteiro detalha as causas fisiológicas.
“Isso é esperado, porque a osteoartrite é uma doença que evolui ao longo do tempo”
O tratamento convencional continua sendo indispensável e se baseia em uma combinação de fatores de estilo de vida. O protocolo médico padrão para o controle efetivo da artrose envolve as seguintes abordagens principais:
- Prática regular de atividade física orientada;
- Exercícios direcionados de fortalecimento muscular;
- Manutenção e controle adequado do peso corporal para evitar sobrecarga;
- Uso de medicações prescritas e consultas frequentes com um médico especialista.
Qualquer paciente pode comprar e utilizar joelheiras por conta própria?
A recomendação médica é de que a escolha do modelo não seja feita sem a devida supervisão profissional. Existem diversos tipos de joelheiras disponíveis no mercado, como as específicas para dores na região da patela, as que auxiliam na redistribuição de carga para artroses localizadas nas partes internas ou externas da articulação, e os modelos focados na estabilização.
“A avaliação individual é fundamental”
O ensaio clínico não registrou eventos adversos graves relacionados ao equipamento, sendo a vermelhidão ou irritação leve na pele o efeito colateral mais relatado. No entanto, o estudo notou uma queda na regularidade do uso. Os motivos incluíram desconforto, sensação excessiva de calor, tamanhos incorretos e dificuldade de manuseio na hora de vestir a peça.
“A orientação faz diferença. Quanto melhor for o ajuste e o uso correto, melhores tendem a ser os resultados”
A conclusão central da pesquisa científica é que o suporte atua como uma estratégia complementar altamente segura, de baixo risco e de utilidade significativa dentro de um planejamento médico rigorosamente individualizado.
“Ela funciona como um apoio adicional em um tratamento que precisa ser combinado e mantido ao longo do tempo”
Dessa forma, o acessório jamais atua como um substituto mágico para os medicamentos, mas sim como uma peça fundamental dentro de uma engrenagem terapêutica que, somada aos exercícios e controle do peso, garante ao paciente uma longevidade com muito mais conforto e mobilidade garantida.