A tentativa de fusão entre Nexstar e Tegna, avaliada em US$ 6,2 bilhões, ampliou a disputa regulatória, política e judicial sobre o futuro da TV local nos Estados Unidos. O acordo, relatado em artigo publicado em 19 de abril de 2026, envolve mudanças nas regras da Federal Communications Commission (FCC), críticas sobre concentração de mercado e ações judiciais para barrar a operação. De acordo com informações do The Verge, o caso ganhou contornos mais amplos após a volta de Donald Trump à Casa Branca e a adoção de uma agenda regulatória mais favorável à desregulamentação.
Segundo o texto, a regra estabelecida pela FCC em 2004 limitava a atuação de uma empresa de radiodifusão a 39% dos lares com TV nos Estados Unidos. Com Brendan Carr na presidência da agência em 2025, foi lançada uma iniciativa de desregulamentação chamada “Delete, Delete, Delete”, com a promessa de eliminar regras consideradas desnecessárias para as empresas. Nesse contexto, a Nexstar, que já controlava mais de 200 emissoras e havia atingido seu teto de propriedade, anunciou a compra da rival Tegna.
Por que a fusão entre Nexstar e Tegna gerou tanta controvérsia?
A justificativa apresentada pela Nexstar, conforme o artigo, é que a TV linear perdeu receitas publicitárias para plataformas digitais como Netflix e YouTube, o que teria pressionado empresas do setor a consolidar operações e fechar redações. A companhia sustenta que a fusão ajudaria a disputar verbas publicitárias com o streaming e fortalecer o jornalismo local.
Os opositores, porém, afirmam que o acordo representa uma violação básica dos princípios antitruste e aumenta o risco de uma única empresa exercer controle editorial sobre a maior parte das redações de TV local do país. O texto afirma que a operação daria à Nexstar controle sobre mais de 80% do mercado, o que intensificou os alertas sobre concentração.
O artigo também descreve que, no atual ambiente político, empresas passaram a buscar influência direta junto a Trump para superar entraves regulatórios. Nesse cenário, a Nexstar teria reforçado publicamente gestos de alinhamento ao presidente, o que alimentou o temor de seus críticos sobre influência política no processo.
Como a política de Trump entrou no centro do caso?
De acordo com a reportagem, a empresa anunciou em setembro que deixaria de transmitir Jimmy Kimmel Live! após Brendan Carr afirmar que a FCC poderia revogar licenças de emissoras que exibissem comentários do apresentador relacionados à morte de Charlie Kirk. O texto informa que a decisão levou brevemente a ABC a suspender o programa, mas a medida foi revertida depois de forte reação pública e um boicote à emissora.
Mesmo assim, o apoio a Trump não teria sido suficiente para neutralizar resistências no campo conservador. A Newsmax e seu diretor-executivo, Chris Ruddy, contestaram a fusão judicialmente, alegando que práticas anticompetitivas da Nexstar poderiam retirar canais como o seu do ar por meio de tarifas de distribuição mais altas. Ruddy acusou a empresa de elevar os custos para carregar a Newsmax enquanto oferecia condições mais favoráveis à NewsNation, rede semelhante pertencente ao grupo.
O texto relata ainda uma mudança de perfil na NewsNation, com a contratação da comentarista pró-Trump Katie Pavlich para um programa em horário nobre e a ampliação de conteúdo explicitamente favorável ao presidente. Em paralelo, um grupo político chamado Keep News Local passou a exibir anúncios em Washington que elogiavam Trump e defendiam a fusão como crucial para a sobrevivência do movimento MAGA.
O que aconteceu na Justiça e qual é a situação atual da operação?
Após Trump sinalizar apoio ao acordo em meados de março, Nexstar e Tegna anunciaram um novo desdobramento: as empresas já haviam começado a se integrar. Segundo o artigo, a Tegna deixara de operar como antes, e seu diretor-executivo, Mike Steib, já havia vendido US$ 22,6 milhões em ações da companhia.
Em resposta, oito procuradores-gerais estaduais e a operadora de TV por satélite DirecTV pediram ao juiz federal Troy Nunley, em Sacramento, uma ordem de emergência para impedir que a Nexstar assumisse os ativos da Tegna. A medida foi concedida em 27 de março e, em 17 de abril, o magistrado expediu uma liminar formal determinando que a Tegna continuasse a ser operada como entidade financeira independente, além de exigir que a Nexstar adotasse medidas para manter as empresas separadas enquanto o processo avança.
- A fusão foi anunciada em US$ 6,2 bilhões.
- A regra da FCC de 2004 limitava o alcance a 39% dos lares com TV.
- O controle projetado pela Nexstar passaria de 80% do mercado, segundo o texto.
- A ordem de emergência saiu em 27 de março.
- A liminar formal foi emitida em 17 de abril.
Quais são os próximos passos e as reações no Congresso?
Por enquanto, o juiz permitiu que os estados e a DirecTV unificassem seus casos, ambos sustentando que a operação viola as leis antitruste e reduziria a concorrência no noticiário. Paralelamente, republicanos e democratas no Congresso criticaram Brendan Carr por permitir que sua equipe dispensasse as regras para viabilizar a operação sem votação plena dos comissários da FCC.
O artigo informa que, em 30 de março, os senadores Ted Cruz e Maria Cantwell enviaram uma carta conjunta ao chefe da FCC criticando o procedimento. Eles argumentaram que, em um negócio dessa escala, a integração acelerada e a dificuldade de desfazer a operação podem esvaziar qualquer contestação posterior. O texto também observa que, embora Cruz e Carr compartilhem visões semelhantes sobre mídia e desregulamentação, os dois já entraram em choque sobre a forma de alcançar esses objetivos.
Assim, a disputa em torno da Nexstar e da Tegna passou a representar não apenas um embate empresarial, mas também um teste sobre os limites da concentração da mídia, da atuação da FCC e da influência política sobre decisões regulatórias nos Estados Unidos.