
A inteligência artificial no Santander, um dos maiores bancos privados em operação no Brasil, definiu a tecnologia conversacional, a automação de processos e a engenharia de software como as três frentes prioritárias de investimento. A estratégia do banco tem como objetivo central reduzir os gastos operacionais em um bilhão de euros até o ano de 2028. A reestruturação tecnológica envolve parcerias com grandes empresas do setor e a criação de uma área dedicada exclusivamente a dados corporativos.
De acordo com informações do Mobile Time, a instituição financeira começou a estruturar essa divisão especializada em 2025, respondendo diretamente aos executivos principais de cada país onde atua. No Brasil, a operação tecnológica é liderada por Richard Flávio, CEO da F1RST (empresa de tecnologia e inovação do grupo) e CIO do banco, enquanto Eduardo Alvarez atua como Chief Data & AI Officer da operação nacional.
Como o Santander aplica a inteligência artificial internamente?
A expansão do uso da tecnologia dentro da organização foi impulsionada por acordos firmados com desenvolvedoras globais, incluindo OpenAI, Anthropic e Microsoft. O acesso a ferramentas avançadas, como GPT, Github, AWS Bedrock, Kumo, Devin, Alinia AI e Maisa, permitiu a integração de soluções de ponta na rotina corporativa. A adoção generativa ocorre de maneira orgânica, com licenças liberadas para os funcionários executarem tarefas diárias.
O setor jurídico, a análise de fraudes e a concessão de crédito registraram avanços significativos no primeiro trimestre de 2026. O impacto dessa transformação digital é estruturado sob duas perspectivas principais de trabalho integrado corporativo:
- De baixo para cima: fornecimento de treinamentos, controles e ferramentas para que os departamentos criem soluções de forma autônoma.
- De cima para baixo: definição de prioridades institucionais, com a criação de projetos verticais para alterar completamente metodologias de trabalho.
“Como o modelo é tão potente, temos as áreas de análise de investimentos usando para avaliar investimentos em empresas para os nossos clientes”, afirmou Alvarez. O executivo também destacou que a ferramenta conversacional atua como um copiloto para auxiliar os atendentes a fornecerem recomendações e respostas velozes aos clientes, sempre mantendo a validação humana no processo final.
Quais são os impactos da IA na engenharia de software do banco?
No campo do desenvolvimento de sistemas, a instituição financeira criou um programa interno denominado Genius. A iniciativa consolida a aplicação automatizada em toda a cadeia de produção de software, desde a especificação inicial até a fase de testes. A operação atua de forma conservadora, exigindo que o programador permaneça no comando das decisões e revisões finais dos códigos.
Os resultados práticos da implementação já demonstram aumento expressivo na eficiência das equipes técnicas. A precisão alcançou a marca de 98% nas soluções voltadas para a conversão de linguagens de programação antigas para versões atualizadas, como Java e Angular. Operações de conversão de linguagem que exigiam 40 horas de trabalho manual foram reduzidas para apenas quatro horas de dedicação.
O modelo de trabalho adotado incorpora agentes virtuais que operam fora do horário comercial regular.
“Começou recentemente um processo que o desenvolvedor/engenheiro trabalha ao longo do dia copilotando com a inteligência artificial e os agentes. Mas no fim do dia, o profissional dispara uma tarefa para o agente seguir o trabalho e isso estende a jornada noite adentro”, explicou Flávio, detalhando que o profissional avalia o material produzido na manhã seguinte.
O que a instituição espera para o futuro da tecnologia corporativa?
A expectativa da diretoria é que o ano de 2026 consolide a captação do valor financeiro real proporcionado pelas novas ferramentas do setor tecnológico. O foco institucional direciona-se para a avaliação minuciosa dos casos de uso que efetivamente se materializaram no dia a dia corporativo, comprovando avanços operacionais, melhorias de qualidade mensuráveis e expressiva economia de recursos financeiros.
O compromisso com a transformação digital exige aportes constantes e modernização da estrutura tecnológica empregada.
“Até porque é um investimento muito grande de todos, tanto das empresas quanto dos seus parceiros e do mercado em geral, que está empurrando forte esta tecnologia”, argumentou Alvarez. As soluções concluídas passam a integrar definitivamente o portfólio utilizado pela companhia.