O conflito no Oriente Médio chegou ao seu trigésimo terceiro dia nesta quarta-feira, 1º de abril de 2026, com bombardeios intensos, forçando famílias brasileiras residentes no Líbano a abandonarem suas casas às pressas. A fuga ocorre em meio ao agravamento dos confrontos diretos entre as forças militares de Israel e os combatentes do grupo Hezbollah, força política e paramilitar baseada no país, que têm promovido ataques recíprocos e gerado uma onda de deslocados internos na região.
De acordo com informações do G1 Jornal Nacional, a escalada de violência já atinge não apenas o território libanês, mas também desencadeia ataques em múltiplas frentes no continente asiático. Em Beirute, capital libanesa, e no sul do país, incursões israelenses recentes deixaram sete mortos e 24 feridos, elevando o número total de vítimas fatais no Líbano para mais de 1,3 mil desde o início das hostilidades. Israel afirma que os ataques recentes atingiram um alto comandante do Hezbollah.
Como os brasileiros estão sobrevivendo aos bombardeios no Líbano?
O documentarista Gabriel Chaim, que está no território libanês acompanhando os desdobramentos da crise, registrou a situação dramática de compatriotas que perderam tudo. Um desses brasileiros é Garib, que atualmente encontra-se abrigado nas instalações de uma escola junto com seu irmão, sua cunhada e seus sobrinhos. A família relata o terror de ter que fugir de madrugada, levando apenas a roupa do corpo para sobreviver.
Imagina você dormindo, acordar com uma bomba. Estourou casa do lado da sua casa. Cinco horas saí de casa e não tenho nada
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
O irmão de Garib, Hussein, havia acabado de desembarcar do Brasil para celebrar o mês sagrado do Ramadã quando as hostilidades começaram de forma abrupta. Sem alternativas e com as rotas de fuga comprometidas, eles passaram as primeiras noites dormindo dentro de um carro até encontrarem vaga no abrigo improvisado. No momento, o grupo familiar não consegue obter passagens aéreas para deixar o país árabe. Apesar do cenário desolador, Garib mantém uma perspectiva otimista:
Sempre tem esperança de que a gente vai voltar para a nossa vida normal
Quais são os impactos da guerra em outras regiões do Oriente Médio?
A violência não se restringe às fronteiras libanesas. Fátima, outra cidadã brasileira afetada, vivia no Vale do Bekaa, região no leste libanês próxima à fronteira com a Síria e reduto histórico do grupo Hezbollah. Ela, o marido e os quatro filhos precisaram fugir durante a madrugada logo no segundo dia de confrontos, após receberem um alerta das forças de Israel. Hoje, a casa da família, distante apenas 20 minutos de onde estão refugiados, encontra-se inacessível. Eles vivem de doações em mais uma escola adaptada para receber deslocados pela guerra.
Simultaneamente, os contra-ataques do eixo aliado ao Hezbollah foram direcionados diretamente ao território de Israel. O sistema de defesa antiaérea precisou interceptar mísseis sobre o céu de Tel Aviv, enquanto sirenes soavam para alertar a população civil sobre novas ameaças iminentes. Em cidades como Bnei Brak, moradores correram para os abrigos de emergência. A responsabilidade por parte dessas ações foi assumida pelo grupo Houthi, do Iêmen, que declarou atuar em coordenação com o Irã e o Hezbollah. Como resultado, 14 pessoas ficaram feridas em Israel, incluindo duas crianças.
O Irã também sofreu danos severos. Em Teerã, capital iraniana, explosões ecoaram ao amanhecer, gerando densas colunas de fumaça nas áreas leste e sul da metrópole. A cidade de Isfahan também foi alvo, resultando no segundo bombardeio a uma siderúrgica local. Já em Bushehr, província costeira que abriga a principal usina nuclear do país, o governo do Irã relatou a destruição de diversas instalações civis.
Quais são as consequências econômicas globais do conflito?
A escalada militar atingiu em cheio infraestruturas de caráter estratégico na região do Golfo. As autoridades registraram as seguintes ocorrências e impactos diretos no setor energético:
- Uma pessoa perdeu a vida nos Emirados Árabes Unidos.
- Um navio petroleiro pertencente ao Catar foi atingido enquanto navegava pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima vital entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
- Ataques com o uso de drones alvejaram tanques de combustível instalados no Kuwait.
- O governo de Israel anunciou um aumento de quase 15% nos preços dos combustíveis, marcando a maior alta em quase quatro anos.
Diante da crise nas rotas marítimas, o comandante da Marinha da França informou que está em andamento uma tentativa de formar uma coalizão internacional. O objetivo do grupo militar seria discutir estratégias para garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. A autoridade francesa destacou ainda que a China, sendo um dos maiores interessados na fluidez do comércio global, precisa adotar uma postura mais rígida nas negociações com o Irã.
Os reflexos econômicos globais já são quantificáveis e preocupantes. A Agência Internacional de Energia emitiu um alerta formal indicando que mais de 12 milhões de barris de petróleo deixaram de ser fornecidos ao mercado global desde o princípio do embate. Esse montante considera tanto as paralisações diretas na produção quanto o volume de combustível fóssil que está bloqueado e não consegue ser escoado. A expectativa das autoridades do setor é que a perda total de petróleo durante o mês de abril alcance o dobro do volume registrado no mês de março. A escassez de suprimentos, que já afeta diretamente o abastecimento da China, tem previsão de alcançar os países da Europa dentro de algumas semanas, gerando um impacto imediato nos preços ao consumidor e na estabilidade da economia global.
