Os incêndios florestais nos Estados Unidos já bateram recordes em 2026 e podem antecipar um verão mais longo, seco e com mais fumaça, segundo dados divulgados até 27 de março. O quadro afeta principalmente o Oeste do país e áreas das Grandes Planícies, em meio a seca, neve abaixo do normal e calor fora de época, fatores associados ao agravamento das condições climáticas. De acordo com informações da Inside Climate News, o número de focos e a área queimada neste começo de ano superam as médias da última década.
Além do impacto interno nos EUA, a notícia chama atenção no Brasil porque eventos extremos ligados à seca e ao fogo também afetam biomas brasileiros e entram no debate global sobre clima, uso do solo e resposta a desastres ambientais.
Dados atualizados do National Interagency Fire Center, centro nacional de coordenação de incêndios dos EUA, mostram que o país registrou mais de 15 mil ignições e mais de 1,5 milhão de acres queimados até 27 de março. Na comparação com a média de dez anos para o mesmo período, de 9.195 focos e 664.792 acres, a área atingida está 127% acima do padrão recente. Embora 2024 e 2017 tenham registrado áreas maiores queimadas até esta altura do ano, 2026 lidera em número de ignições no fim de março entre os últimos dez anos, com 587 incêndios a mais que o segundo maior total da série.
O que explica o avanço dos incêndios neste início de ano?
Segundo a reportagem, o Oeste dos Estados Unidos sai de um dos invernos mais quentes e secos já registrados. O texto aponta que a mudança do clima, impulsionada principalmente pela queima de combustíveis fósseis, intensifica a megasseca na região, deixando florestas mais secas, reduzindo o volume de neve e alterando a dinâmica hídrica. Esse conjunto de fatores favorece uma temporada de fogo mais destrutiva.
Timothy Ingalsbee, cofundador e diretor-executivo da Firefighters United for Safety, Ethics, and Ecology, afirmou que mais incêndios em uma época historicamente mais úmida do ano deixaram de ser apenas uma tendência.
“Isso está deixando de ser apenas uma tendência e se tornando um padrão, uma normalidade. É um sinal claro da continuidade da mudança climática.”
Além do Oeste, grande parte do território continental dos Estados Unidos enfrenta seca, segundo dados citados do Departamento de Agricultura do país. Alguns dos maiores incêndios estão nas Grandes Planícies, especialmente em Nebraska, no centro do país, importante região agropecuária, onde mais de 180 mil acres queimam, de acordo com dados federais. A reportagem informa ainda que os incêndios no estado já estabeleceram um recorde de área queimada.
Quais regiões e números chamam mais atenção?
Os dados reunidos pela reportagem destacam um início de temporada acima do normal em vários indicadores. Entre os principais pontos citados estão:
- mais de 15 mil focos de incêndio até 27 de março;
- mais de 1,5 milhão de acres queimados no ano;
- média de dez anos de 9.195 focos no mesmo período;
- média de dez anos de 664.792 acres queimados até 27 de março;
- Nebraska com mais de 180 mil acres em chamas e recorde estadual de área queimada.
Andy Norman, especialista aposentado em combustíveis do Forest Service, disse que incêndios em áreas de pastagem são normais nesta época do ano, mas não na dimensão observada em 2026.
“É normal haver incêndios em áreas de pastagem nesta época do ano, mas não com essa abrangência, esse tamanho e essa intensidade.”
Que impactos isso pode ter para o restante de 2026?
Ingalsbee alertou que a frequência e a dimensão dos incêndios já em março podem sobrecarregar a capacidade federal de combate ao fogo no verão. A preocupação ocorre em meio ao esforço do presidente Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para consolidar recursos de combate a incêndios de diferentes agências federais que atuam no tema.
Segundo ele, bombeiros federais relatam incerteza sobre o que pode acontecer nos próximos meses e sobre a estrutura de comando.
“Recebo ligações quase todos os dias de bombeiros federais e, neste momento, o sentimento predominante é de incerteza e ansiedade, porque ninguém sabe realmente o que vai acontecer em seguida, o que devem fazer ou a quem devem responder.”
A reportagem informa que o Departamento do Interior não respondeu a um pedido de comentário. Ainda assim, Ingalsbee defendeu mudanças para reduzir riscos, como descentralizar a rede elétrica, posicionar equipes em áreas mais frias e úmidas, onde as chances de conter um incêndio são maiores, e ampliar o uso de queimadas prescritas.
Na avaliação apresentada no texto, o começo de 2026 oferece um sinal de alerta sobre o que pode ocorrer nos próximos meses. Com seca disseminada, calor anormal e neve reduzida em partes do Oeste, os dados iniciais sugerem uma temporada de incêndios mais intensa do que a média recente nos Estados Unidos. Para o leitor brasileiro, o caso também reforça como temporadas de fogo mais precoces e severas se tornaram um tema de interesse internacional, com reflexos no debate ambiental e climático que também envolve o Brasil.
