O Flamengo superou os desafios físicos e venceu o Cusco FC por dois a zero na noite de quarta-feira, em partida válida pela estreia na Copa Libertadores da América. O confronto ocorreu no estádio Garcilaso de la Vega, localizado a 3.350 metros acima do nível do mar. De acordo com informações do GE Futebol, a vitória evidenciou o sucesso de um planejamento logístico e médico meticuloso voltado para minimizar os impactos do ar rarefeito nos atletas da equipe carioca.
A estratégia médica do clube rubro-negro contrariou o consenso tradicional adotado para altitudes extremas. Em vez de chegar ao local poucas horas antes do apito inicial, a delegação brasileira desembarcou na cidade peruana com 22 horas de antecedência. Os jogadores ficaram hospedados em um hotel equipado com quartos pressurizados. Este sistema conta com tubulações que aumentam a oferta de oxigênio no ambiente, com o objetivo de reduzir a sensação de altitude em aproximadamente mil metros durante o período de repouso.
Como os jogadores do Flamengo lidaram com a falta de oxigênio?
Nenhum membro da delegação apresentou mal-estar grave antes ou durante o jogo, o que a comissão técnica avaliou como um grande êxito. Para reforçar a segurança física, o departamento médico disponibilizou cilindros de oxigênio no vestiário do estádio. Diversos atletas recorreram ao equipamento durante o intervalo do confronto por medida de precaução. O zagueiro Léo Pereira detalhou a experiência e destacou a obediência do elenco às diretrizes estabelecidas pelos profissionais de saúde do clube.
A gente usou oxigênio, eu também usei. Tentamos as manobras que temos para ajudar. Toda ajuda é bem-vinda, eles (médicos) estudam e sabem melhor do que nós, a gente só obedece e tenta fazer o nosso melhor. Acho que conseguimos nos comportar bem diante de todas as adversidades na altitude. Estávamos bem concentrados e entramos sabendo o que tinha que fazer: um jogo inteligente, porque a altitude pesa em determinados momentos do jogo, ainda mais se você ficar forçando muito a bola e quiser imprimir velocidade. Tentamos controlar um pouco o jogo. O saldo é positivo.
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O condicionamento físico da equipe permitiu suportar os 101 minutos totais de bola rolando, somando o tempo regulamentar e os acréscimos. Contudo, o desgaste foi visível em peças-chave da escalação. O atacante Bruno Henrique precisou ser substituído por Pedro aos 39 minutos da etapa complementar, após demonstrar falta de ar em uma arrancada. Já o lateral Ayrton Lucas permaneceu no gramado até o apito final, mesmo sob intenso cansaço.
Qual foi o impacto do frio e da infraestrutura após a partida?
O meio-campista Arrascaeta, que entrou nos minutos finais e marcou o segundo gol da partida, não necessitou do oxigênio complementar. O atleta uruguaio analisou o ritmo imposto pelos titulares diante das dificuldades geográficas.
Quem começou o jogo sentiu um pouquinho mais, mas o time entrou muito sólido, controlando muito bem as ações. Algumas bolas escaparam pela velocidade, mas fizemos uma grande partida e estamos felizes.
Após o encerramento do duelo, um fator inesperado causou mais desconforto do que a própria altitude: a temperatura da água. Os termômetros na cidade marcavam cerca de oito graus Celsius. Diante desse cenário de frio intenso, os atletas relataram frustração ao encontrarem as duchas do vestiário geladas. O sistema de aquecimento do estádio operava com extrema lentidão. Como o primeiro grupo de jogadores fechou o registro geral ao terminar o banho, a água esfriou completamente para o restante do elenco.
Para evitar problemas de saúde em virtude da baixa temperatura, a delegação precisou contornar o problema adotando as seguintes medidas na saída do estádio:
- Evitar a exposição prolongada à água gelada nas instalações precárias do estádio peruano.
- Realizar o deslocamento rápido em comboio para o hotel da delegação, situado a menos de dez minutos da arena esportiva.
- Completar a higiene pessoal e iniciar a recuperação física nos chuveiros com aquecimento adequado nas próprias acomodações.
O episódio gerou até comentários descontraídos no vestiário, com Arrascaeta ressaltando que ninguém poderia correr o risco de pegar uma gripe devido ao calendário apertado de jogos. A diretoria técnica do clube considerou que, apesar do contratempo estrutural pós-jogo, o planejamento estratégico, o controle do ritmo dentro de campo e a eficácia das intervenções médicas garantiram um resultado vital para o andamento do torneio.