Gênova, na Itália, aprovou nesta semana a proibição de anúncios de combustíveis fósseis em espaços públicos, tornando-se a segunda cidade italiana a adotar formalmente esse tipo de restrição. A medida foi aprovada na terça-feira pelo conselho municipal, com 23 votos a favor e 14 contra, e alcança publicidade de produtos baseados em combustíveis fósseis com alta pegada de carbono. Segundo o texto original, a iniciativa ocorre após Florença se tornar a primeira cidade do país a implementar regra semelhante, em meio ao avanço de políticas urbanas voltadas ao clima. De acordo com informações da Earth.Org, Gênova passa a integrar uma lista crescente de cidades e municípios no mundo que restringem a promoção de produtos poluentes.
A decisão foi apresentada no contexto de um debate sobre o impacto da publicidade na percepção pública e nos hábitos de consumo. A vereadora de Gênova Francesca Ghio, apontada como principal autora da proposta, afirmou que apoiar a moção significa retirar de locais de circulação diária, como pontos de ônibus e estações de trem, anúncios que normalizam práticas prejudiciais ao interesse público, à saúde das pessoas e ao clima.
O que a decisão de Gênova determina?
A moção aprovada pelo conselho municipal prevê a proibição de anúncios de produtos baseados em combustíveis fósseis com elevada pegada de carbono em espaços públicos. O texto não detalha, no conteúdo fornecido, quais formatos publicitários específicos serão abrangidos nem o calendário de implementação da medida.
Com a aprovação, Gênova se junta a Florença no grupo de cidades italianas que formalizaram restrições desse tipo. O texto da Earth.Org descreve a iniciativa como um marco nas políticas climáticas urbanas da Itália, ao deslocar o debate ambiental também para o campo da publicidade e da comunicação comercial.
Como autoridades e entidades reagiram à medida?
Francesca Ghio defendeu a proposta com o argumento de que a publicidade exerce papel relevante na formação de percepções e hábitos. Em declaração reproduzida pela reportagem original, ela disse:
“Advertising plays a crucial role in shaping public perception and consumer habits. Supporting this motion means freeing the places we encounter in our daily lives—such as bus stops and train stations—from advertisements that normalize practices harmful to the public interest, people’s health, and the climate.”
Andrea Sbarbaro, presidente da associação italiana Cittadini Sostenibili, também elogiou a decisão. Segundo ele, a região é conhecida pela vulnerabilidade e pela frequência de eventos climáticos extremos, e retirar a publicidade fóssil dos espaços públicos não seria apenas um gesto simbólico, mas um passo importante para promover estilos de vida compatíveis com a segurança e o futuro de longo prazo da comunidade.
“Our region is sadly known for its vulnerability and the frequency of extreme weather events. Freeing our public spaces from fossil fuel advertising is not merely a symbolic gesture: it’s a vital step in promoting lifestyle models that align with the safety and the long-term future of our community.”
Esse tipo de proibição está avançando em outros lugares?
Segundo a Earth.Org, mais de 50 cidades, em sua maioria europeias, já restringiram esse tipo de publicidade em áreas específicas ou apresentaram propostas para impor limites formais. Algumas administrações, como municípios holandeses, Estocolmo, Edimburgo e Sydney, adotaram proibições totais.
O texto também informa que Haia, sede administrativa dos Países Baixos, tornou-se a primeira cidade do mundo a proibir, em 2024, anúncios de serviços de alto carbono, como cruzeiros e viagens aéreas. Já a Espanha pode se tornar o primeiro país a estabelecer uma proibição nacional, depois de o governo aprovar, no ano passado, um projeto de lei que vetaria a publicidade de combustíveis fósseis, veículos movidos a combustíveis fósseis e voos de curta distância quando houver alternativa ferroviária mais sustentável.
Qual é o pano de fundo internacional desse debate?
O tema também tem sido tratado em organismos internacionais. De acordo com a reportagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já pediu que os países proíbam a publicidade de combustíveis fósseis de forma semelhante às restrições impostas ao tabaco.
“Many in the fossil fuel industry have shamelessly greenwashed, even as they have sought to delay climate action – with lobbying, legal threats, and massive ad campaigns. They have been aided and abetted by advertising and PR companies – Mad Men fuelling the madness.”
A matéria relata ainda que Guterres afirmou que agências de publicidade e relações públicas, além de veículos de mídia e empresas de tecnologia, estariam permitindo a destruição planetária ao continuar promovendo combustíveis fósseis e mantendo clientes desse setor.
Em resposta ao apelo do secretário-geral da ONU, o advogado da ClientEarth Johnny White defendeu o rompimento de vínculos do setor de relações públicas com empresas sistematicamente poluentes.
“Banning fossil fuel advertising and forcing the PR sector to cut ties with systemically polluting companies is a clear necessity for building a cleaner and fairer future. We can either have a rapid transition away from fossil fuels, or we can have fossil fuel industry influence continuing to permeate our societies and subvert climate action. We can’t have both.”
No conjunto, a aprovação em Gênova reforça uma tendência internacional descrita pela Earth.Org: a de tratar a publicidade de produtos de alta emissão de carbono como parte do debate sobre políticas climáticas, saúde pública e uso do espaço urbano.