O IOWN Global Forum deve concentrar seus próximos esforços em casos de uso de interligação entre datacenters para ampliar a oferta de infraestrutura de inteligência artificial, segundo representantes do grupo ouvidos durante a reunião anual realizada na quinta-feira, 17 de abril de 2026, em Sydney, na Austrália. A estratégia, de acordo com o fórum, busca atender especialmente operadores menores e as chamadas neoclouds, que alugam GPUs hospedadas, por meio de conexões WAN de alta velocidade e baixa latência baseadas em redes fotônicas. De acordo com informações do The Register, a avaliação surgiu após consultas recentes com potenciais usuários da tecnologia.
O fórum desenvolve e promove a tecnologia Innovative Optical and Wireless Network, ou IOWN, uma iniciativa que pretende substituir redes cabeadas por conexões ópticas. Embora apoiadores do projeto mencionem a ambição de levar essa arquitetura até ligações entre dies em um chip no futuro, o estágio atual está concentrado em uma tecnologia WAN de alta velocidade e baixa latência. Segundo o relato, essa infraestrutura já demonstrou capacidade para suportar cargas como replicação síncrona de dados ao longo de centenas de quilômetros de fibra óptica em uma rede totalmente fotônica montada por operadoras alinhadas ao padrão.
Por que a interligação entre datacenters ganhou prioridade?
Durante o encontro em Sydney, o presidente do comitê diretor, Gonzalo Camarillo, e o líder do grupo de casos de uso, Katsutoshi Itoh, afirmaram que o tema emergiu como um dos principais vetores potenciais de adoção do IOWN. Camarillo relatou que representantes do fórum conversaram recentemente com integrantes do setor de serviços financeiros em Londres e ouviram que a tecnologia teria potencial caso permitisse o uso de datacenters fora da cidade, onde os custos tendem a ser menores do que em áreas centrais.
Nesse cenário, a distância só se torna viável se a latência permanecer baixa. O entendimento do IOWN, segundo a reportagem, é que grandes hyperscalers podem desenvolver soluções próprias para esse desafio, mas operadores menores e mais novos de datacenters precisariam de conexões rápidas para tornar o modelo funcional. É nesse ponto que o fórum pretende se posicionar, defendendo que sua tecnologia pode permitir acesso remoto a GPUs sem criar gargalos e, com isso, ampliar o acesso a fontes mais diversas de infraestrutura para IA.
Como as neoclouds entram nessa estratégia?
A expectativa do grupo é que as neoclouds passem a construir vários datacenters menores em locais onde haja disponibilidade de terreno e energia. Essa dispersão física criaria a necessidade de interconexão entre instalações. Segundo Camarillo, discussões recentes em nível de conselho dentro do fórum indicam que o IOWN pretende oferecer sua tecnologia justamente para cumprir esse papel de ligação entre esses centros de dados.
O grupo também relaciona essa proposta ao conceito de IA soberana. A ideia apresentada é que organizações mantenham seus dados em infraestrutura própria e usem uma WAN fotônica de alta velocidade para enviá-los temporariamente a uma nuvem ou neocloud com aceleradores de IA. De acordo com essa visão, a nuvem processaria as informações e devolveria os resultados ao cliente pela rede IOWN, sem armazenar os dados além do necessário para o processamento.
- Interligação de datacenters para reduzir impacto da distância
- Atendimento a operadores menores e neoclouds com GPUs hospedadas
- Uso de locais com terra e energia disponíveis para novos centros de dados
- Aplicação em modelos de IA soberana com processamento remoto
Que outros usos o IOWN pretende explorar?
Outro caso de uso citado pelo fórum é a produção remota de conteúdo. Itoh usou como exemplo a cobertura de eventos esportivos, em que emissoras normalmente instalam 30 ou mais câmeras e recorrem a unidades móveis externas para produzir transmissões. Segundo ele, locais de conferência e estádios frequentemente centralizam esse serviço em uma única empresa de áudio e vídeo, com cobrança elevada.
Nesse contexto, a proposta do IOWN é que arenas esportivas adotem suas WANs de alta velocidade para permitir que as emissoras operem a partir de uma central de produção remota, sem a necessidade de uma van de transmissão no local. A reportagem registra ainda que Itoh, que trabalha na Sony, reconheceu que a empresa poderia se beneficiar de um arranjo desse tipo.
O que a proposta significa para a arquitetura dos datacenters?
Além dos cenários setoriais, o fórum argumenta que a tecnologia pode favorecer o desenvolvimento de datacenters desagregados, em que instalações diferentes sejam dedicadas, por exemplo, a hospedar GPUs ou CPUs. A conexão rápida entre esses ambientes poderia permitir a criação de clusters computacionais compostos por recursos distribuídos em múltiplas instalações, sem adicionar uma latência considerada inviável.
A reportagem destaca que o IOWN conta com apoio de grandes empresas da indústria de computação, o que dá peso às propostas apresentadas. Ainda assim, a viabilidade dessas ideias depende da adesão de operadoras e do suporte de fornecedores relevantes de redes, conforme o próprio texto observa.