Filme no Senado relembra luta das mulheres na política e legado de Eunice Michiles - Brasileira.News
Início Política Filme no Senado relembra luta das mulheres na política e legado de...

Filme no Senado relembra luta das mulheres na política e legado de Eunice Michiles

0
10
Plenário do Senado
Plenário do Senado Foto: Senado Federal — Senado Federal — Domínio público

Um filme em realidade virtual que resgata a trajetória das mulheres na política brasileira e o pioneirismo de Eunice Michiles, a primeira senadora do país (representando o estado do Amazonas), estreou nesta terça-feira (31/03/2026) no Senado Federal, em Brasília. De acordo com informações da Radioagência Nacional, a obra dirigida por Felipe Gontijo foi exibida durante a cerimônia de entrega do Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz, prêmio que leva o nome da pioneira do movimento sufragista e feminista no Brasil. A produção imersiva aborda o machismo histórico e as barreiras institucionais superadas pelas parlamentares ao longo das décadas.

A produção audiovisual conta com a atriz Carolina Monte Rose no papel da protagonista, revivendo episódios emblemáticos do mandato histórico que teve início no ano de 1979. Além do elenco principal, o filme traz a participação especial da jornalista Mara Régia, em uma figuração que conecta a memória política do país com os dias atuais.

Como era o ambiente do Senado na posse da primeira mulher?

A chegada de Eunice Michiles ao Congresso Nacional foi marcada pela necessidade de adaptação de um espaço desenhado exclusivamente para homens. A falta de infraestrutura básica era evidente, a ponto de não existirem banheiros femininos nas dependências utilizadas pelos parlamentares na época. Esse cenário físico refletia uma barreira cultural profunda e sistêmica nas instituições de poder.

Em vez de ser tratada com igualdade profissional imediata, a primeira senadora brasileira enfrentou uma recepção caracterizada por hostilidade velada e condescendência. Os colegas de plenário a receberam com manifestações de flor e poesia, uma atitude que sublinhava o machismo estrutural da instituição legislativa e tentava reduzir o papel político da mulher a um estereótipo de fragilidade.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Quais foram os principais desafios enfrentados com a imprensa?

O tratamento desigual não se restringiu aos corredores do Congresso Nacional. A mídia da época também demonstrou dificuldades em cobrir a atuação de uma mulher no Senado Federal com a mesma seriedade dedicada aos representantes masculinos. Os jornais frequentemente ignoravam os debates legislativos de grande relevância.

As reportagens no início de seu mandato priorizavam a descrição de suas roupas, sua aparência física e seu estilo pessoal. A cobertura jornalística tratava a presença da parlamentar como um assunto de variedades, invisibilizando as propostas e discussões focadas em políticas públicas que ela tentava implementar no plenário.

Que projeto histórico buscou alterar o Código Civil brasileiro?

Diante das adversidades, a maior parte dos projetos de lei apresentados pela senadora teve como objetivo garantir e ampliar os direitos da população feminina. O grande destaque de sua atuação parlamentar inicial foi uma proposta protocolada em 1980, que visava corrigir uma distorção grave presente no ordenamento jurídico da época.

O projeto propunha a eliminação de um artigo do Código Civil de 1916 (legislação que vigorou no país até o ano de 2002) que permitia ao marido anular o casamento caso descobrisse que a esposa não era virgem. As regras daquele período estabeleciam os seguintes pontos que reforçavam a desigualdade de gênero:

  • O homem possuía o direito legal de devolver a mulher aos pais após a noite de núpcias.
  • O prazo estipulado para essa devolução era de dez dias corridos, contados a partir da cerimônia.
  • A virgindade feminina era tratada como sinônimo de pureza e requisito fundamental para a honra familiar.

A proposta legislativa para acabar com essa possibilidade de anulação matrimonial chegou a ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No entanto, demonstrando a forte resistência do ambiente político da época aos avanços dos direitos civis, o texto acabou sendo engavetado e permaneceu arquivado por cinco anos antes de ter uma resolução.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

WhatsApp us

Sair da versão mobile