O setor de construção registrou alta no estresse dos projetos em março de 2026, com avanço de 4,2% no índice mensal e salto de 22,8% nos abandonos, segundo dados da ConstructConnect, empresa sediada em Cincinnati, nos Estados Unidos. De acordo com informações da Utility Dive, a empresa associou esse movimento aos impactos econômicos da guerra com o Irã, especialmente pelas disrupções no fluxo de mercadorias pelo Estreito de Ormuz e pela pressão sobre os preços do petróleo.
O dado consta do Project Stress Index, indicador que mede projetos de construção paralisados, abandonados ou com data de licitação adiada. Após um dos níveis mais baixos em mais de um ano, o índice voltou a subir em março. A principal pressão veio do crescimento dos abandonos, que a ConstructConnect relacionou ao agravamento do conflito e aos seus efeitos sobre custos e cadeias de suprimento.
O que explica a alta do estresse na construção em março?
Em declaração à Construction Dive, Devin Bell, economista associado da ConstructConnect, afirmou que a elevação dos abandonos foi a maior em base mensal desde o fim de 2025, quando as condições de estresse aumentaram durante o mais longo shutdown do governo dos Estados Unidos. Segundo ele, o aumento atual coincide com o desenvolvimento do conflito com o Irã.
“This escalation marks the largest month-over-month rise in abandonments since late 2025, when stress conditions heightened during the longest government shutdown in U.S. history,” Devin Bell, associate economist at ConstructionConnect, told Construction Dive. “The current increase in abandonments coincides with the developing conflict with Iran, as it continues to disrupt the flow of key goods through the Strait of Hormuz.”
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Ao mesmo tempo, outros componentes do índice tiveram recuo. A atividade de licitações adiadas caiu 1,2% em relação ao mês anterior, enquanto os projetos colocados em espera recuaram 9,9% no mesmo período. Isso indica que a piora de março foi concentrada principalmente no avanço dos abandonos, e não em uma deterioração generalizada de todos os indicadores acompanhados.
Como o setor privado foi afetado?
De acordo com Bell, a alta dos abandonos em março afetou predominantemente o setor privado. A combinação entre custos já elevados de insumos da construção e a interrupção dos fluxos do comércio de petróleo pode estar levando proprietários e incorporadores privados a desistirem de projetos diante da escalada de custos.
“March’s rise in abandonments has predominantly impacted the private sector,” said Bell. “The combination of already elevated construction input costs and disrupted oil trade flows is potentially driving private sector owners and developers to abandon projects as they grapple with escalating input costs.”
Nos últimos 12 meses, empreiteiros também relataram pressão sobre a atividade de construção privada, sobretudo fora do segmento de centros de dados. Sem considerar projetos de data centers, o planejamento para construção comercial caiu 12,7% desde março de 2025, segundo a ConstructConnect. O dado sugere fraqueza em áreas do mercado que não participam do atual ciclo de expansão ligado à infraestrutura digital.
- O índice de estresse dos projetos subiu 4,2% em março ante fevereiro.
- Os abandonos de projetos avançaram 22,8% no mês.
- Licitações adiadas recuaram 1,2%.
- Projetos em espera caíram 9,9%.
- Sem os data centers, o planejamento comercial caiu 12,7% desde março de 2025.
Como esse cenário se compara ao ano anterior?
Apesar da alta mensal, os níveis de estresse ainda estavam acima dos atuais no mesmo período do ano passado, quando empreiteiros reduziram o ritmo por causa dos juros elevados e das preocupações com a introdução de tarifas pelo presidente Donald Trump. Desde então, o índice de estresse recuou 3,5%, segundo a ConstructConnect.
Os custos de insumos avançaram a uma taxa anualizada de 12,6% nos dois primeiros meses de 2026. Economistas citados no texto alertaram que essa pressão provavelmente se intensificaria nos meses seguintes, já que os dados mais recentes ainda antecediam o impacto mais amplo da guerra com o Irã sobre os preços do petróleo.
Quais foram os demais dados sobre projetos públicos e privados?
Na comparação com o mesmo momento do ano anterior, os abandonos de projetos públicos e privados recuaram 17,2% e 4,6%, respectivamente. Já nos últimos 12 meses, os projetos públicos colocados em espera aumentaram 9,4%, enquanto os empreendimentos privados nessa condição caíram 79,7%, de acordo com a ConstructConnect.
Bell afirmou que a queda dos projetos privados em espera se explica, em grande parte, pela base elevada observada no primeiro semestre de 2025. Segundo ele, esse tipo de indicador voltou para patamares mais próximos das médias históricas. Ainda assim, a alta dos abandonos em março mostra que o ambiente segue sensível a choques geopolíticos e à pressão dos custos no setor de construção.