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Igreja em Baltimore adota soluções naturais para reduzir enchentes e calor urbano

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Uma igreja presbiteriana no nordeste de Baltimore, nos Estados Unidos, vem adotando soluções baseadas na natureza para enfrentar impactos das mudanças climáticas, como enchentes e excesso de água da chuva. A Faith Presbyterian Church implantou um jardim de chuva e transformou parte de seu estacionamento em uma pequena área arborizada para reter e resfriar a água antes que ela siga para galerias e cursos d’água. De acordo com informações da Inside Climate News, a iniciativa se insere em um contexto de elevação do nível do mar, infraestrutura envelhecida e ampliação do risco de alagamentos na cidade costeira.

Segundo a reportagem, o projeto da igreja busca reduzir o escoamento superficial em uma cidade de baixa altitude e cercada por água, onde superfícies impermeáveis e sistemas antigos de drenagem agravam episódios de inundação. Em vez de deixar a chuva correr rapidamente por canos até os rios locais, o jardim de chuva ajuda a desacelerar o fluxo, filtrar poluentes com plantas nativas e favorecer a infiltração no solo.

Como a igreja passou a usar a natureza para conter a água da chuva?

A Faith Presbyterian Church plantou um jardim de chuva de 200 pés quadrados e converteu parte do estacionamento em uma minifloresta. Com isso, a água que escorre do telhado deixa de seguir diretamente para a rede de drenagem e passa a ser absorvida com mais lentidão pelo terreno. A propriedade também ganhou sombra de árvores, algumas recém-plantadas e outras já desenvolvidas.

De acordo com William Curtis, membro antigo da congregação e secretário da sessão da igreja, um sistema tradicional de drenagem pode evitar alagamentos em porões, mas oferece benefícios limitados além disso. A reportagem reproduz duas falas diretas de Curtis sobre o tema.

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“is good if you don’t want your basement to flood,” said long-time parishioner and clerk of session William Curtis. “But it’s not good for much of anything else.”

“So this water is too warm, and fish are very, very touchy about water temperature,” Curtis said.

O texto informa que a água da chuva que escoa de telhados aquecidos no verão pode chegar mais quente aos sistemas convencionais, o que representa um problema para peixes e outros organismos aquáticos sensíveis a mudanças de temperatura. No jardim de chuva, essa água pode esfriar e se assentar antes de continuar seu percurso pela bacia hidrográfica.

Quando esses projetos começaram e quem participou?

O jardim de chuva existe desde 2010. Curtis afirmou que a obra foi realizada com apoio da Herring Run Watershed Association, um dos grupos que mais tarde integrariam a organização ambiental Blue Water Baltimore.

Mais recentemente, a igreja ampliou sua atuação ambiental ao substituir mais pavimento por vegetação. No outono e na primavera de 2023, integrantes da congregação e moradores da vizinhança plantaram cerca de 44 árvores nativas e diferentes flores silvestres para apoiar polinizadores e aves nativas. No outono seguinte, a Alliance for the Chesapeake Bay plantou outras 30 árvores no terreno.

Para abrir espaço à nova área verde, a igreja removeu parte do estacionamento em maio de 2023. A reverenda Cat Dodson Goodrich, pastora da congregação, disse que a decisão também refletiu uma mudança no tamanho e nas necessidades da comunidade religiosa. Construído para receber mais de 1.000 membros, o templo hoje atende um público menor.

  • Jardim de chuva implantado em 2010
  • Parte do estacionamento removida em maio de 2023
  • Cerca de 44 árvores nativas plantadas em 2023
  • Outras 30 árvores adicionadas no outono seguinte

Por que Baltimore enfrenta dificuldades crescentes com enchentes?

A reportagem aponta que a combinação entre aumento do nível do mar, infraestrutura antiga e grande quantidade de superfícies impermeáveis vem agravando as enchentes em Baltimore, inclusive em episódios de alagamento em dias sem chuva intensa. O problema afeta porões, danifica imóveis e pressiona a capacidade de resposta urbana.

Robin Lewis, diretora de equidade climática de uma afiliada regional da Interfaith Power & Light, afirmou que a geografia da cidade aumenta sua vulnerabilidade. Cercada por água e com muito asfalto, Baltimore tem menos capacidade de absorver a precipitação no solo, o que faz a água permanecer na superfície e escoar para tributários.

O texto também cita projeção da organização de pesquisa e tecnologia First Street segundo a qual, em 30 anos, 82% das propriedades da região de Inner Harbor estarão em risco de inundação, ante cerca de 63% atualmente. A reportagem relaciona esse cenário a um ciclo em que eventos climáticos danificam infraestrutura, reduzem valor de propriedades e limitam a arrecadação disponível para obras futuras.

Qual é o papel das congregações religiosas nesse tipo de adaptação climática?

Segundo Mollie Rudow, que à época da reportagem atuava como coordenadora sênior de mobilização da Interfaith Partners for the Chesapeake, comunidades de fé estão em posição favorável para liderar ações de resiliência por terem presença consolidada nos bairros onde atuam. A parceria com a Faith Presbyterian incluiu também a Blue Water Baltimore e a própria Interfaith Partners for the Chesapeake.

A matéria afirma que essas organizações ajudam a traduzir temas ambientais técnicos para uma linguagem mais próxima das comunidades religiosas, facilitando a mobilização local. Além disso, congregações costumam exercer papel de organização comunitária em momentos de crise, oferecendo abrigo, água, comida ou roupas em situações de desastre.

No trecho final disponibilizado, a reportagem menciona ainda o reverendo André Briscoe Jr., responsável por três congregações com prédios antigos no corredor Greenmount-York Road. Segundo o texto, ele associa os problemas enfrentados por suas paróquias a um histórico de desinvestimento na região.

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