
A produção industrial brasileira apresentou um crescimento de 0,9% na passagem de janeiro para fevereiro, registrando a sua segunda taxa positiva consecutiva. O levantamento, que aponta uma expansão acumulada de 3% no período atual, foi detalhado nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com informações da Radioagência Nacional, o desempenho reflete uma recuperação disseminada entre as diversas atividades econômicas do país no início de 2026.
No acumulado dos últimos 12 meses, o setor industrial brasileiro mantém uma trajetória de estabilidade com leve viés de alta, alcançando o índice de 0,2%. O resultado de fevereiro é visto como um sinal de fôlego para o setor produtivo, especialmente após as oscilações registradas no encerramento do ciclo anual anterior. O gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), principal indicador oficial de acompanhamento do setor secundário no Brasil, André Macedo, destacou que o perfil do crescimento atual é marcado por uma recomposição das perdas assinaladas nos meses finais do ano passado.
Quais setores puxaram o crescimento da indústria em fevereiro?
A pesquisa realizada pelo IBGE abrangeu um total de 25 atividades industriais, das quais 16 apresentaram índices positivos no segundo mês do ano. Entre os segmentos que mais contribuíram para o avanço de 0,9%, destaca-se a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias. Esse impulso foi gerado, majoritariamente, pelo aumento na fabricação de automóveis de passeio e de autopeças, refletindo uma demanda aquecida na cadeia automotiva nacional.
Por outro lado, nem todos os setores acompanharam a tendência de alta no período. A principal influência negativa veio da indústria de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que registrou uma queda de 5,5% em sua produção. Apesar do recuo pontual deste segmento específico, o saldo geral da indústria permaneceu no campo positivo devido ao peso dos setores de bens de consumo duráveis e bens intermediários na composição do índice geral divulgado pelo instituto.
Como está a produção industrial em comparação ao período pré-pandemia?
Um dos pontos centrais do relatório detalhado nesta quinta-feira é a comparação com patamares históricos de produção. Com os números registrados em fevereiro, a indústria brasileira situa-se 3,2% acima do nível de atividade observado no período imediatamente anterior à pandemia de covid-19. Esse dado sugere que o setor conseguiu superar o choque estrutural causado pela crise sanitária global, embora o ritmo de crescimento ainda enfrente desafios macroeconômicos e estruturais.
Entretanto, quando a análise recua a períodos mais distantes, o cenário mostra que ainda há espaço considerável para uma recuperação de longo prazo. A produção atual permanece 14,1% abaixo do nível recorde histórico alcançado pela indústria nacional em maio de 2011. Essa distância do topo histórico ressalta as mudanças que o parque industrial brasileiro atravessou na última década, incluindo variações na produtividade e no volume de investimento privado.
Qual é o panorama para o fechamento do primeiro trimestre?
Os dados apresentados pela PIM consolidam uma tendência de reação que começou a ganhar corpo nos primeiros meses do ano. A sequência de duas taxas positivas reforça a percepção de que a indústria está conseguindo escoar estoques e responder a uma estabilização nos custos de produção. A disseminação do crescimento entre 16 das 25 atividades monitoradas é um indicador técnico importante, pois demonstra que a alta não está concentrada em apenas um nicho isolado da economia.
Além dos destaques já mencionados, o relatório do IBGE sintetiza os seguintes pontos fundamentais sobre o desempenho industrial recente:
- Crescimento de 0,9% em fevereiro na comparação com o mês anterior;
- Expansão acumulada de 3% considerando os dois primeiros meses do ano;
- Alta de 0,2% no acumulado dos últimos 12 meses;
- Recuperação liderada pelo setor de veículos e autopeças;
- Retração de 5,5% no setor farmacêutico.
De acordo com os analistas do instituto, a manutenção desse ritmo nos próximos meses dependerá de fatores externos e internos, como o acesso ao crédito para o consumo de bens duráveis. As aspas do gerente André Macedo reforçam a visão técnica do cenário observado em fevereiro:
A indústria recupera as perdas assinaladas nos últimos meses do ano passado, com perfil disseminado de crescimento.
Com a divulgação desses números oficiais, o mercado financeiro e os gestores públicos calibram suas expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre. O setor industrial, sendo um dos pilares da economia brasileira, exerce influência direta na geração de empregos formais e na arrecadação tributária, tornando os dados da pesquisa fundamentais para o planejamento econômico do país no decorrer do ano.